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Distorcida, minissérie televisiva sobre Tim Maia coloca Roberto Carlos como herói e recebe críticas

1/5/2015 10:31:08 AM



Apesar de contar com bons registros de audiência durante as exibições na quinta (1°) e sexta-feira (2) da última semana, a minissérie "Tim Maia: Vale o que vier" não foi muito bem recebida por algumas pessoas, especialmente que estiveram envolvidas na vida do cantor Tim Maia (1942-1998).

A produção da Globo Filmes recortou alguns trechos do filme "Tim Maia", lançado em 2014, trocou a ordem de alguns acontecimentos e inseriu depoimentos de nomes como o biógrafo de Tim Maia, Nelson Motta, e os cantores Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Fábio. Fãs e pessoas próximas a Maia falaram sobre a manipulação feita pela Globo.

O diretor Mauro Lima, que trabalhou no filme "Tim Maia", pediu pelas mídias sociais para que os fãs não assistam à versão em minissérie da obra. "Aos seguidores que não viram Tim Maia no cinema, sugiro que não assistam essa versão que vai ao ar hoje e amanhã na Globo. Trata-se de um subproduto que não escrevi daquele modo, nem dirigi e ou editei", disse Lima.



Leo Maia, filho de Tim Maia, também se manifestou pelas mídias sociais contra a produção da Globo. "Vi o filme do meu pai... Nossa, ruim... Contei 18 coisas que não fazem parte com a realidade. O cúmulo é minha avó branca e meu avô negão. Pena ver meu pai tão mal interpretado... Ele é muito mais que tudo isso. Ele era um cara muito engraçado, alto astral, cheio de vida... Um gênio! Vou fazer um documentário falando a real, com as pessoas que fizeram parte da vida dele... A irmã confidente que era a mãe do Ed (Motta)", afirmou.

O produtor Arnaldo Saccomani, que trabalhou com Tim Maia em seus primeiros discos, utilizou a internet para se expressar. "Como o assunto é Tim Maia, quero aqui lembrar de Jairo Pires que, junto comigo, produziu Primavera, Azul Da Cor Do Mar e outras. Nosso diretor na época Jairo Pires foi quem acreditou no Tim Maia, inclusive contrariando pessoas que hoje dão depoimentos sobre o Tim e que na época foram totalmente contrários à sua contratação. A vida muda, né, Jairo Pires?", disse.



A relação entre Roberto Carlos e Tim Maia foi a mais contestada nas mídias sociais por quem acompanhou a minissérie. No filme "Tim Maia", Roberto aparece como uma espécie de vilão. Eles cantaram juntos no grupo Os Sputniks, mas logo se separaram porque Roberto pediu para Carlos Imperial dar um espaço para sua performance solo, onde imita Elvis Presley. Tim passa um tempo nos Estados Unidos e, quando volta, a Jovem Guarda era um sucesso e Roberto, um ícone. Quando Tim pede uma oportunidade, Roberto esnoba o falecido cantor de inúmeras maneiras.

Na minissérie, Roberto Carlos limpa a própria barra e diz que deu oportunidades para Tim Maia ao apresentá-lo à gravadora CBS. "Ele (Tim) sempre achou na vida dele que eu tinha feito isso porque a Nice (Cleonice Rossi, primeira mulher de Roberto Carlos) tinha feito esse pedido e não foi, foi uma iniciativa realmente minha", afirmou Roberto. Nelson Motta alega que Roberto Carlos "fez tudo o que pôde" para Tim, o que vai contra a própria biografia que escreveu sobre o cantor, "Vale Tudo: O som e a fúria de Tim Maia", de 2007. O ator Babu Santana, que interpreta Tim na minissérie, curiosamente diz: "E foi assim, rapaziada, que o Roberto Carlos lançou o gordo mais querido do Brasil".



É curiosa, também, a relação de Tim Maia com a TV Globo. Hoje, ele é enaltecido com uma minissérie de dois capítulos. No entanto, de acordo com o próprio Nelson Motta, Tim foi banido da emissora após faltar a uma apresentação no programa "Domingão do Faustão", em 1993. O cantor não se dava bem com as Organizações Globo no geral, apesar de elogiar o falecido proprietário Roberto Marinho.

Sobre a minissérie, a TV Globo manifestou que a proposta não era reexibir o filme. "Qualquer obra audiovisual segue critérios artísticos", disse o pronunciamento da emissora. Pode ser que nem a própria biografia de Nelson Motta esteja correta. Nunca saberemos - só quem viveu, sabe. Fato é que a minissérie pulou grande parte da trajetória de Tim: é como se a carreira do cantor não tivesse existido entre 1978 a 1998. Vale o que vier?

por Igor Miranda

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