The Winery Dogs lança o disco do ano até o momento

(Foto: Divulgação)

The Winery Dogs: “The Winery Dogs” [2013]

É difícil imaginar o The Winery Dogs tendo uma sequência. Mike Portnoy está envolvido com zilhões de projetos desde sua saída do Dream Theater, enquanto Billy Sheehan tem o Mr. Big e Richie Kotzen, sua carreira solo. A melancolia de pensar que essa banda possa ter apenas um disco já começa a bater.

Já dava para saber o que viria com o The Winery Dogs, ao ouvir as músicas que foram lançadas inicialmente. O trabalho soa como Richie Kotzen e convidados em vários momentos. Mas os convidados são dois grandes músicos e seria injusto dizer que eles não foram, pelo menos, decisivos na sonoridade aqui obtida.

Para ser mais pontual: Billy Sheehan e Mike Portnoy trouxeram a habilidade e a química que faltavam aos registros solo de Kotzen, que gosta de tocar todos os instrumentos em seus trabalhos, mas nem sempre atinge o potencial máximo de suas canções por conta disso.

Desde os solos de baixo característicos de Sheehan, um dos melhores baixistas da história, até a criatividade de Portnoy, combinada à sua destreza já comprovada em grupos anteriores. A produção aqui, assumida por Jay Ruston (Anthrax, Stone Sour, Steel Panther) e pelos demais integrantes também merece ser citada por sua excelência.

Autointitulado, este primeiro álbum do The Winery Dogs me trouxe algumas impressões. Primeiro: aparentemente, as demos feitas com John Sykes foram descartadas, justamente por Kotzen ter colocado sua personalidade de forma notável. Parece até que boa parte dessas músicas já estavam prontas e receberam o toque final do resto do grupo.

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Segundo: Richie pode até não gostar, mas ele funciona melhor com banda. O músico pôde se focar em suas áreas (voz, guitarra e composição) e rendeu mais. Terceiro: aqui, estão os pontos que faltavam para algumas composições de Kotzen atingirem a perfeição, como linhas de bateria bem construídas, baixo destacado e vozes de apoio graves, para contrastar e ponderar com o tom agudo do virtuoso guitarrista/ótimo vocalista. Quarto: Mike Portnoy treinou 25 anos no Dream Theater para fazer o melhor trabalho de sua vida. Não como baterista, mas como músico.

“Elevate” e “Desire”, já conhecidas pelo público antes do lançamento do play, abrem os trabalhos muito bem. A primeira é um verdadeiro hino Hard Rock, cheio de identidade e um refrão grudento. A segunda é um dos destaques do disco: instrumental invejável e groove degustável. “We Are One” parece ser uma demo perdida do último álbum solo de Richie Kotzen, 24 Hours. A bateria de Mike Portnoy dá um ótimo toque à canção. A balada “I’m No Angel”, altamente grudenta, evidencia mais uma vez que Kotzen realmente está à frente do projeto.

“The Other Side” é um dos grandes destaques. A canção evidencia todos os pontos que faltavam em alguns momentos nas faixas solo de Kotzen, citados há alguns parágrafos. Excelente performance de Portnoy. A balada “You Saved Me” tem uma atmosfera altamente positiva. “Not Hopeless”, uma das melhores, é conduzida por um riff grandioso e altamente Rock n’ Roll, mas descamba para algo bem melódico no refrão.

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“One More Time” mostra que a cozinha de Billy Sheehan e Mike Portnoy se adaptou bem às influências distintas de Richie Kotzen, que frequentemente casa elementos da Black Music com o Hard Rock. A balada “Damaged” emociona, mas pouco inova: é Kotzen solo em pura essência. “Six Feet Deeper” é o Rock mais direto desse disco, lembrando momentos mais frenéticos do Mr. Big.

“Criminal” é mais cadenciada e um pouco mais densa. Traz interpretação genial de Kotzen enquanto vocalista. “The Dying” e “Regret” finalizam o disco de forma calma. A primeira é mais baladesca, enquanto a segunda resgata mais uma vez a influência da Black Music, mas em momento mais relaxado.

A estreia do The Winery Dogs é incrível. O trio soa entrosadíssimo, principalmente Mike Portnoy com os outros dois, que de fato já tocaram juntos no passado. Se sobravam expectativas acerca desse disco, agora faltam palavras para definir. Provavelmente o disco do ano.

Richie Kotzen (vocais, guitarra)

Billy Sheehan (baixo)

Mike Portnoy (bateria)

01. Elevate

02. Desire

03. We Are One

04. I’m No Angel

05. The Other Side

06. You Saved Me

07. Not Hopeless

08. One More Time

09. Damaged

10. Six Feet Deeper

11. Criminal

12. The Dying

13. Regret

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Opiniões, curiosidades, resenhas, listas e sobre todos os tipos de música são o foco desta coluna, comandada por Igor Miranda, jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical. Contato: [email protected]