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Entrevista com Heitor Branquinho

9/5/2008 9:58:09 AM
Entrevista com Heitor Branquinho
Com um belo trabalho, Heitor Branquinho se destaca na cena musical paulistana e mineira e apresenta seu segundo CD, "um Branquinho e um violão". O título faz referência ao formato do show gravado ao vivo em Três Pontas – MG, sua cidade natal, onde o músico acompanhado pelo violão, teve como cenário o Museu do Café.


No disco, Heitor canta composições de sua autoria e conta com a ilustre participação musical do amigo e conterrâneo Milton Nascimento nas faixas "Amigo", tocando sua tradicional sanfoninha de 8 baixos, e "O que Vale É o Nosso Amor", em um belíssimo dueto vocal.

Branquinho assina também a produção do disco, mixado por André "Kbelo". O CD conta ainda com uma faixa bônus, um remix drum..n..bass da música "O que Vale É o Nosso Amor", produzido pelo DJ carioca Marcelinho da Lua. Imperdível!

Certamente Heitor Branquinho tem talento e carisma para conquistar o público brasileiro, quiça, do mundo! É só uma questão de tempo.


Confira a entrevista exclusiva de Heitor Branquinho ao site Cifras:

Francinne - A vontade de ser músico, quando e como começou?
Heitor - Ser músico profissional mesmo, acho que encarei de frente quando comecei a tocar em bares, voz e violão. Tinha 17 anos. O trabalho começou a ficar mais sério. Mas comecei a fazer aulas de piano aos 6 anos. Não lembro se foi muito pela minha vontade ou se minha mãe que incentivou. Mas sei que fiz aulas até os 10 anos. Aos 10 comecei a fazer aulas de violão por vontade própria. Aí já penso que a vontade já falava mais alto e parei de fazer aulas de piano. Não que eu não goste do instrumento. Eu fazia aulas de piano clássico, mas quando a professora saía da sala eu tentava tirar de ouvido as músicas que outros alunos estavam tocando em outras salas.....rs.

Francinne - Qual a sua formação musical?
Heitor - Comecei a fazer aula de piano, aos seis anos, com uma professora particular. Depois estudei um pouco de piano no Conservatório de Três Pontas. Violão no Conservatório e particular também. Fiz aulas de guitarra com o Jacques Mathias, em Varginha. E aulas de técnica vocal com a Babaya em Belo Horizonte por dois anos e meio.

Francinne - Sua família incentiva sua carreira musical?
Heitor - Incentiva sim e muito. Minha mãe, meu pai, sempre vão aos shows. Meu pai sai comigo viajando. Na semana passada mesmo ele estava comigo em BH, fazendo divulgações. Meu irmão Hugo mora comigo em SP, e as vezes acho que ele sabe mais sobre mim do que eu mesmo. Conhece tudo! Meu outro irmão, o Higor, e minha avó também estão sempre presentes. Fora madrinha, tios, tias, primos......

Francinne - Por que você veio morar em São Paulo? É necessário estar nessa rota cultural?
Heitor - Morei em Três Pontas durante minha infância e adolescência toda. Depois mudei para Belo Horizonte, por três anos, e já estou em SP há dois anos e meio. Não sei o porquê, mas algo me dizia que precisava ir pra um lugar maior, com mais trânsito de informações. Fiquei indeciso entre vir pra SP ou ir pro Rio. Aí o Bituca (apelido de Milton Nascimento) disse pra eu ir pra São Paulo. Resolvi seguir o conselho dele. Tudo vem pra São Paulo. É a porta de entrada e a porta de saída do Brasil. Mesmo não morando aqui, é passagem obrigatória.

Francinne - Fale-me sobre o seu processo de composição.
Heitor - Meu processo de composição é bem variado. Tenho muitos parceiros e muitas músicas sozinho também. Às vezes faço letras em cima de músicas de outras pessoas. Às vezes componho músicas em poesias, em letras. Mas muitas vezes vem uma letra e uma melodia juntas, e já saio fazendo tudo de uma vez. Mas sempre costumo dizer, o telefone toca é de lá para cá...

