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Opinião: É correto que músicos façam campanha para políticos?

10/1/2014 2:40:09 PM
Uma série de personalidades do mundo da música declararam apoio a candidatos à Presidência da República ao longo desse período eleitoral. A pequena lista abaixo mostra alguns cantores e músicos que apoiam os três principais pretendentes ao cargo (a fonte da informação é uma matéria publicada pelo G1).


Dilma Rousseff (PT): apoiada por Alcione, Chico Buarque, Mano Brown (Racionais MCs), Elza Soares, Otto, Paulinho da Viola e Chico César.

Marina Silva (PSB): apoiada por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dinho Ouro Preto (Capital Inicial)), Arnaldo Antunes e Charles Gavin (ex-Titãs).

Aécio Neves (PSDB): apoiado por Wanessa Camargo, Fagner, Chitãozinho & Xororó (ambos), Gian & Giovani (ambos), Beto Guedes, Zezé di Camargo (da dupla Zezé di Camargo & Luciano) e Chrystian (da dupla Chrystian & Ralf).

Sempre defendi que o artista, especialmente o músico, deve ser sempre politizado. A arte não é apenas entretenimento: ela traz cultura, conhecimento e conscientização sobre o que acontece ao redor de qualquer ser humano.

No entanto, entendo como completamente errônea a posição de "cabo eleitoral de luxo". Um artista jamais deveria influenciar o seu público a votar em um candidato específico. Conscientizar sobre a importância da política na vida de cada cidadão brasileiro é o caminho. Fazer lobby para político, ao meu ver, não.

Gilberto Gil, por exemplo, cantou uma composição com os dizeres "Marina vou eu, votar na Marina, Marina..." diante do público presente em um encontro com artistas e representantes do meio cultural ocorrido no Rio de Janeiro (RJ), no meio deste mês. A música virou jingle político da campanha de Marina Silva. Durante evento na mesma cidade, Alcione apelou pela continuidade de Dilma Rousseff.

Nas mídias sociais, muitos dos artistas listados estimulam os seus fãs a votarem nos candidatos que apoiam. Não apoiam o voto consciente. Só fazem campanha, sabe-se lá com qual interesse. Em alguns casos, parecem até financiados. Consequentemente, pouco profissionais.

Durante entrevista concedida ao G1, o coordenador da campanha de Aécio Neves (PSDB), o senador José Agripino (DEM/RN), disse que os artistas envolvidos "são personalidades com uma biografia a zelar e que emprestam seu prestígio e notoriedade para algo em que acreditam".

Resta a dúvida: se você fosse famoso, emprestaria o seu prestígio para alguém que está em um meio tão volátil, como a política? A troco de quê? Não é mais efetivo estimular a consciência sobre as eleições? O engajamento político e o sonho de se ter "um Brasil melhor" não esbarram apenas em apoio presidencial. Não é desculpa. Talvez esse seja o menor dos problemas.

Fique de olho, leitor. Vote consciente. Não se deixe influenciar por qualquer artista, músico ou qualquer tipo de celebridade que exerce função de "cabo eleitoral de lixo". Não jogue no lixo a oportunidade de exercer o que a democracia nos permite.

por Igor Miranda

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