Guns N’ Roses: 26 anos de “Appetite For Destruction”

(Foto: Divulgação)

Não é uma mistura recomendada, mas a fusão entre drogas, mau comportamento, Punk e Hard Rock pode gerar um grande álbum. E gerou “Appetite For Destruction”, que é, simplesmente, o disco de estreia mais vendido da história da música e que, neste domingo, comemora 26 anos de lançamento (chegou às lojas em 21 de julho de 1987).

O Guns N Roses foi formado em meados de 1985 na cidade californiana de Los Angeles. O vocalista Axl Rose, decidido a montar uma banda que tivesse futuro, uniu forças com o guitarrista e amigo de infância Izzy Stradlin.

Após o projeto Hollywood Rose não ter dado muito certo, Rose e Stradlin se juntaram com os ex-integrantes do até então dissolvido L.A. Guns (o guitarrista Tracii Guns, o baixista Ole Beich e o baterista Robbie Gardner), surgindo, assim, o Guns N Roses. Tal formação fez apenas um show, com Duff McKagan substituindo Beich. Pouco tempo depois, os outros integrantes do L.A. Guns também deram no pé, permitindo que Slash e Steven Adler, ex-integrantes do Hollywood Rose, ocupassem o posto.

(Foto: Marc. S Canter/Getty Images)

A primeira turnê da nova banda foi marcada pelo uso abusivo de drogas e pelos empecilhos que surgiam com o passar do tempo. A van que transportava os músicos quebrou, que precisaram pedir carona. Dois dias depois conseguiram, acarretando em um atraso de compromissos com empresários e em cancelamento da turnê que estava marcada para o grupo.

Mesmo assim, os jovens músicos não desistiram e investiram tudo que tinham em “Live ?!*@ Like a Suicide”, um EP independente que teve tiragem bem limitada. Uma das cópias chegou aos chefões da Geffen Records, gravadora que apostou na trupe.

Prontos para estourar no mundo inteiro, gravaram um dos grandes clássicos do Rock N Roll, sem exageros. “Appetite For Destruction” chegou às prateleiras numa época em que Poison, Bon Jovi e Europe, bandas de “Pop Metal” com sonoridade adversa ao Guns N Roses, faziam sucesso no meio Rock.

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Também vale lembrar que, no geral, grupos Pop como U2 e Prince dominavam as paradas. O disco foi necessário para a época e, como o próprio nome diz, tem apetite pela destruição, permitindo que a agressividade e a selvageria tomassem conta dos seus aproximados 53 minutos de duração.

Tal agressividade já é saliente pela capa original, inspirada na ilustração de Robert Williams que leva o nome do álbum, retratando uma jovem com a roupa íntima nos joelhos, vítima de abuso sexual, em frente a um robô estuprador que seria punido por uma máquina “vingadora” logo acima. Mas a capa, rapidamente censurada, deu lugar à uma cruz com as caricaturas dos integrantes em forma de caveira.

Capa original e censurada (Foto: Divulgação)

A patifaria continua pelos caras terem feito algo novo até então ao aliar Hard Rock e Heavy Metal clássico ao Punk Rock, descambando em uma acentuada evolução da proposta que o Hanoi Rocks apresentou enquanto existiu e que o Mötley Crüe apresentou em seus dois primeiros lançamentos.

O instrumental se caracteriza por guitarras pesadas, baixo sólido e bem criativo, bateria marcante e solos repletos de feeling, enquanto a voz de Axl Rose dá um show à parte. As letras e o visual, também agressivos, impressionaram o público da época e atraíram mais fãs ainda. E tudo isso só podia resultar em sucesso inquestionável, visto que até hoje “Appetite For Destruction” é aclamado por fãs de Rock de toda a parte do mundo.

Já se nota que há algo de diferente ao começar da primeira canção, “Welcome To The Jungle”, pesada e agressiva como um bom hino do Rock deve ser. A mesma ganhou o primeiro vídeoclipe da banda, responsável por atrair o interesse dos telespectadores da MTV, mesmo sendo transmitido durante a madrugada. “It´s So Easy”, com uma letra excelente sobre putaria e uma cozinha de destaque, cai de vez para o Punk Rock, até por ser uma composição de Duff McKagan, fortemente influenciado por bandas como Sex Pistols e The Clash.

