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Opinião: o marketing na guerra imbecil entre KISS e ex-membros originais

2/28/2014 3:44:25 PM
(Foto: Divulgação)


O poder que grandes astros exercem sobre seus fãs pode ser catastrófico. Em qualquer âmbito da arte isso acontece, mas com a heroicização dos ídolos da música, tornou-se mais frequente em tal área. Dia desses, acompanhei uma discussão sobre "qual baterista é melhor: Peter Criss ou Eric Singer". Desconsiderando o fato de que um dos caras estava julgando Criss como pessoa - sem, obviamente, conhecê-lo -, acho bizarro fazer uma comparação desse tipo sem que seja baseada por gostos por dois motivos.

O primeiro é que Eric Singer é fã de KISS e obviamente foi influenciado por Peter Criss. O segundo é que, apesar dessa influência, o background do Singer é muito mais hard rock anos 1970 - época que Criss já estava na ativa -, enquanto que o Catman original tem muito do jazz.

Em termos técnicos, Eric é muito mais bumbo, pedal, foco nos pés e muita precisão. Pensa em cada batida. Peter é puro swing nas mãos, tem o chimbal e a caixa como trunfos. Orienta-se muito pelo feeling e até pelo improviso. Singer é meu preferido, particularmente, mas nem por isso tiro o valor de Criss. Ouça as versões de "Shock Me" de ambos e entenda as diferenças.





O que faz com que fãs comparem coisas tão distantes? Ninguém sai por aí comparando uma pizza de massa fina e crocante com outra grossa, repleta de queijo. Entendemos as propostas de ambas e que há público para tais. Mas os fãs ignoram as diferenças quando se trata de seus ídolos, seus heróis, seus amores.

A situação que o KISS tornou pública em relação ao Rock And Roll Hall Of Fame é semelhante à que aconteceu com o Guns N Roses, quando foram induzidos. A discordância entre integrantes era tão grande que impossibilitaria uma simples reunião de uma noite só. Axl Rose preferiu se abster, já o KISS levou tudo a público e tentou fazer lobby contra Ace Frehley e Peter Criss.

É direito de Paul Stanley e Gene Simmons não estarem a fim de uma reunião com Frehley e Criss, nem que sejam por uma noite. Mas isso vai completamente contra o discurso da banda, que desdenha do Hall Of Fame, mas diz que "só está lá pelos fãs". Ora, os fãs querem uma reunião de uma noite no evento. Não é nada de retorno permanente. Seria muito interessante que a banda tocasse duas músicas - uma com os atuais membros, Tommy Thayer e Eric Singer, e outra com os antigos. Ainda coloca o boa-praça Bruce Kulick na jogada e fica tudo bem. Ou junta todo mundo para um showzinho legal. Faria bem para a imagem pública do grupo e seria um marketing danado.



Mas não. O discurso gente boa de "fazemos tudo pelos fãs" tem um limite, que é o do ego. Mas isso é o de menos. A realidade é que o KISS tenta fazer uma guerra midiática contra Frehley e Criss. Outra proposta de marketing, não dá para negar. Mas não pega bem para caras que já passaram dos 60 anos.

A tacada final para o KISS foi afirmar que não tocarão no evento. Ou seja, jogaram a culpa sob Ace Frehley e Peter Criss. Colocar na fogueira dois músicos que ajudaram a construir o KISS no início e colaboraram para o resgate do grupo no meio dos anos 1990 - quando já estavam tocando em casas de shows para 5 mil pessoas ou menos - não é legal. Ainda mais porque vai contra o discurso de "fazemos tudo pelos fãs". E ainda mais se consideramos que trata-se apenas de uma noite. Amo essa banda há quase dez anos e posso afirmar com clareza: para a maioria de nós, não estão fazendo isso pelos fãs. Estão fazendo isso pelo marketing.



É por conta de IMBECIS que vaiaram Bruce Kulick e Eric Singer, no retorno ao palco no show do MTV Unplugged em 1995 (ao início do vídeo acima), que o KISS continua com esse marketing falho.

por Igor Miranda

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