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Hip-Hop nos Jogos ? Parte I

3/21/2011 7:16:17 PM
A era dos jogos musicais de rock n' roll pode ter chegado ao fim, com a morte súbita da franquia Guitar Hero. Ou não. Mas, para os alunos da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill o rock está morto e enterrado e Snoop Dogg é a bola da vez.


Snoop Dogg

Em uma ação de marketing inédita, a EA Games utilizou o rapper casca-grossa como isca para uma promoção do FPS Bulletstorm. Através da página oficial do jogo no Facebook, alunos de diversas escolas e faculdades poderiam votar para ganhar um show exclusivo de Snoop Dogg em suas dependências. O detalhe estranho é que a trilha sonora do título é dominada por batidas violentas de rock e metal. Mas isso não impediu que a promoção fosse um estrondoso sucesso.

Mau como o Pica-Pau, Frio como Gelo

Ice-T
Esta ação não foi a primeira e nem será a última combinação entre a indústria dos jogos eletrônicos e os astros do hip-hop. Vejamos o exemplo de Ice-T.. Surgido no final dos anos 80, o polêmico rapper é considerado um dos pais do estilo gangsta rap, uma explosiva mistura de linguagem das ruas, apologia ao crime organizado e letras repletas de ódio, aparentemente fruto da experiência real do cantor com a vida nas periferias urbanas. Mais ou menos na mesma época, Ice-T fundou um projeto paralelo de metal, o Body Count, que alcançou meteórico sucesso com a (proibida) faixa "Cop Killer" ("Matador de Tiras"). Se analisarmos apenas pelos estereótipos vigentes, então o senhor Tracy Morrow, vulgo Ice-T, seria a última pessoa no mundo a ser associada com um suposto "passatempo para nerds".

Entretanto, o próprio rapper desmente o preconceito em entrevista para a Game Informer e lembra que cresceu entre Ataris e Segas: "O que as pessoas não entendem é que a indústria dos jogos eletrônicos surgiu junto com a indústria do hip-hop". E lembra que, no fundo, sua turma ainda era um bando de garotos querendo se divertir. Ele também revela que mesmo nos piores lugares havia um jogo rodando: "a gente ia na boca de crack e tinha um jogo lá!". Atualmente, Ice-T tem diversos consoles em sua casa e um clã de Call of Duty, o SMG, do qual também participam os rapper Warren G e Xzibit. Mostrando que a veia do gueto está em toda parte, o nome do clã significa "Sex, Money and Guns". Mas um dos jogos favoritos do "matador de tiras" paradoxalmente é Max Payne, a jornada de um policial renegado em busca de vingança contra... traficantes de drogas.

Ice-T também já virou personagem de jogos eletrônicos. No jogo de luta Def Jam: Fight for NY, ele é um dos lutadores escalados. Em 2000, ele fez a dublagem do Agente Nathaniel Cain, o protagonista com poderes psíquicos do jogo Sanity: Aiken's Artifact. O rapper também dublou o personagem Madd Dogg em GTA: San Andreas e prepara seu retorno às dublagens com o aguardado Gears of War 3, onde interpretará o soldado Griffin.

Mas, se Ice-T é fã de Call of Duty, outro rapper com está em Call of Duty. Ice Cube veio da cena de Los Angeles na mesma época que seu contemporâneo em Nova York e também é considerado um dos fundadores do gangsta rap, ao lado do grupo N.W.A. e seu já antológico álbum Straight Outta Compton. Em sua carreira solo, Ice Cube já foi chamado de "anti-branco", "misógino" e "anti-semita", mas, nas últimas décadas amenizou seu discurso, iniciou uma bem-sucedida carreira cinematográfica e hoje em dia pode ser encontrado em comédias para toda a família na Sessão da Tarde. Ou nas telas dos jogadores, onde interpreta o Corporal Bowman no sucesso de vendas Call of Duty: Black Ops.

Ice Cube

Ice Cube foi levado aos jogos pelos filhos e por... Ice-T! Em entrevista ao site The Source, o ex-gangsta agradece o mentor e tece elogios à franquia Call of Duty: "É bacana começar atrás das linhas inimigas e enfrentar na marra seu caminho até o topo." Cube, que também já foi o Triplo X nos cinemas, ainda está embasbacado pela sua primeira participação em um jogo. Não seria de se estranhar que outros viessem a seguir em sua agenda...

Mas ninguém, ninguém é mais marrento que o próximo astro.

De Centavo em Centavo



Se alguém oferecesse a você a oportunidade de dublar o personagem principal de um jogo da série GTA, o que você diria? Pois Curtis James Jackson III disse "não" à Rockstar Games e não aceitou dublar CJ em GTA: San Andreas. Nas suas palavras, ele só dublaria a ele mesmo em um jogo. Estamos falando de 50 Cent.

Box - Bulletproof
Seu álbum de estréia foi oito vezes disco de platina nos Estados Unidos e vendeu 15 milhões de cópias em todo mundo. Por outro lado, GTA: San Andreas vendeu 21,5 milhões de unidades e é considerado o terceiro maior sucesso de vendas na indústria dos jogos eletrônicos de todos os tempos. Mas nada disso tirou a marra de 50 Cent, que vendeu mais 11 milhões de discos com seu segundo(!) álbum e se tornou um astro absoluto no mundo do hip hop. Afinal, nada derruba mesmo esta figura que já levou nove tiros em 2000 e sobreviveu para comprar briga com vários outros rappers, incluindo Ja Rule, Jadakiss e The Game.

E os jogos? Quem pensa que 50 Cent perdeu o bonde da história com CJ, esquece que o polêmica rapper foi o protagonista de dois jogos com seu nome: 50 Cent: Bulletproof e 50 Cent: Blood on the Sand. O primeiro jogo foi lançado em 2005 e teve versões para Playstation 2, PSP e Xbox. No enredo, 50 Cent também é baleado nove vezes e deixado para morrer. Ao contrário da vida real, no jogo o rapper parte para a vingança com tudo o que tem direito. O título conta com a participação de outros rappers, incluindo Dr.Dre como um traficante de armas e Eminem, mentor de 50 Cent, no papel de um policial corrupto. Para os fãs do cantor, o jogo traz vários itens desbloqueáveis, incluindo muito material raro que não havia sido lançado antes, quase 4 CDs inteiros de músicas inéditas. Apesar das fracas críticas, Bulletproof conseguiu vender um milhão de unidades.

Bulletproof

Quatro anos depois, veio o segundo jogo. Em Blood on the Sand, o enredo abandona os guetos americanos e o mundo do crime e pega carona na campanha militar americana no Oriente Médio. Desta vez, 50 Cent está fazendo um show na região e leva um calote de dez milhões de dólares(!). Para descontar o prejuízo, o rapper e sua gangue vão atrás de um crânio de cristal(!!) cravejado de diamantes(!!!) e matam metade dos radicais islâmicos no processo ou algo assim. Novamente, o jogo é repleto de faixas exclusivas do astro e conteúdo destravável. Apesar da trama fora do convencional, o jogo recebeu elogios da crítica e é considerado superior ao anterior.

Blood on the Sand

Blood on the Sand

por Carlos Aquino

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