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Ex-baixista morto detona integrantes da Legião Urbana em entrevista de 2002

2/24/2015 9:55:08 AM
Ex-baixista morto detona integrantes da Legião Urbana em entrevista de 2002Renato Rocha (dir.) dispara ofensas a integrantes da Legião Urbana (Divulgação)
Encontrado morto em um hotel no litoral de São Paulo na manhã deste domingo (22), o músico Renato Rocha, ex-baixista da Legião Urbana, não integrava a banda que o consagrou desde o fim da década de 1980.


De acordo com entrevistas anteriores concedidas pelo guitarrista Dado Villa-Lobos e pelo baterista Marcelo Bonfá, Renato Rocha teria sido convidado a se retirar da banda em função dos abusos químicos, que estariam comprometendo o cumprimento da agenda profissional da Legião Urbana. O vício teria sido o principal motivo pelo qual Rocha passou parte de seus últimos anos como morador de rua. Antes de falecer, o baixista estava em tratamento, em uma clínica de reabilitação de Cotia, São Paulo.

A relação entre Renato Rocha e os demais integrantes da Legião Urbana não era boa. Ao menos é o que mostra a entrevista que Luiz Cesar Pimentel fez com o músico em 2002, quando ele ainda tinha uma boa situação financeira. Rocha criticou todos os integrantes e até mesmo o cenário rock/punk da década de 1980. "(Ele) estava realmente doidão, mas menos do que quando foi morar na rua, uns 9, 10 anos depois", disse o jornalista, antes de reproduzir o bate-papo com o ex-baixista em seu blog.

Confira a entrevista de Luiz Cesar Pimentel com Renato Rocha, feita para a revista Zero, em 2002 (aviso: alguns trechos podem conter falas subversivas):

ZERO: Você era da turma dos Skinheads, não?

RENATO ROCHA: Quando o punk começou a acabar, sobrou muito gayzola, muito playboy que se dizia punk. Eram aqueles caras que compravam calças Fiorucci, desfiavam e falavam que eram punks. Aí resolvemos ser cabeça raspada. A gente era uma equipe do terror, pra diferenciar dos punkzinhos gays.

ZERO: Quem eram punkzinho gay?

R.R: Os lambe-lambes (risos)

ZERO: Que a gente conhece, quem era?

R.R: Os dois lá, o Dado e o Bonfá, o Dinho [Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial], Philipe Seabra [vocalista e guitarrista do Plebe Rude], essa turma.

ZERO: Por que lambe-lambes?

R.R: Porque não faziam nada. Chegavam nas festas e ficavam bodeados num canto. Gostavam de Bauhaus e PIL. Eram fracassados. Os carecas chegavam chutando o teto.

ZERO: Qual foi seu primeiro contato com o Renato e o resto da banda?

R.R: Ah, a gente andava numa turma, ia pras festas. Tinha uma época que tinha umas cinco festas por noite. Festas de detonar, de barão. Pó, maconha à vontade. E não aparecia ninguém pra encher o saco. O mais fraco ali tinha seis Rolls Royces na garagem. Quem ia ter coragem de entrar pra dar uma geral?

ZERO: Como você entrou para a Legião?

R.R: Renato tinha cortado os pulsos em Brasília, estava na pré-produção do primeiro disco. Como ele tocava baixo, precisava de alguém para o lugar dele. Eu sabia todas as músicas, as letras. Entrei quatro dias antes do início das gravações. Acabamos virando a maior banda do Brasil.
Mas quando ficou cheio de grana, o Renato não queria fazer mais nada. Ficou muito chato, alcoólatra. Aí ele começou a chutar todo mundo, tratava todo mundo muito mal.

ZERO: Quando foi isso?

R.R: Foi no final dos 80. Ele tava inacreditável, tomou varias overdoses.

ZERO: Ele já não gostava de fazer shows?

R.R: Depois de encher o c* de grana, só gostava de encher a cara.

ZERO: Vocês eram amigos?

