Deep Purple: 40 anos de "Burn" - Revista Cifras

Deep Purple: 40 anos de “Burn”

(Foto: Reprodução)

Deep Purple – “Burn”

Lançado em 15 de fevereiro de 1974

Neste final de semana, o meu disco predileto do Deep Purple, uma das bandas mais importantes do rock, completou 40 anos de lançamento. E a história é curiosa. No ano anterior, 1973, a situação do grupo era completamente diferente. Estilo, pegada e integrantes.

Em 1973, o Deep Purple ia muito bem. No auge da formação clássica, o grupo já havia dominado o mundo com um rock divertido, pesado e levemente psicodélico. Mas todos foram surpreendidos com a notícia de que o vocalista Ian Gillan, após muitos desentendimentos com o guitarrista Ritchie Blackmore, sairia da banda. Com ele, também foi o baixista Roger Glover, após o mesmo descobrir que os remanescentes queriam despedí-lo.

David Coverdale (vocal) e Glenn Hughes (baixo e vocal) ocuparam as vagas. Inicialmente, apenas Hughes seria convocado e permaneceria como cantor principal, mas os caras optaram por ter um frontman. Para quem conhece um pouco de hard rock, esses nomes não são nem um pouco desconhecidos, apesar de que, antes disso, eram. Coverdale é, desde o fim do Purple em 1976, o líder do Whitesnake. Hughes, que já era um pouco famoso, participou do Trapeze e posteriormente integrou Black Sabbath, Black Country Communion e muitos outros projetos, além de uma prolífica carreira solo.

Veja também:  Dia Mundial do Rock: entenda origem de data comemorativa

https://www.youtube.com/watch?v=bMUJkauJ-mM

Com as mudanças e a liberdade de composição entregue aos novatos, era de se esperar que a sonoridade sofresse mudanças. Coverdale e Hughes eram muito influenciados por blues e soul music, logo, suas composições inseriam mais pegada e boogie, sem perder o peso, mas se distanciando um pouco do hard/metal. Jon Lord e Ian Paice conciliaram bem as mudanças, mas Blackmore demorou pra se acostumar com tudo. Ironicamente, considero as guitarras desse álbum excelentes, com várias das melhores linhas já compostas pelo excêntrico músico.

“Burn” demorou um mês para ser gravado. A banda saiu da estrada em julho de 1973 e, em três meses, conseguiu encontrar os músicos, compor as canções do disco (isso foi realizado em duas semanas apenas) e gravar este que é um dos maiores clássicos do hard rock. Apesar de apenas oito faixas, o play não precisa mais do que isso para mostrar ao mundo o poder desses caras.

Tudo começa com um genial riff de Ritchie Blackmore abrindo a faixa título com muita energia. A canção, que já se tornou um hino rocker logo de cara, conta com uma performance incrível de todos os integrantes: guitarras fantásticas, baixo bem colocado, bateria furiosa, teclados frenéticos e vozes (tanto de Coverdale quanto de Hughes) simplesmente fantásticas.

Veja também:  5 brasileiros que cantaram no "The Voice" de outros países

https://www.youtube.com/watch?v=nMtQ5qJBZqg

A cativante “Might Just Take Your Life” destaca Jon Lord e Glenn Hughes. O riff nos teclados ganha espaço e segue a música que, além de contar com a grande voz de David, tem uma performance incrível de Glenn Hughes, que arregaça em um dueto com si mesmo, em tons de voz diferentes. “Lay Down, Stay Down”, em compensação, coloca Ian Paice em destaque, com uma bateria muito bem tocada. Além disso, há uma divisão vocal incrível entre Coverdale e Hughes que, quando não revezam estrofes, cantam em uníssono. A guitarra de Ritchie Blackmore está excelente, por sinal, com ótimos riffs e belos solos.

“Sail Away”, um pouco mais calma, é repleta de groove, com instrumental rebuscado e, novamente, divisão vocal belíssima. “You Fool No One” mantém a pegada diferenciada, mas com mais agilidade e força, com menções honrosas às vozes de Glenn e às guitarras frenéticas de Blackmore. O frenezzi descamba em “What´s Goin´ On Here”, um digno blues de boteco norte-americano, com direito a órgão Hammond e frases de guitarra e baixo bem criativas.

Veja também:  Line-up oficial do Monsters Of Rock é anunciada

O álbum chega ao fim em grande estilo. A melancólica “Mistreated” entra com desempenho emocionante de David Coverdale, além de guitarras e teclados harmonizados, solos belíssimos e cozinha bastante cuidadosa. O instrumental “A 200” fecha o disco com Jon Lord e Ritchie Blackmore brilhando mais do que nunca.

“Burn” divide opiniões. Há quem não concorde com o direcionamento que a banda tomou após a saída de Gillan e Glover. Mas é inegável a importância desse play, em vários aspectos e contextos históricos. Além de ter dado holofotes a David Coverdale e Glenn Hughes, dois talentos que contribuiriam muito para o rock no futuro, vale lembrar que o Deep Purple estava com baixos números de vendas com o antecessor, “Who Do We Think We Are”. Os números apenas atestam o que é fato: “Burn” fez muito bem ao Purple.

https://www.youtube.com/watch?v=tsO26Pgm6qI

David Coverdale (vocais)

Ritchie Blackmore (guitarra)

Glenn Hughes (baixo, vocais)

Jon Lord (teclados)

Ian Paice (bateria)

01. Burn

02. Might Just Take Your Life

03. Lay Down, Stay Down

04. Sail Away

05. You Fool No One

06. What´s Goin´ On Here

07. Mistreated

08. A 200

#comentários