Por que o Iron Maiden é tão famoso no Brasil?

Formada em 1975, a banda britânica Iron Maiden é uma das mais bem sucedidas na história do heavy metal, tendo vendido mais de 100 milhões de álbuns mundialmente. Com décadas de existência e mais de 15 álbuns lançados, o grupo tem uma base substancial de fãs. No Brasil, em especial, o sucesso do grupo é o que dá pra chamar de “uma coisa de louco”, com turnês lotadíssimas em estádios para as mais de 10 vezes em que se apresentaram por aqui.

Curiosamente, apesar do inegável sucesso, a popularidade do Iron Maiden no Brasil (e na América do Sul, como um todo) não se repete em outros continentes. Na América do Norte, por exemplo, eles costumam tocar em espaços menores, com capacidade para cerca de 15 mil pessoas, em média. E olha que estamos falando do maior mercado fonográfico do mundo!

O “caso de amor” do Iron Maiden com o Brasil começou faz tempo: em 11 de janeiro de 1985, quando o grupo se apresentou pela primeira vez no Rock in Rio. Agora, 34 anos depois (e com duas passagens pelo festival nesse meio tempo), o Iron Maiden volta ao evento como headliner do ‘Dia do Metal’ na edição de 2019. Scorpions, Helloween e Sepultura completam o line-up do dia 4 de outubro no Palco Mundo.

Só para se ter uma ideia: quando o Iron Maiden se apresenta no Brasil, a banda lota estádios em diversas cidades – coisa que pouquíssimos artistas já conseguiram e outras bandas de heavy metal nem sequer tentam. Toda essa popularidade se estende, ainda, para outros países da América no Sul. Um show no Chile neste ano, por exemplo, precisou ganhar data extra após os ingressos se esgotarem muito rapidamente.

O inegável sucesso do Iron Maiden no Brasil é facilmente visualizado em números de vendas: o álbum ‘Somewhere In Time’, de 1986, foi o primeiro a conseguir certificação de ouro em nosso país, vendendo milhares de cópias por aqui.

Mais tarde, em 2003, o álbum ‘Dance Of Death’ voltaria a quebrar o recorde e, daí por diante, todos os trabalhos lançados foram agraciados com disco de ouro. ‘The Final Frontier’, de 2010, foi além e abocanhou o certificado de platina (40 mil cópias).

O romance entre o Iron Maiden e o Brasil, além de tudo, é recíproco: o ex-vocalista Paul Di’Anno, por exemplo, morou em nosso país por algum tempo e, enquanto esteve aqui, montou até uma banda com colegas brasileiros, o Rockfellas. Outro ex-vocalista, Blaze Bayley, vive visitando as terras tupiniquins e, inclusive, tem turnê marcada por aqui em 2020.

Afinal, por que o Iron Maiden é tão famoso no Brasil?

1) Muitas passagens pelo país

Em 2019, o Iron Maiden traz para o Rock in Rio “o maior show que já fizemos”, segundo as palavras de Bruce Dickinson, atual vocalista da banda. A ‘Legacy Of The Beast Tour’ é, impressionantemente, a 12ª turnê (contando as duas passagens da ‘Somewhere Back In Time Tour’) que o grupo traz ao Brasil e isso já explica boa parte de tanta popularidade em nosso país. O show, que mistura clássicos dos anos 1980 com músicas mais recentes, também será levado a São Paulo e a Porto Alegre, após o festival.

Sobre a apresentação no primeiro Rock in Rio, em 1985, Dickinson relembra: “Havia mais gente do que eu jamais vi em um só lugar em toda a minha vida. Era uma atmosfera de um pouquinho de caos, talvez não tão organizado quanto a maioria dos festivais, mas isso o tornou melhor. Porque todo mundo estava tão entusiasmado e tão maluco que as coisas estavam acontecendo. Foi um momento fantástico”.

Naquela época, o Iron Maiden vivia seu auge com sua ‘World Slavery Tour’ – todos os headliners do Rock in Rio 1985 fizeram dois shows no evento, mas o Maiden só conseguiu cumprir uma data, pois estava para fazer uma tour bem badalada pelos Estados Unidos. Em um momento da história em que o país raramente recebia grupos internacionais, o primeiro dia do evento contou com mais de 300 mil pessoas.

