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Opinião: Nicki Minaj faz história e escancara a irrelevância do VMA

7/23/2015 1:00:34 PM



Pode parecer besteira tudo isso que aconteceu envolvendo o MTV Video Music Awards (VMA) deste ano. Mas a polêmica levantada por Nicki Minaj não é só coerente - é histórica.

A rapper utilizou as mídias sociais para falar de seu descontentamento com o pouco reconhecimento de seu trabalho por parte da MTV, responsável pelo evento. "Se eu fosse um tipo diferente de artista, Anaconda estaria indicado para melhor coreografia e vídeo do ano", disse Nicki Minaj, pelo Twitter. Em outra publicação, ela foi mais direta. "Se o seu vídeo celebra mulheres com corpos bem magros, você receberá indicação para vídeo do ano", afirmou a rapper.

Nicki Minaj tem o direito de cobrar. É a artista de hip hop mais conhecida da atualidade. Está sendo responsável por uma união orgânica entre o estilo e a música pop. E tem feito isso sem abdicar das raízes culturais do estilo: seja pelos figurinos, pelas letras desbocadas (que não admiro, mas compreendo), pelas performances baseadas nos outros elementos da cultura hip hop ou por simplesmente se aceitar como é, sem se render por completo aos padrões americanos do pop.



Além disso, goste ou não, "Anaconda" é um marco. A música, baseada em um sampler de "Baby Got Back" (Sir Mix-A-Lot), colocou Nicki no topo das paradas de dezenas de países. Na internet, o clipe bateu recordes de visualização em faixas de tempo (19,6 milhões de views em 24 horas, por exemplo) e só foi superado por "Bad Blood", de Taylor Swift, já impulsionada pelo hit anterior "Shake It Off". A diferença é que o vídeo de "Anaconda" é marcante a ponto de até você, caro leitor que não gosta da canção, já ter visto. É o meu caso. Inegavelmente, chocou.

Mesmo assim, Nicki Minaj ficou para escanteio. O irrelevante clipe de "7/11", de Beyoncé, feito de forma caseira provavelmente para cumprir alguma agenda de lançamentos e que provavelmente só foi visto por fãs da cantora (repetidamente, para inflar números de visualizações na web), recebeu mais indicações. Não se discute a importância de Beyoncé, também negra e revolucionária na música pop, mas não foi, nem de longe, um de seus melhores trabalhos audiovisuais.



Toda essa polêmica só escancara que o VMA não é uma premiação cultural, mas sim de entretenimento, do pop, sem grande valor ou relevância de conteúdo. Tem grande alcance midiático, mas só. Atende a interesses de gravadoras, de empresários, de magnatas. Assim como o esporte, a política e até o jornalismo atendem. A MTV, responsável pelo evento, amarga cada vez mais a sua decadência. Já não dita mais as tendências, como em tempos atrás. A internet mudou toda a forma de produção fonográfica. Hoje, faria mais sentido um prêmio musical comandado pelo YouTube do que pela malfadada emissora - que, vale destacar, faliu no Brasil e hoje segue como um pastiche desvirtuado, onde a música é a coisa menos importante.

O histórico da MTV é de preconceito e de tentativas de ditar padrões. A emissora americana demorou a inserir artistas do hip hop oitentista, como Run DMC e Public Enemy, em sua programação. Ainda no início da década de 1980, um grande alarde foi feito quando Michael Jackson entrou nas transmissões da emissora, mesmo já fazendo um estilo musical muito baseado no pop tipicamente "branco". Ainda assim, tempo foi demandado para que o "Rei do Pop" rolasse na MTV. O presidente da gravadora CBS precisou ameaçar retirar todos os vídeos dos artistas de seu selo caso "Billie Jean" não entrasse na grade, segundo informações divulgadas pela revista Rolling Stone. Houve resistência semelhante com nomes fortes, como Prince e Whitney Houston.



Hoje em dia, não dá para dizer que há racismo ou misoginia - ao menos de forma escancarada. Mas há uma imposição de padrões que torna tudo muito genérico. Madonna, a "Rainha do Pop", é velha demais para essas premiações. Desde 2009, não é indicada para nenhum prêmio. Não vence nada no VMA desde 1999. Curioso, pois lançou seis discos neste século e sucessos avassaladores e bons trabalhos audiovisuais, como "Music", "Hung Up", "Die Another Day" e "American Life" sequer receberam estatuetas.



É tudo muito efêmero, como já destaquei em outro texto. No entanto, com ou sem MTV, tudo continua a mesma coisa. De um lado, imposições de padrões. De outro, o talento se sobressaindo, independente de interesses ou estereótipos. Madonna é esquecida pelo VMA, mas continua aí. A mesma coisa com Britney Spears, Selena Gomez, Demi Lovato, Christina Aguilera e até a subjulgada Miley Cyrus, que apresenta a edição deste ano três anos depois de fazer história, com uma apresentação polêmica em 2012 ao lado de Robin Thicke.

A música pop, definitivamente, não precisa mais da MTV. Você precisa?

por Igor Miranda

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