R.R: Não. A gente era conhecido. Amigo, não. A partir do momento em que o cara só se preocupa com ele mesmo... só ele tem dor de cabeça, só ele tem exaqueca, só ele tem problemas...

ZERO: Qual era o seu papel na banda? Você era apaziguador ou só chegava e tocava?

R.R : Eu fumava meu baseado inocente, tomava minha dose de uísque e ficava pensando: "cara, eu estou fazendo a melhor coisa do mundo: ganhando grana pra fazer música, e neguinho fica aí se lamentando à toa, reclamando do bife". Eu aproveitei minha fase rock. Os caras não tinham atitude roqueira, não falava com a galera, esnobavam os fãs. Pra mim ficar na Legião era um sacrificio.

ZERO: Por que você acha que eles se sustentaram como banda tanto tempo?

R.R: O Renato gostava de homem bonitinho e chamou o Marcelo Bonfá e o Dado pra tocar. O Dado só entrou porque o Renato queria o nome Villa-Lobos na banda. Aí ele ensinou o Dado a tocar. E o Bonfá era um pilha fraca, não aguentava tocar um show inteiro, não ensaiava, não treinava, não malhava, não comia, era um merda. Saía com a namorada, não queria pagar a conta e a menina pagava. Queria fumar um baseado mas não apertava, eu é que tinha que apertar. Folgado e mão-de-vaca. É um cara muito babaca, nem a mulher dele aguenta ele. Era uma agonia, pois o cara não sabia tocar nada.

ZERO: E como foi sua vida depois da banda?

R.R: Eu tive uma fase ruim, fiquei em baixa. Namorei uma mulher errada e minha vida degringolou. Era uma mulher que só queria sacanear. Tipo Cleopatra. Fiquei muito alcoólatra, muito louco, tomava tudo.

ZERO: Mas o Dado dizia que você já detonava antes de sair da banda.

R.R: O problema do Dado é que ele não sabe nem escolher a roupa que vai vestir. A mulher dele é quem escolhe. Ele não sabe tocar, não tem personalidade própria. Ele é tão bundão que podia ter impedido minha saída. A gente ia para o mundo inteiro. Iamos pra Europa, ele bundou pra mulher dele. A mulher queria ter um filho e prendeu ele aqui. Ele botou pilha pra gente não gravar fora.

ZERO: Foi depois do terceiro disco?

R.R: Foi. A gente ia gravar em Portugal. Estava tudo certo. A Legião ia arrebentar e ele bundou. Ficou com medo da Fernanda. A mulher amarrava um lacinho no pescoço dele e ele saia na rua assim. Não representa nada para o rock brasileiro. Representa o gosto do Renato. E aí? Vai dizer que uma bicha daquelas era roqueiro? Em vez de comprar uma moto comprava uma lambreta. E ainda andava de lencinho. Como um cara desses pode dizer que é punk? Eu saía, ia nas favelas, cheirava pó, ficava nas quebradas, pegava as putas. Ai o cara dizia que eu estava aloprando. Ele é que não aguentava a pressão. Eu pegava as gatas e passava na frente dele, o cara ficava com aquela carinha de bunda.

ZERO: Desde sempre eles tiveram essa atitude na banda?

R.R: Eu fiquei puto porque era um bando de cuzão com uma oportunidade de ouro nas mãos. Todo mundo falando bem pra caralho. Minha maior frustração é isso cara. Um cara do gabarito do David Byrne falando das possibilidades de sermos o maior sucesso do mundo e dois playboyzinhos babacas sacaneando.

ZERO: Foi o David Byrne que ofereceu a oportunidade de vocês gravarem lá fora?

R.R: Não, foi a gente que conseguiu. Éramos a melhor banda de rock n roll do Brasil. Éramos.

ZERO: E você achava isso na época?

R.R: Eu achava uma das melhores do mundo. O Renato sabia cantar todas aquelas letras maravilhosas em inglês. O disco ia arrebentar. A gente ia ser o U2 e o Dado não deixou. Ou melhor, a mulher do Dado.