De lá pra cá, o Iron Maiden já fez, ao todo, 34 shows em diversas cidades e estados do Brasil. Para o Rock in Rio, voltaram em 2001 (leia mais abaixo) e em 2013, quando dividiram o palco com estrelas do pop como Beyoncé e Justin Timberlake. O fato, no entanto, não assustou os membros da banda. “Nós somos um grupo grande o suficiente para fazer frente a qualquer grupo pop do mundo”, disse Bruce Dickinson.

A última passagem por aqui foi em 2016, com a ‘The Book Of Souls Tour’, em cinco cidades brasileiras.

2) Foco em shows e ‘abraço’ à pirataria

A revolução virtual, além da pirataria, foi uma facada no bolso de muita gente que trabalha com música – de artistas a gravadoras. O Iron Maiden, nadando contra a corrente de diversos músicos que tentaram combater essas formas de divulgação dos trabalhos, foi pelo caminho contrário. A banda vislumbrou futuro com as chegadas das tecnologias online e contra-atacou de maneiras diferentes.

Ao invés de tentar combater a pirataria a qualquer custo, o Iron Maiden investiu no que sabe fazer de melhor: shows ao vivo. Não é à toa que já trouxeram tantas turnês para o Brasil, assim como para diversos outros países. A questão é que a emoção de ver um ídolo ao vivo, em qualquer condição, jamais conseguirá ser superada pela pirataria virtual e a banda soube se aproveitar disso.

Nesse caminho, segundo inúmeras pesquisas já divulgadas, o Brasil é um dos maiores impulsionadores de fãs do mundo: nós somos o país que mais compartilha arquivos no planeta (e a maioria deles é ilegal!). O Iron Maiden foi esperto ao transformar os fãs que compartilham músicas gratuitamente na internet em fãs que compram ingressos para suas inúmeras apresentações.

Um relatório publicado em 2013 apontava para o fato de que a banda tinha mais fãs nas redes sociais e era mais pirateada em países que passaram mais frequentemente com suas turnês, incluindo o Brasil.

3) Visão empresarial

O sucesso do Iron Maiden vai muito além de apenas produzir boa música: a banda é muitíssimo bem gerenciada e possui uma visão empresarial que poucos artistas já alcançaram nessa vida.

Em 2013, por exemplo, a ‘Iron Maiden LLP’, companhia criada pelo grupo para gerenciar seus lucros, foi considerada uma das mais bem sucedidas empresas do Reino Unido na área musical.

Além disso, a banda lança diversos produtos licenciados. De cerveja a pinball, tem de tudo do Iron Maiden!

De maneira inovadora, a imagem da banda foi muito bem trabalhada com o passar dos anos, incluindo a criação do mascote Eddie. Um dos símbolos marcantes da história do heavy metal, a figura de Eddie vende itens de colecionador, camisetas e diversos outros produtos em todo o mundo – inclusive como ícone da moda até mesmo entre pessoas que não são fãs do grupo ou do estilo musical.

O morto-vivo, figura constante nas capas de álbum do Iron Maiden, por si só, revolucionou o marketing do heavy metal. Nunca antes um símbolo tinha feito tanto sucesso comercial e se tornado tão importante para a imagem de uma banda.

4) Gravação de DVD no Rock in Rio

Quando o Iron Maiden voltou ao Rock in Rio em 2001, eles tiveram a ideia genial de gravar um disco ao vivo, com direção do baixista e líder da banda Steve Harris. Na ocasião, a multidão contava com 250 mil pessoas (o segundo maior público da história da carreira da banda), além das centenas de milhões que assistiram o show pela TV.

Como se não bastasse, a apresentação acabou se transformando no primeiro DVD ao vivo da banda – em uma época em que lançar DVDs nem era tão comum assim, imagine uma banda internacional escolher o Brasil, destino ainda mais inusitado, para registrar um show e comercializá-lo? A apresentação entrou de vez para o imaginário dos roqueiros brasileiros!

“É um dos nossos melhores álbuns ao vivo. Eu lembro do show, foi uma performance muito boa, e no fim eu estava praticamente esgotado. Passei três dias no hotel antes, me preparando. Foi um dos grandes para mim também porque eu estava voltando à banda”, contou Bruce Dickinson em uma entrevista no começo deste ano.

Veja também:
Os números do sucesso: todos os recordes históricos que Drake já bateu
Compartilhar