Em “Fortress”, Alter Bridge garante trunfo por não alterar fórmula

(Foto: Divulgação)

A máxima “não se mexe em time que está ganhando” nunca foi tão legítima quanto no quarto álbum do Alter Bridge. Em um ponto da carreira que a banda busca se consolidar de vez no cenário do hard n heavy contemporâneo, o quarteto fez bem em não apostar em mudanças bruscas.

Não que “Fortress” apenas faça um “mexidão” do que já foi apresentado. O álbum tem momentos criativos, que dão identidade em relação aos antecessores. Mas a base sonora é a mesma: oscilação entre o pesado e melódico, com destaque para as guitarras de Mark Tremonti e os vocais agudos de Myles Kennedy. A cozinha de Brian Marshall e Scott Philips oferece sustentação, mas sem roubar a cena da dupla de frente.

A introdução acústica da música de abertura “Cry Of Achilles” engana. É uma paulada, com grande trabalho de guitarra e ótimo refrão. “Addicted To Pain” dá sequência com batida rápida e muito peso. “Bleed It Dry” cadencia o processo com destaque para a linha de bateria de Scott Philips.

Chega o momento da primeira balada, ponto forte do Alter Bridge. “Lover” tem interpretação vocal fantástica de Myles Kennedy, que quase sussurra nos versos. Bem climática: o verso é leve, a ponte cresce e o refrão pesa. “The Uninvited” é um pouco mais experimental pelo seu ritmo um pouco mais quebrado. Canção diferenciada.

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“Peace Is Broken” mostra que estamos diante de um dos grandes guitarristas surgidos após a década de 1980. Quem disse que não surgiu nenhum guitar hero depois do auge do hard rock e heavy metal, precisa conferir o que Mark Tremonti faz nessa canção. “Calm The Fire” tem nova demonstração do poder de voz de Myles Kennedy, seja pelo início cantado em falsete ou pelo desenrolar padronizado. Os teclados de fundo se destacam um pouco mais em alguns momentos, o que é ótimo e diferencia o panorama do álbum. Música distinta em rítmica e melodia. Uma das melhores do disco.

“Waters Rising” novamente destaca Mark Tremonti, seja pelo dedilhado absurdo de início, seja pelo seu vocal, que aqui assume a linha de frente. Tremonti é um bom vocalista. Poderia ter mais espaço na banda cantando, pois oferece bons graves, em contraponto aos agudos de Myles Kennedy. A paulada “Cry A River” destaca a cozinha de Brian Marshall e Scott Philips, que oferecem uma sustentação raramente vista no hard n heavy.

https://www.youtube.com/watch?v=Q84CdWr_jx4

“Farther Than The Sun” aplica cadência ao disco, com peso cavalar e visceral – com exceção do refrão, que é, como de praxe, bem melódico. “All Ends Well” é uma boa balada, bem melódica. Diferente das outras baladinhas, essa mantém o clima calmo durante todo seu andamento. O encerramento com a faixa título não tem como destaque as partes cantadas. O instrumental, em especial um momento no miolo da faixa em que os músicos resolvem demonstrar habilidades, é o trunfo.

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“Fortress” é um bom trabalho que coloca, mais uma vez, o nome do Alter Bridge em destaque, por sua consistência e regularidade no processo criativo. A banda se mantém poderosa como nos outros trabalhos. Sobram méritos para o quarteto.

Ouça “Fortress” completo no YouTube:

Myles Kennedy (vocal, guitarra)

Mark Tremonti (guitarra, vocal em “Waters Rising”, co-vocal em “Farther Than The Sun”)

Brian Marshall (baixo)

Scott Phillips (bateria)

01. Cry Of Achilles

02. Addicted To Pain

03. Bleed It Dry

04. Lover

05. The Uninvited

06. Peace Is Broken

07. Calm The Fire

08. Waters Rising

09. Cry A River

10. Farther Than The Sun

11. All Ends Well

12. Fortress

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Opiniões, curiosidades, resenhas, listas e sobre todos os tipos de música são o foco desta coluna, comandada por Igor Miranda, jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical. Contato: [email protected]