Memória: 25 anos sem Cazuza - Revista Cifras

Memória: 25 anos sem Cazuza

25 anos atrás, no dia 7 de julho de 1990, o Brasil perdia, de vez, um de seus ídolos na música. No entanto, por mais melancólico que seja, os fãs perderam Cazuza ainda antes, em um caráter progressivo.

A combinação entre Cazuza e o vírus HIV foi uma das mais escancaradas possíveis. O cantor, que nunca foi de se esconder, fez o que grande parte dos artistas que tiveram Aids não tiveram coragem (ou estômago) para fazer: mostrou a cara. Assim como pediu para que o seu Brasil “mostrasse a sua cara”, na canção cujo título é o nome do país.

A morte de Cazuza começou ainda em 1987, quando foi diagnosticado com o vírus HIV, que já se manifestava por seu corpo. O desconhecimento sobre métodos anticoncepcionais ou higiênicos para transfusão de sangue fizeram com que a Aids tivesse ares de epidemia no Brasil. Em 1989, o cantor revelou para todo o país que era soropositivo. Quase um anúncio de óbito, pois a doença, apesar de permanecer sem cura até os dias de hoje, era ainda mais fatal naquela época, pela ausência de tratamentos para retardar seus efeitos.

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A revelação foi feita justamente no período em que Cazuza estava no auge de sua carreira solo. Ele havia deixado o Barão Vermelho – também em seu melhor momento – no ano de 1985 e lançou o álbum “Exagerado”, no mesmo ano, já como artista solo. Dois anos depois, veio “Só se for a dois”. Mas a consagração definitiva só veio com a dobradinha “Ideologia” e “O tempo não para”, ambos de 1988, que venderam, juntos, quase quatro milhões de cópias.

Sozinho, Cazuza explorou mais a virtude autoral que o tornou destaque anteriormente: a mistura entre rock e MPB. Na obra do cantor, ambos os gêneros, de origens tão distintas, eram separados por uma linha muito tênue. A cereja do combo de estilos musicais foi o que rendeu o apelido de “poeta do rock” – as letras. Com tons de acidez, o vocalista falava de política com uma consciente rebeldia. Algo raro e ainda bastante contemporâneo.

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“Burguesia”, quinto disco solo de Cazuza, foi lançado em 1989 e já não traz o “poeta do rock” em sua plenitude. Sua voz estava notavelmente mais fraca. Ainda assim, um bom trabalho. Já sem condições de se apresentar ao vivo, o cantor não pôde cair na estrada para divulgar o álbum. Entre períodos antes e depois do lançamento de “Burguesia”, tentou tratamentos alternativos para a Aids, nos Estados Unidos. Mostrou a sua cara para o Brasil e ajudou na conscientização sobre a doença, mas lutou pela vida até onde conseguiu.

Não deu. Há um quarto de século, Cazuza, o homem de 32 anos, se despedia para dar lugar à lenda, atemporal. O mito, que fez história com apenas nove anos de carreira. Há quem conteste o que ele fez em sua vida pessoal – da rebeldia à relação com seus familiares, entre outros aspectos. Mas seu trabalho musical permanece intocável.

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