ZERO: Ele (R. Russo) tinha uma atitude homosexual dentro da banda?

R.R: Tinha. Sempre teve. Pirava, ia lá e dava para o roadie Mas é aquela história. Se o cara tem muito poder, ninguém fala a verdade.

ZERO: A Legião perdeu a atitude rock com a sua saída?

R.R: Cara, rock exige uma certa agressividade. Rock não é para playboyzinho pasmo, tchutchuquinha. Dado tomava um copo de uisque e ficava bêbado. A Cracatoa Vermelha nem bebe.

ZERO: Quem é a Cracatoa Vermelha?

R.R: Bonfá (risos).

ZERO: Quando foi a última vez que você falou com ele?

R.R:Foi na gravação de Uma outra estação. Ele virou pra mim e disse: "eu estou igual a você". Pensei: "puta m*rda, f*deu" (risos).

ZERO: E o Dado?

R.R: Foi uma vez no ATL Hall. ELE pegou meu braço e disse: "Não fala mal de mim na imprensa não". Eu fiquei só rindo, porque o filho dele tava todo preocupado, com medo de eu dar porrada nele. O moleque ficava falando "pai, vamos embora".

ZERO: Você ainda voltou pra gravar esse disco póstumo (R. Rocha participou da faixa da gravação instrumental da faixa Riding Song, que foi sobre posta a uma gravação dos 4 integrantes feitas durante as gravações do disco Dois).

R.R: Gravei cara. Infelizmente eu gravei. Ganhei um barão [R$ 1000]. Aquele cara me ridicularizou. Mas eu estava precisando de grana.

ZERO: Você gastou toda a grana que ganhou na Legião?

R.R: Não, eu comprei carro, moto. Depois vendi tudo. E eu não ganhei tanta grana assim.

ZERO: Você foi ao enterro do Renato?

R.R: Não fui porque não sou cretino. Mas um dia passei com a minha namorada e a mãe do Renato estava no Burle Marx pra jogar as cinzas. Aí o pneu da moto furou bem na frente. Eu falei: "c*r*lho, Manfredo (Renato Russo), solta do meu pé". Mas eu sempre gostei do Manfredo, ele sempre foi uma pessoa muito sincera, só que ele se f*deu, cara, porque ficou com dois babacas.

ZERO: Quando você falou com Renato Russo pela última vez?

R.R: Falei pelo interfone. Ele não quís me atender. Toquei na casa dele e ele respondeu que estava de ressaca.

ZERO: O que você queria com ele?

R.R: Ah, sei lá. Perguntar como ele tava. Ele alucinava, tomava todas e subia na mesa, (...)Cansei de levar ele doidaço, babando no taxi. Mas aí como ele era mentor da banda e da juventude brasileira, mascaravam esse comportamento. (...)

ZERO: Como foi que você saiu da banda?

R.R: O Renato Russo saiu do elevador e falou: "Você está fora da minha banda". A gente ia assinar o contrato do Quatro Estações. Estavamos no prédio da EMI. Aí eu falei pra ele: "Cara, se você me apontar o dedo eu torço seu braço". Fiquei na minha, puto, mas sabia que não era uma coisa do Renato. que era coisa dos dois perobinhas. O maior castigo é ter grana e não ser feliz. Eu tenho e sou feliz.

ZERO: Parou com as drogas?

R.R: Fumo meu baseado, tomo umas bebidas.

ZERO: E a Legião ainda dá grana?

R.R: Não, dá uma miséria. Menos de mil reais por mês. Só que conversar com eles é tentar tirar leite de pedra. Eles são brancos, eu sou pele-vermelha.

ZERO: Já pensou em se candidatar a algum cargo público?

R.R: Opa, já. Prefeito de Mendes. O grande lance é entrar no esquema e não ser corrompido por ele. Como eu entrei na Legião e não fui corrompido.



Por Igor Miranda

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