Francinne - Como surgiu a oportunidade de gravar, aos 20 anos, seu primeiro disco?
Heitor - Como este segundo CD, o primeiro também foi independente. Foi gravado em Varginha (MG), em um home estúdio, do Jacques Mathias, que foi meu professor de guitarra. Também foi produzido por ele. Já tocava nos bares, mas a ajuda também monetária da família. Foi feito com muito esforço.

Francinne - Fale-me sobre a experiência de tocar em bares na noite paulistana?
Heitor - Tem toda a história de que tocar em bar é uma escola. Realmente, mas não é fácil não. São Paulo é uma cidade que tem muitos lugares com música ao vivo, mas ao mesmo tempo, muitos músicos também. E muitas vezes a concorrência é um tanto injusta, pela atividade musical não ser tão regulamentada assim. Além de serem muitas horas tocando e cantando. As pessoas que estão conversando, "tomando uma", ou até o próprio dono do bar, não percebem que isso também é um esforço físico. Talvez seja pelo estereótipo criado pelos músicos da época da boemia. A história hoje é um tanto diferente. Muitos dias são legais, outros nem tanto. É um trabalho como tantos outros. Autônomo. Se trabalha tem dinheiro, se não trabalha não tem.
Vejo como uma fase de transição, pois viver só autorias hoje em dia é o que muita gente quer, mas não é tão simples assim.

Francinne - É uma honra dividir o palco com Milton Nascimento. Como foi o início dessa parceria?
Heitor - A gente se conheceu em Três Pontas. Eu estava tocando em um bar, junto com o Ademir Jr. e ele foi nos assistir/ouvir. De lá ficamos amigos, mas amigos de verdade. Participei também do DVD dele, junto com o Lenine e outros músicos trespontanos, e também em um show no Canecão, no lançamento deste DVD. Nosso primeiro encontro está até registrado no livro da biografia dele, "Travessia" (Ed. Record, 2006). A música "Amigo" fiz pensando em nossa relação, e uma vez em Búzios quando estávamos de férias, eu lembrei que a música estava em Sol, o tom da sanfoninha dele. Então tocamos a música e ficou super legal. Ainda não tinha o projeto de gravar este CD. E o tempo passou. Depois quando fiz "O que Vale É o Nosso Amor", imaginei o Bituca cantando comigo. Alguns dias depois fui a casa dele no Rio, e coloquei a música pra ele ouvir. Ele pediu pra ouvir novamente e depois que a música acabou, expliquei pra ele que queria gravá-la no meu próximo trabalho, com a participação dele. Ele respondeu de imediato: - Claro!

Francinne - Está satisfeito com o resultado do disco? Gravar ao vivo, não é nada fácil. Ou é?
Heitor - Estou sim! Tive neste trabalho muitos amigos participando e apoiando, e também outros que se tornaram amigos pelo caminho. Sou muito grato pela competência e o carinho de todos eles. Gravar ao vivo realmente não é muito fácil. Mas também não foi muito difícil! Rs... O CD foi gravado em um único show, em apenas uma noite. Eu fiz toda a produção musical, e ensaiei um mês em casa, pensando os arranjos todos, vocais e instrumentais. Acho que o mais difícil é por ser voz e violão. Todo espaço tem de ser preenchido, e qualquer tropeço aparece na cara.
Mas estou super satisfeito sim. O público se "comportou", o som ficou muito bem feito, gravação, mixagem e o projeto gráfico também, desde as fotos, cenário, encarte.

Francinne - Você me parece ter uma natureza tranqüila. Como cultiva a calma nesse mundo tão "punk"?
Heitor - Acho que há diversas maneiras de ver o mundo. Se eu for pensar pela perspectiva de que o mundo é um congestionamento em São Paulo, às sete da noite, ficarei irritado sempre. Agora se eu coloco um jazz no som, tudo já muda. Nosso pensamento tem uma força muito grande. A gente precisa se adaptar às coisas. Uma fila de banco mesmo, sem nada pra fazer é uma coisa horrível, mas com um livro, nem é tão ruim assim. O que a gente precisa é buscar alternativas.

