Breve renascimento: 30 anos de "Born Again", do Black Sabbath - Revista Cifras

Breve renascimento: 30 anos de “Born Again”, do Black Sabbath

Lançado há exatos 30 anos, o 11° disco da carreira do Black Sabbath, “Born Again”, pode ser resumido como um “clássico injustiçado”. A fama desse álbum, praticamente, está relacionada ao dream team que o gravou: a formação original do Sabbath unida ao lendário vocalista do Deep Purple, Ian Gillan, e ao multi-instrumentista Geoff Nicholls nos teclados, que merece menções honrosas pelo bom trabalho.

Inicialmente, Tony Iommi queria que David Coverdale (Whitesnake) integrasse o grupo, todavia Coverdale já estava bem ocupado com seu próprio grupo, que se tornava cada vez mais popular. Dessa forma, Gillan foi convocado após uma conversa “alegre” em um bar com Iommi e Geezer Butler, visto que as coisas não estavam bem nem para o Sabbath, que havia perdido Ronnie James Dio e Vinny Appice, nem para Ian Gillan que, apesar da boa carreira solo, teve que cessá-la pelas baixas vendas. Para completar a formação, Bill Ward foi chamado para retornar à banda.

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https://www.youtube.com/watch?v=y8JjHfFHctM

“Born Again” foi lançado e as vendagens logo de cara foram boas: 4° lugar nas paradas inglesas e 39° nas americanas. Mas o declínio veio pouco tempo após o lançamento. As vendas caíram e Gillan não foi bem aceito pelos fãs mais saudosistas durante a turnê, já que o mesmo impôs suas características hard rockers ao metal do Sabbath, principalmente enquanto reproduzia canções de Ozzy Osbourne.

Ward saiu logo antes dos shows começarem, sendo substituído pelo competente Bev Bevan (ELO). A gota d’água para muitos fãs foi a inclusão de “Smoke On The Water”, clássico do Deep Purple, no repertório. Como todos já estavam infelizes, a saída de Ian Gillan foi óbvia.

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O que faz de “Born Again” um álbum criticado, creio eu, seja toda a expectativa criada sobre o mesmo, principalmente por contar com a participação de Gillan, além de muitos não gostarem do seu timbre de voz mais ligado ao hard rock.

Mas considero a performance de Ian completamente perturbadora e macabra no disco (ou seja, completamente adequada e com saldo altamente positivo), bem como em seus subseqüentes concertos. É dessa forma que se deve fazer em um trabalho do Black Sabbath. Unindo isso à boa fase de todos os outros instrumentistas, principalmente de Iommi e Butler, não há nada mais a se esperar do que um baita discão, que deixa muitos outros trabalhos dos envolvidos no chinelo.

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Recomendo uma audição minunciosa de “Born Again” àqueles que não encontraram a magnitude desse álbum, esquecendo dos preconceitos e simplesmente acompanhando pauladas metálicas como “Digital Bitch”, “Disturbing The Priest” e “Zero The Hero”, além da belíssima faixa que dá nome ao disco, e das verdadeiras pérolas “Trashed” e “Hot Line”.

https://www.youtube.com/watch?v=W8Nfj8wk-0Y

Ian Gillan – vocal

Tony Iommi – guitarra

Geezer Butler – baixo

Bill Ward – bateria

Geoff Nicholls – teclados

01. Trashed

02. Stonehenge

03. Disturbing The Priest

04. The Dark

05. Zero The Hero

06. Digital Bitch

07. Born Again

08. Hot Line

09. Keep It Warm

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