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Um help da Rita

10/25/2011 8:28:16 AM
Além de fazerem música, em determinados momentos artistas revelam ser ótimas fonte de inspiração enquanto pessoas. Esta semana, enquanto vasculhava em meus arquivos pessoais ? àqueles lá da caixola mesmo ? um exemplo de superação, encontrei a resposta em um episódio do rock nacional, que marcou história e pode funcionar como uma "pílula de motivação".


Em 1972, o grupo Os Mutantes lançava o álbum "Mutantes e seus Cometas no País dos Baurets". Só por curiosidade, baurets eram os cigarros de maconha fumados por Tim Maia, para quem o disco foi uma homenagem. O novo LP representou a mudança de estilo da banda, rumo ao rock progressivo. O grande sucesso do álbum foi a música Balada do Louco, uma parceria entre Arnaldo Baptista e Rita Lee.

Mas, mesmo em meio ao sucesso, os estilos entre os integrantes do grupo estavam em desacordo. Foi assim que em 1973, Rita Lee Jones, aos 26 anos, foi convidada a se retirar da banda Os Mutantes. "De repente, os Mutantes descobriram Deus, aquela coisa religiosa e entraram numas de egotrip em que eu não estava interessada", disse ela em entrevista à revista Super Interessante. E a fase que se seguiu foi de ondas turbulentas.

A primeira tentativa de reviravolta foi uma parceria com a amiga Lúcia Turnbull, com quem Rita formou a dupla As Cilibrinas do Éden, no estilo folk rock. O "conjunto de duas" fez somente uma gravação ? lançada mais de 30 anos depois. Após a desistência, Rita chegou a trabalhar como manequim antes de formar a banda Tutti-Frutti. Da ansiedade que enfrentava, fez música:

Mamãe Natureza
Não sei se eu estou pirando
Ou se as coisas estão melhorando
Não sei se eu vou ter algum dinheiro
Ou se eu só vou cantar no chuveiro


Mesmo tendo lançado vários hits no Tutti-Frutti, como "Ovelha Negra" e "Agora só falta Você", Rita afirmou que chegava a pagar para cantar. E a maré trouxe dias mais difíceis. Em 1976, grávida de três meses de Roberto de Carvalho - guitarrista, pianista, grande parceiro e atual marido - a cantora foi condenada a um ano de prisão domiciliar pelo porte e uso de maconha. Um ato da ditadura militar, que seria "para servir de exemplo a juventude da época". Mas não foi isso que parou a musa.

A banda Tutti-Fritti passou a fazer sucesso tocando para grandes públicos em shows bem produzidos. Infelizmente - ou felizmente - o crescimento trouxe também o aumento das brigas. E mais um grupo se desfez. E outro se formou. Assim, Rita Lee seguiu na estrada com a banda Rita Lee e Cães e Gatos, nome carinhoso para o grupo que brigava muito durante os ensaios. A fórmula ideal para não dar certo. Não deu. Mas não foi esse o final da história obviamente. Como você já sabe, foi muito melhor.

Em meio a tantos desencontros Rita Lee optou seguir carreira solo. O que fica marcado nisso tudo é o resultado, que parece tão certo hoje em dia mas é na verdade o somatório de muita experiência. Para resumir... Uma trajetória artística - ainda em andamento - que compõe uma discografia com 32 álbuns, músicas eternizadas, novos sucessos, fãs de todas as idades e o título de insubstituível musa do rock nacional. Assim, Rita Lee, 64, comprava a eficácia do método mais humano de todos: o de tentativa e erro ? até dar certo!

por Carolina Tollstadius

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