50 anos de Rick Allen, o baterista que perdeu um braço mas continuou tocando

(Foto: Getty Images)

Há 50 anos, nascia Richard John Cyril Allen, em Dronfield, Inglaterra. Sua trajetória tinha tudo para ser bem comum – até porque, como baterista, não era um grande virtuoso ou extremamente habilidoso. Mesmo tendo começado a tocar profissionalmente aos 15 anos, não era excepcional.

Mas um fato mudou sua vida. Rick Allen integrou o Def Leppard a partir de 1978 e gravou três álbuns com a banda até o ano de 1984 – o primeiro, ele registrou com apenas 17 anos. O último, “Pyromania”, de 1983, fez grande sucesso e levou o nome do grupo para fora da Inglaterra em definitivo.

Com o sucesso, vieram os excessos. Na época, Allen estava envolvido diretamente com o abuso de álcool. Outro excesso, no entanto, custou uma parte de seu corpo: o de velocidade. Na última noite do ano de 1984, Rick dirigia um carro e estava à caminho da cidade inglesa de Sheffield para passar a virada do ano com seus pais.

Durante o percurso, Allen foi ultrapassado por um carro e tentou ultrapassá-lo de volta repetidas vezes, mas não conseguiu. Durante uma das tentativas, ele perdeu o controle de seu carro em uma curva, que capotou. Ele foi arremessado para fora do carro e o cinto de segurança, mal colocado, arrancou seu braço esquerdo. Sua namorada à época, Miriam Barendsen, estava no carro e ficou presa nas ferragens, mas teve ferimentos leves.

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O braço foi reimplantado, mas não foi bem aceito por conta das infecções. Allen, baterista, estava sem um braço. Parecia o fim de sua carreira. No aguardo de uma definição, o Def Leppard se comprometeu, por ter que dar uma pausa em suas atividades logo em seu momento de explosão. O grupo interrompeu os planos e cancelou os shows agendados, como uma apresentação no Rock In Rio de 1985, que gerou uma substituição pelo Whitesnake.

Os músicos não aceitaram colocar outro baterista no lugar de Allen. E nem o próprio quis parar de tocar. Após seis meses de recuperação, Rick se adaptou à sua nova realidade e solicitou a produção de uma bateria que pudesse ser tocada com apenas um braço, sendo conduzida majoritariamente pelos pés.

Rick Allen seguiu seu sonho e conseguiu. O Def Leppard voltou, em 1987, com um álbum que vendeu muito mais que seu antecessor: o multi-platinado “Hysteria”. A partir daí, o Leppard se consolidou de vez como uma das bandas de rock mais populares da Inglaterra. E continuam em atividade, com Allen no comando da bateria.

Exemplo de perseverança e de dedicação, Allen completa meio século de vida com muitos méritos, além de quebrar vários paradigmas. O próprio vocalista do Def Leppard, Joe Elliot, admite: ele toca melhor com um braço do que com dois. Vida longa para Rick Allen!

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Opiniões, curiosidades, resenhas, listas e sobre todos os tipos de música são o foco desta coluna, comandada por Igor Miranda, jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical. Contato: [email protected]