Novo álbum de Deep Purple não empolga como esperado

(Foto: Divulgação)

Deep Purple: “Now What?!” [2013]

O Deep Purple realmente me surpreendeu ao anunciar que trabalharia um novo disco com Bob Ezrin. Os dois estilos são completamente incompatíveis. O Purple é convencional. Ezrin não é. A banda não aposta em composições soturnas e uso de orquestras, nem é inventiva. Ainda mais nesse passado recente. O produtor é o oposto disso.

A mistura resultou no 19° disco de estúdio da banda, “Now What?!”. A influência de Ezrin no produto final, como na maioria dos trabalhos que produz, é notável. Mas, diferente de como foi no passado, dessa vez é possível concluir ele se sairia melhor apenas comandando a mesa de som.

A primeira música mostra que até mesmo Bob Ezrin está caindo em fórmulas. “A Simple Song” começa calma, no modelo que o produtor gosta de colocar nos discos que participa. Aos 2 minutos, entra a pancada, no maior estilo Deep Purple: riffs sincronizados de guitarra e baixo, com espaços para o brilho do órgão Hammond. Mas a canção não empolga como uma faixa de abertura deveria.

“Weirdistan” segue seu título: é bem esquisita. Traz inserções orquestradas no riff principal (ou ao menos sintetizadores de orquestra), como também de praxe em trabalhos de Ezrin. A canção carece de ganchos melódicos e não desce bem. “Out Of Hand”, cadenciada e soturna, persiste no clima adstringente e nos elementos de orquestra. Erroneamente.

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“Hell To Pay” é um sopro do Purple antigo. Tem cara de single, e não à toa é uma das músicas de divulgação do disco. Refrão de arena, boa letra e instrumental bem entrosado. O groove de “Body Line” continua a melhorar a audição. Cortesia de Ian Paice, que ao meu ver é o melhor baterista da década de 1970 juntamente de Neil Peart. Não seguiu a incrível evolução técnica de seu colega canadense, mas não deixa de ser genial.

“Above And Beyond” lembra os bons discos antecessores, já gravados com Steve Morse. A canção vai crescendo muito bem até a entrada da voz de Ian Gillan. Depois, se mostra um Rock n’ Roll tranquilo e bem tocado. A balada “Blood From A Stone” seduz pela versatilidade. Os versos contam com uma pitada de Lounge Music, quase ambientais, enquanto os refrões são puro Purple. Don Airey se destaca com suas inserções precisas.

A introdução de “Uncommon Man”, que tem quase 3 minutos, é a cara de Bob Ezrin. Mal dá pra imaginar a banda fazendo uma música dessas sem o produtor. Mas o miolo da canção em si é muito bom. Não precisava dessa intro biruta. “Apres Vous” segue a fórmula do Purple, com o brilho dos teclados de Airey e da guitarra bem timbrada de Morse. Mas vale destacar que o guitarrista parece pouco inspirado nesse registro. Não há nenhum solo inspirado de sua parte, enquanto o tecladista está endiabrado.

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“All The Time In The World”, balada já conhecida do público por também ser single, é ótima. Aposta em boas melodias e parece ter tudo na medida. Gillan se destaca pela boa interpretação. “Vincent Price” fecha apostando nas maluquices pouco convencionais de Bob Ezrin. Muito soturna. Não combinou com o Purple. Mas vale pela mudança. A faixa bônus “It Will Be Me” é melhor do que grande parte desse registro, mas foi afetada pela prática das bandas grandes de deixar boas canções de fora da tracklist normal.

“Now What?!” é um disco mediano para bom. Está abaixo do que se espera de uma banda desse porte. Bob Ezrin, definitivamente, não serve para trabalhar com o Deep Purple. O contraste se baseia entre músicas ótimas e péssimas. Mas há momentos de destaque que possibilitam uma nota mais generosa. E, curiosamente, as melhores partes desse disco são as que o grupo soa de forma mais convencional possível.

Ian Gillan (vocal)

Steve Morse (guitarra)

Roger Glover (baixo)

Ian Paice (bateria)

Don Airey (teclados)

01. A Simple Song

02. Weirdistan

03. Out Of Hand

04. Hell To Pay

05. Body Line

06. Above And Beyond

07. Blood From A Stone

08. Uncommon Man

09. Après Vous

10. All The Time In The World

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11. Vincent Price

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Opiniões, curiosidades, resenhas, listas e sobre todos os tipos de música são o foco desta coluna, comandada por Igor Miranda, jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical. Contato: [email protected]