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Saudades: 25 anos do único disco dos Mamonas Assassinas

 

Mamonas Assassinas. Um fenômeno reverenciado até os dias de hoje. Veio, chocou o Brasil, e infelizmente se foi, mas mantém um legado de reconhecimento quase unânime nessas terras – algo difícil em um país com proporções continentais e culturas diversas.

Há exatos 25 anos, era lançado o primeiro e único disco dos Mamonas Assassinas, autointitulado. Um álbum construído, aos poucos, desde 1990, quando o ‘Utopia’, grupo que antecedeu os Mamonas, se formou e começou a se apresentar na cidade de Guarulhos, São Paulo.

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Constituída por Dinho nos vocais, Bento Hinoto na guitarra, Júlio Rasec nos teclados e os irmãos Samuel e Sérgio Reoli respectivamente no baixo e na bateria, a banda começou tocando covers de clássicos do rock e logo embarcou para um projeto autoral, com influências de Titãs, Barão Vermelho e Rush.

Lançaram ‘A Fórmula do Fenômeno’, que foi um fracasso – das mil cópias produzidas, apenas cem foram vendidas. Flertando cada vez mais com paródias e composições cômicas, decidiram mudar de nome e de proposta. De ‘Utopia’, passaram a se chamar Mamonas Assassinas.

Após conhecerem o até então desconhecido produtor Rick Bonadio e enviarem uma demo para algumas grandes gravadoras do Brasil, os guarulhenses conseguiram um contrato com a EMI.

Com pouco menos de dois meses, o disco de estreia já estava nas prateleiras do Brasil e, em questão de dias, os Mamonas eram sensação nacional. Não era pra menos: lançaram um álbum envolvente, cativante, versátil e sem uma música mediana sequer.

O humor marca presença nas composições desse disco, com toques de ironia e certo criticismo que muitos nem perceberam à época. O carisma do performático quinteto é incontestável: principalmente do frontman Dinho, que chegava a ser desengonçado.

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No entanto, vale destacar que os músicos eram muito versáteis e habilidosos naquilo que era proposto. Muitas vezes passa despercebido, mas o instrumental do único álbum dos Mamonas é muito bem feito e, mesmo que de forma cômica, passeia sem equívocos por diversos gêneros musicais, como rock, metal, samba, pagode, baião, forró, pop e por aí vai. Eles tinham competência em seus postos e deixavam isso claro, inclusive, nos shows.

Em menos de 40 minutos, 14 faixas envolventes conquistaram o país. O funk rock ‘1406’. A luso-folclórica ‘Vira-Vira’. A latina ‘Pelados em Santos’. A roqueira ‘Chopis centis’ (paródia de ‘Should I Stay Or Should I Go’, do The Clash). O baião-rock ‘Jumento celestino’. A vinheta ‘Sabão crá-crá’. A quase balada ‘Uma arlinda mulher’.

A grooveada ‘Cabeça de bagre II’. A clássica ‘Mundo animal’. A incontestável ‘Robocop gay’. O brega-metal ‘Bois don’t cry’ (com paródias de ‘Tom Sawyer’, do Rush, e ‘The Mirror’, do Dream Theater). O caricato thrash metal ‘Débil metal’. A curta ‘Sábado de sol’. Por fim, o pagode ‘Lá vem o alemão’. A piada era consistente.

Estima-se que a bolacha tenha vendido três milhões de cópias em apenas um ano. Atualmente, esse número deve ter, no mínimo, dobrado. Os Mamonas se tornaram sensação no Brasil – e até fora dele, com hits emplacados na Argentina, por exemplo -, lotaram arenas em seus shows e apareciam praticamente toda semana em programas de televisão. Foram R$ 275 milhões de lucro somente em 1995.

Infelizmente, durou pouco. Em 2 de março de 1996, um acidente aéreo na Serra da Cantareira matou os cinco integrantes da banda. Não dá para saber o que seriam dos Mamonas Assassinas se a trajetória não tivesse tido bruscamente interrompida. No entanto, um disco foi suficiente para que eles continuem sendo lembrados.

Mamonas Assassinas: “Mamonas Assassinas”

  • Lançado em 23 de junho de 1995
  • Gravadora: EMI
  • Produção: Rick Bonadio
  • Dinho: vocal, violão na faixa 7
  • Bento Hinoto: guitarra, violão, backing vocals
  • Samuel Reoli: baixo
  • Sérgio Reoli: bateria, backing vocals
  • Júlio Rasec: teclados, vocal adicional nas faixas 2 e 7
  1. 1406
  2. Vira-Vira
  3. Pelados em Santos
  4. Chopis centis
  5. Jumento celestino
  6. Sabão crá-crá
  7. Uma arlinda mulher
  8. Cabeça de bagre II
  9. Mundo animal
  10. Robocop gay
  11. Bois don´t cry
  12. Débil metal
  13. Sábado de sol
  14. Lá vem o alemão

*O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Revista Cifras.

Igor Miranda é jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical.

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