Black Sabbath corresponde expectativas com “13”

(Black Sabbath: “13” [2013]) Uma das bandas mais lendárias do heavy metal está, oficial e finalmente, de volta. “13” marca a volta dos trabalhos com o trio Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler. A reunião do Black Sabbath deveria também envolver Bill Ward, mas o baterista acabou ficando de fora por conta de uma série de desavenças internas, que envolvem desde dinheiro até capacidade física para tocar.

O competente Brad Wilk (Rage Against The Machine, Audioslave) foi convidado para substituir Ward e correspondeu muito bem. A produção de Rick Rubin era a minha única preocupação, pois o talento dos músicos já é conhecido. Colabora o fato de eu não ser muito fã do trabalho desse produtor. Mas devo admitir que ele soube trabalhar com o Sabbath, sem propor mudanças mirabolantes. “13” trouxe o que deveria trazer.

“End Of The Beginning” tem início climático e inicialmente lembra muito a canção “Black Sabbath”, que dá nome à banda e ao disco que está presente. Tem um bom riff a partir do 2° minuto e uma exibição digníssima de Tony Iommi, além de mostrar que Brad Wilk não está brincando em serviço. “God Is Dead?”, primeiro single do registro, demora muito a engrenar. Fica legal a partir da segunda metade e tem performance exuberante de Geezer Butler. Mas é uma das canções mais fracas.

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“Loner” traz o entrosamento infalível de Iommi e Butler, com interpretação raivosa de Ozzy Osbourne. Os melhores riffs do disco estão aqui. “Zeitgeist” é um dos destaques. Balada climática, guiada por violões, vocais editados, baixo solidário e percussão muito bem colocada. “Age Of Reason” traz Sabbath em sua essência, com visceralidade e guitarras em destaque. Mas apresenta também o bom toque dado por Wilk na bateria. A sua presença é pra lá de acertada nesse disco.

https://www.youtube.com/watch?v=2dIaskgOd3Y

A climática “Live Forever” carrega um pouco de desespero. Não apenas pelos vocais de Osbourne, mas pelo próprio clima criado com o instrumental, sobretudo pela dupla Iommi/Butler. A arrastada “Damaged Soul”, a minha predileta, traz um pouco de Blues e tem a transmissão da inspiração de Tony Iommi em seis cordas. Além disso, conta com um solo de gaita desonestamente ótimo.

“Dear Father” fecha o disco com o mesmo desespero citado em “Live Forever”, mas de forma mais acentuada ainda. Doom em sua essência. Vale ainda destacar as ótimas faixas bônus, que são “Methademic”, “Peace Of Mind” e “Pariah”. Seguem o padrão do registro.

A expectativa imensa sobre “13”, em meu ver, foi correspondida. O trabalho foi muito recebido por fãs e crítica até o momento. A maioria daqueles que não gostaram, aparentemente não são fãs de Black Sabbath, pois o grupo fez o dever de casa. Trouxe alguns pontos adicionais, como um peso distinto e maior destaque a Geezer Butler, além de não ter apenas mastigado o passado (como faz o Iron Maiden). Mas sem inovações drásticas, ainda bem. Até porque, para o Sabbath, não é hora para isso.

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Ozzy Osbourne (vocal)

Tony Iommi (guitarra)

Geezer Butler (baixo)

Músico adicional:

Brad Wilk (bateria)

01. End Of The Beginning

02. God Is Dead?

03. Loner

04. Zeitgeist

05. Age Of Reason

06. Live Forever

07. Damaged Soul

08. Dear Father

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Opiniões, curiosidades, resenhas, listas e sobre todos os tipos de música são o foco desta coluna, comandada por Igor Miranda, jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical. Contato: [email protected]