Francinne - O que é ter sucesso, pra você?
Heitor - Sucesso pra mim é fazer o que a gente gosta. Me considero uma pessoa de sucesso. A fama e o reconhecimento é que vem com o trabalho. Não acredito em sorte, nada acontece por acaso. Só de não precisar ficar trancado em um escritório, por exemplo, fazendo algo que não gosto, já é um sucesso! Sempre vivi da minha música, (às vezes melhor, às vezes não tão bem... rs..), mas nunca trabalhei com outra coisa.

Francinne - Pode nos contar um pouco dos seus planos e projetos futuros?
Heitor - Quero cada vez mais poder cantar minhas músicas, de meus parceiros ou músicas que me identifico e que queira passar ao público de meu jeito. Já penso sempre no meu próximo disco e um modo de viabilizá-lo. E quero levar o show do CD "um Branquinho e um violão" a muitos lugares, pois é um show muito intimista e gostoso de fazer. Componho bastante também, tenho vontade de ouvir minhas músicas gravadas por outras pessoas.

Francinne - Que tal uma dica, para quem quer seguir a carreira de músico?
Heitor - Acredite sempre e exteriorize sempre a verdade. Quando a gente acredita no que existe dentro da gente com a maior intensidade, não tem como dar errado. É só trabalhar e o tempo se encarrega do resto.

Francinne - O sentimento mais lindo do mundo é:
Heitor - O Amor (não da forma banal, mas o sentimento pleno)

Francinne - Um recado para os leitores do Cifras...
Heitor - Mesmo os bares não pagando ECAD, toquem minhas músicas! Rs... Estudem música, sem deixar a técnica ultrapassar os sentimentos. E tudo de bão!

Francinne - Obrigada pela entrevista!!!
Heitor - Por nada!


Saiba mais sobre o músico:

BRANQUINHO Natural de Três Pontas, berço de ícones da música brasileira como Milton Nascimento e Wagner Tiso, Heitor Branquinho, 24 anos, tem se destacado em sua recente trajetória musical como cantor, compositor e multi-instrumentista. Formado nos bares da vida, Heitor iniciou sua carreira profissional como baixista, aos 15 anos, tocando no Sul de Minas, de onde seu trabalho partiu para grandes capitais em apresentações em Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Em seu primeiro CD independente, intitulado deu branco..., lançado em 2004, começou a se destacar também como compositor – o trabalho tem sete músicas de sua autoria e três parcerias. Em março de 2005, cantou o jingle para a campanha publicitária do Governo do Estado, criada pela Tom Comunicação, que divulgou o turismo em Minas Gerais, com veiculação nacional e internacional em televisão e cinema. Participou da gravação do videoclipe da música "Paciência" (Lenine/Dudu Falcão), com Milton Nascimento, Lenine e músicos trespontanos. O clipe está no DVD Pietá, de Milton Nascimento, lançado em novembro de 2006 com show no Canecão (RJ) e que recebeu o prêmio TIM de melhor DVD em 2007. Na faixa ele canta e toca violão. No final de 2006 se juntou ao Grupo Änïmä Minas, formado para se apresentar nos eventos de lançamento do livro Travessia - A vida de Milton Nascimento (Editora Record), de Maria Dolores. A banda apresentou releituras de clássicos de Bituca (como Milton é conhecido) em cidades como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Três Pontas e São Paulo, além de participar de programas de TV. Neste ano está lançando seu segundo CD independente, chamado "um Branquinho e um violão". A obra foi gravada ao vivo em sua terra natal e conta com a participação especial de Milton Nascimento em duas músicas. O álbum tem ainda uma faixa bônus remix produzida pelo DJ Marcelinho da Lua.


Site oficial, MySpace e blog de Heitor Branquinho

Confira essa e outras entrevistas no site e no blog da jornalista Francinne Amarante

Foto: Divulgação

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