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“Nightrain” segue com um riff poderoso de guitarra, solos que dispensam comentários e um vocal inspiradíssimo de Axl, abordando álcool em sua temática. “Out Ta Get Me” mantém o peso e a selvageria com, novamente, menções honrosas às vozes de Rose, mas agora falando sobre os conflitos que o frontman tinha com a polícia. “Mr. Brownstone”, lançada como single apenas na Inglaterra, volta a falar de drogas, mas com uma pegada mais calcada no Blues e no Hard clássico de bandas como Aerosmith e The Rolling Stones – claro, com mais peso.

Em seguida, chega uma das músicas mais conhecidas do grupo: a ótima “Paradise City” começa calma, tem seu miolo pesado e, por fim, um fechamento apoteótico, rápido e berrado. A frenética sétima faixa do play, “My Michelle”, é uma canção biográfica de Michelle Young, amiga de Slash e Axl Rose, que pediu para que Rose fizesse uma música sobre ela. Axl, sem medo de ser sincero, apresentou à Young a letra e a mesma aprovou, saindo da vida autodestrutiva que vivia pouco depois.

A hardeira “Think About You”, composta por Izzy Stradlin, nunca recebeu a atenção que merecia nos concertos, tocada em poucos shows até hoje. Mas se é pra falar de músicas muito tocadas, a faixa seguinte, “Sweet Child O´Mine”, compensou a anterior por seus extensivos plays pelas rádios e MTV. O inconfundível riff eternizou a canção, que atingiu o primeiro lugar das paradas americanas e até hoje faz muito sucesso, sendo reconhecida até por quem não aprecia o bom e velho Rock N Roll.

“You´re Crazy”, originalmente acústica, ganhou uma versão pesada para o álbum, contém ótima letra e cozinha de destaque. Com o fim do play tem-se as sexuais “Anything Goes”, antiga canção do grupo calcada num Hard clássico de primeira, e “Rocket Queen”, que tem instrumental inspirado, próximo ao Heavy Metal, e é uma das prediletas da maioria dos fãs (inclusive eu). Vale destacar que esta tem uma parte com gemidos gravados durante uma tarde de sexo de Axl Rose com a “namorada” de Steven Adler, Adriana Smith, que se afundou nas drogas após ter sido revelada para a mídia como “a mulher dos gemidos de Rocket Queen”.

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“Appetite For Destruction”, como já dito anteriormente e já era de se esperar, foi um grande sucesso. Além de chegar ao topo das paradas americanas três vezes, alternadamente, à medida que seus singles arrebentavam e divulgavam mais ainda o grupo, estima-se que o álbum já tenha passado das 28 milhões de vendas por todo o mundo, sendo mais de 18 milhões dessas apenas na terra do Tio Sam (faturando disco de diamante por lá e no Canadá) e 6 milhões só na Argentina.

As vendas demoraram para se acelerar, até que o vídeo de “Welcome To The Jungle” fosse exibido na MTV (como retratado acima). A partir daí, caros amigos, todos já sabem da história de altos e baixos da banda mais perigosa do mundo. Com vocês, o ápice da história do Guns N Roses!

Axl Rose (vocal, sintetizadores em 6, percussão adicional)

Slash (guitarra solo e base, violão)

Izzy Stradlin (guitarra base, guitarra solo em 8)

Duff McKagan (baixo)

Steven Adler (bateria, percussão)

01. Welcome To The Jungle

02. It´s So Easy

03. Nightrain

04. Out Ta Get Me

05. Mr. Brownstone

06. Paradise City

07. My Michelle

08. Think About You

09. Sweet Child O´Mine

10. You´re Crazy

11. Anything Goes

12. Rocket Queen

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Opiniões, curiosidades, resenhas, listas e sobre todos os tipos de música são o foco desta coluna, comandada por Igor Miranda, jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical. Contato: [email protected]