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Kiss: 15 anos de "Psycho Circus"

9/23/2013 8:19:21 AM
(Foto: Reprodução)


O álbum "Psycho Circus", do Kiss, comemorou 15 anos de lançamento ontem, 22 de setembro. Mas o texto está sendo publicado hoje, 23.

Há quem critique "Psycho Circus", principalmente após a verdade sobre as gravações ter sido sumariamente revelada. Mas até eu que não era fã da banda na época do lançamento (apesar de em 2001 já estar na MTV assistindo ao clipe da faixa título) tenho noção da expectativa que estava sendo criada sobre o "grande disco que marcaria a reunião da banda mais quente do mundo".

Lançado em 22 de setembro de 1998, "Psycho Circus" é o 18° álbum de estúdio do Kiss (excluindo os álbuns solo lançados sob o nome do grupo) e, como já dito antes, é o primeiro a ser lançado com a formação original, Paul Stanley, Gene Simmons, Ace Frehley e Peter Criss.



Para a produção, um nome nada esperado foi chamado: o já falecido Bruce Fairbairn, que já tinha em seu currículo discos do Aerosmith, Bon Jovi e Van Halen, assumiu o trabalho e tentou colocar ordem na casa, castrando Frehley e Criss de boa parte do processo de gravação.

Nunca se saberá a postura de Stanley e Simmons mediante tal situação, mas o resultado final tem pouco de Ace e Peter, pois suas composições foram rejeitadas, aproveitando-se apenas "Into The Void", de Ace, que também é a única faixa em que todos os integrantes realmente tocaram juntos. O guitarrista Tommy Thayer e o baterista Kevin Valentine ocuparam os postos.
E deixando o "fanatismo" de lado, não fizeram feio.

Thayer já mostrou que é um grande guitarrista não só por "Sonic Boom" (2009) e "Monster" (2012), mas por estar na banda desde 2002 e por ter integrado o Black N Blue, ótima banda de Hard Rock. Valentine já era conhecido dos fãs mais diehards pois tocou em "Take It Off" do álbum "Revenge", mas passou por várias bandas como Donnie Iris And The Cruisers, Cinderella, Shadow King, The Lou Gramm Band e por aí vai, onde sua competência pode ser conferida. A guitarra rock n roll de Thayer, bem semelhante à de Frehley e a bateria pesada e técnica de Valentine aliadas à genalidade da dupla dinâmica só poderia dar bons frutos.



Musicalmente falando, "Psycho Circus" remete o ouvinte a uma bela viagem pelo tempo, flertando em todos os momentos com a glória dos discos do Kiss lançados durante os anos 1970 (alguns até arriscam chamá-lo de "Destroyer 2" e as semelhanças realmente são muitas), mas sem deixar a peteca cair no que diz respeito a uma tentativa de "baile da saudade", pois mesmo com as pitadas setentistas, o play soa atual, original e imponente. Pauladas dignas de Kiss são encontradas aqui do início ao fim, com menções respeitáveis para "Raise Your Glasses", a faixa título (uma de minhas prediletas de toda a carreira da banda), "Into The Void" e "Dreamin", além da ótima mela-cueca "We Are One".

Mesmo sendo vítima de críticas dos fãs mais assíduos do Kiss, "Psycho Circus" foi um grande sucesso comercial. Vendeu 500 mil cópias nos Estados Unidos em um mês, sendo mais de 100 mil delas apenas na primeira semana de lançamento, dando à banda mais um disco de ouro, além de alcançar a 3ª posição das paradas americanas, a 1ª das australianas e a 2ª das canadenses. Hits como a faixa título, "You Wanted The Best" e "We Are One" chegaram às rádios da época, inclusive esta um grande sucesso em terras brasileiras.



A turnê de divulgação do álbum foi um caso à parte, já que lotou estádios por todo o mundo (inclusive no Brasil) e foi a primeira da história da música como um todo a ter telões em 3D - com direito a um par de óculos personalizados dados a cada espectador para permitir que um dos mais fantásticos espetáculos da face da Terra se tornasse ainda mais inesquecível.

O marketing para alavancar as vendas foi mais do que acionado na época, pois até um jogo de computador chamado "Psycho Circus: The Nightmare Child", onde os quatro cavaleiros do apocalipse se digitalizam e enfrentam várias aventuras, foi lançado, além dos clássicos bonecos, chaveiros e até linhas de papel higiênico e camisinhas do Kiss.

A reunião não durou por muito tempo. Logo, Ace Frehley e Peter Criss se enfureceram com a postura da banda, que chegou a anunciar o fim mas não executarem de fato, nem mesmo após a turnê de despedida. Mas em meio aos retalhos, "Psycho Circus" é uma boa contribuição artística.



Paul Stanley - vocal (em 1, 3, 6, 7 e 9), guitarra base, violão, baixo em 5, 7 e 8, backing vocals
Gene Simmons - vocal (em 2, 5, 6 e 10), baixo, backing vocals
Ace Frehley - vocal e guitarra (em 4, 6 e 11), backing vocals
Peter Criss - vocal (em 6 e 8), bateria (em 4), backing vocals

Músicos adicionais:
Kevin Valentine - bateria (em todas as faixas, exceto em 4)
Tommy Thayer - guitarra (em todas as faixas, exceto em 4 e 6)
Bruce Kulick - guitarra em 2 (intro)
Shelley Berg - piano em 8 e 10
Bob Ezrin - piano Rhodes em 8

01. Psycho Circus
02. Within
03. I Pledge Allegiance To The State Of Rock And Roll
04. Into The Void
05. We Are One
06. You Wanted The Best
07. Raise Your Glasses
08. I Finally Found My Way
09. Dreamin
10. Journey Of 1,000 Years

por Igor Miranda

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