Arctic Monkeys não soube utilizar multi-influências e se perdeu em “AM”

(Foto: Reprodução)

Arctic Monkeys: “AM” [2013]

A expectativa por um novo trabalho do Arctic Monkeys é sempre muito grande. Trata-se de uma das bandas que colocaram o rock alternativo de cabeça para baixo nos últimos tempos. O gênero, estagnado pela monotonia dos Strokes, viu esperanças criativas nos Monkeys.

“AM”, quinto álbum do Arctic Monkeys, foi lançado no início do mês de setembro e parece jogar fora toda a “fome de mundo” que os Monkeys um dia tiveram. Logo no momento em que o líder Alex Turner estava, aparentemente, “faminto por mundo”, ao dizer em entrevistas que o grupo teve, neste disco, influências variadas de rock psicodélico, blues rock, R&B, soul e hip hop. O músico cita de Black Sabbath até Aaliyah como divisores de água no disco. No entanto, a banda parece se perder ao tentar colocar tantas influências em um mesmo trabalho e acaba soando repetitiva em diversas faixas.

“Do I Wanna Know?” abre o álbum de forma sorrateira. Nessa canção, não há sobra alguma do passado do Arctic Monkeys, representado nos dois primeiros trabalhos. E nem parece que haverá pelo disco. A música tem batida contagiante e é comandada por um bom riff, mas ritmo calmo. Calmo até demais para uma abertura, mas a música é boa. “R U Mine?” é um pouco mais acelerada. O peso do instrumental destaca a faixa, que parece ter uma proveitosa influência do stoner rock.

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“One For The Road”, que conta com a participação do excelente Josh Homme (Queens Of The Stone Age) nos vocais de apoio, tem o peso do stoner em sua construção melódica misturado com a orientação pop das linhas vocais. A batida é calma, assim como na faixa de abertura. Mas essa faixa é mais entediante, por falta de mudanças em seu decorrer. Um pouco previsível. “Arabella” começa bem parecida com a anterior, mas tem momentos de guitarra distorcida que a salvam do marasmo. Talvez a única música que lembre o tão citado (em críticas e por Alex Turner) Black Sabbath por aqui, durante meio minuto e olhe lá. O destaque para o baixo de Nick O´Malley também é interessante.

“I Want It All” é bem classic rock – com direito a palminhas. Os vocais agudos em falsete no apoio, misturados com o riff intragável, lembram o Queens Of The Stone Age. Bom solo de guitarra. Falta um refrão marcante. Caso tivesse, seria uma das melhores do álbum. “No. 1 Party Anthem” desacelera o ritmo do trabalho, que já não é lá dos mais animados. Mas é uma balada legalzinha. Tem um “quê” de psicodelia, com bom uso de teclados ao fundo, piano e violões. “Mad Sounds” mantém a mesma proposta da faixa anterior e também é boa.

“Fireside” é mais orientada para o folk, seja pela tonalidade, pelos violões ou pela batida. Os teclados novamente se fazem mais presentes. “Why´d You Only Call Me When You´re High?”, de videoclipe interessante, é uma boa música para singles, principalmente pela boa interpretação vocal de Alex Turner. Mas não se destaca do geral.

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“Snap Out Of It” tem boa batida, construção rítmica contagiante e refrão bem construído. Mas já perto do final do álbum, o pensamento é: “quando é que vai chegar aquela música explosiva, digna de todo bom trabalho que não seja de música ambiente”? Não chega. Novamente com participação de Josh Homme, “Knee Socks” é boa, mas ainda mantém a calmaria. “I Wanna Be Yours” é dispensável a ponto de ser música para botar bebê para dormir.

O momento mais explosivo de “AM” é a segunda música. Depois disso, o trabalho parece não se desenvolver. Fica preso àquele padrão calmo imposto de início. Mesmo que a proposta seja um disco mais tranquilo: que não soe como repeteco, então. Os críticos, é claro, adoraram, pois supostamente tem influências psicodélicas, progressivas e de Black Sabbath. Mas não há nada disso de verdade, como influência propriamente dita.

Os fãs mais ferrenhos obviamente gostaram de “AM”, pois já apreciam a banda e compreendem seu conceito. Mas não é o tipo de álbum recomendado para se começar a ouvir Arctic Monkeys. E nem de longe é o seu trabalho definitivo. A estreia icônica “Whatever People Say I Am, That´s What I´m Not”, de 2006, permanece como a referência do quarteto britânico sob meu ponto de vista.

Alex Turner (vocal, guitarra, guitarra de doze cordas em 1)

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Jamie Cook (guitarra)

Nick O´Malley (baixo)

Matt Helders (bateria)

Músicos adicionais:

Josh Homme (vocal adicional em 3 e 11)

Bill Ryder-Jones (guitarra adicional em 8)

Pete Thomas (bateria adicional em 7)

Tom Noakes (piano em 6 e bateria eletrônica em 12)

https://www.youtube.com/watch?v=JoKd98AslF4

1. Do I Wanna Know?

2. R U Mine?

3. One for the Road

4. Arabella

5. I Want It All

6. No. 1 Party Anthem

7. Mad Sounds

8. Fireside

9. Why´d You Only Call Me When You´re High?

10. Snap Out of It

11. Knee Socks

12. I Wanna Be Yours

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Opiniões, curiosidades, resenhas, listas e sobre todos os tipos de música são o foco desta coluna, comandada por Igor Miranda, jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical. Contato: [email protected]