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The Real Thing: 30 anos da inesquecível obra-prima do Faith No More

São raras as bandas (ou artistas) que conseguem agradar a todos os ouvidos. No universo do rock, pautado quase sempre pelo radicalismo, a tarefa é um pouco mais difícil. Porém, o Faith No More conseguiu a façanha de ganhar o respeito de todos que um dia já ouviram o trabalho da banda.

Formado no final dos anos 1970, o Faith No More se notabilizou por sua sonoridade única, que mistura o rock and roll com elementos de punk, jazz, metal, hip hop, funk e até mesmo de pop music. Enquanto alguns classificam a banda como rock alternativo, outros dizem que se trata de funk metal.

O híbrido de estilos rendeu dois bons discos no início da carreira – “We Care A Lot” e “Introduce Yourself”, lançados respectivamente em 1985 e 1987. Apesar da repercussão boa dos trabalhos, o vocalista Chuck Mosley não era tão bom quanto os demais músicos e a banda resolveu demitir o limitado cantor.

Para o lugar de Mosley, foi recrutado Mike Patton. Além de ser dono de uma voz única e versátil, Mike se mostrou muito carismático e enérgico. Em pouco tempo, o vocalista mostrou que era o nome certo para o Faith No More e foi fundamental para que a banda se tornasse um fenômeno mundial.

Logo após a entrada do novo vocalista, o Faith No more começou a gravar o terceiro disco. Então, em 20 de junho de 1989, é lançado “The Real Thing”, um álbum que reúne todas as características da banda, e que acabou se tornando não só o maior sucesso comercial, mas também o trabalho mais emblemático da discografia bem sucedida do grupo norte americano.

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Da primeira até a última nota do álbum, fica evidente que a entrada de Mike Patton definitivamente elevou o patamar da banda.

“From Out Of Nowhere” abre o disco com uma levada contagiante. Se um bom álbum começa com uma boa faixa de abertura, “The Real Thing” cumpre muito bem a sua missão.

A segunda faixa, “Epic”, é o carro-chefe do disco e se tornou o maior sucesso do Faith No More. Poucas vezes o título de uma música caiu tão bem, já que se trata de uma canção épica e que durante anos bombardeou estações de rádio e a MTV.

O ritmo empolgante baseado no baixo marcante de Billy Gould, o vocal hip hop de Mike Patton, o grande refrão e o excelente final do tecladista Roddy Bottum fizeram de “Epic” um dos maiores sucessos dos anos 1990. Mesmo que você não seja um fã de rock, possivelmente já ouviu e cantarolou o refrão dessa música sensacional.

Só essas duas músicas já seriam suficientes para valer o investimento. Porém, todas as outras composições do disco prendem a atenção do ouvinte por alguma razão.

A agitada “Falling To Pieces” mantém o pique e é seguida pela insana “Surprise! You’re Dead!”, a mais pesada e sombria de todo o disco – seja pelo ritmo, seja pela letra macabra.

Depois de heavy metal puro, temos uma balada. A linda “Zombie Eaters” é bela, melancólica, pesada e carregada de emoção.

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A faixa título fecha a primeira metade de “The Real Thing” com muitas variações de andamento e clima, já que alterna momentos mais intensos com outros totalmente leves.

A segunda parte tem início com “Underwater Love”, que nasceu com cara de hit radiofônico: levada leve, letra romântica e de curta duração.

Porém, a leveza é deixada um pouco de lado com a tensa “The Morning After”.

O final do álbum conta com três temas imperdíveis: a instrumental “Woodpecker From Mars” (tão maluca quanto o título), uma versão formidável para a clássica “War Pigs”, do Black Sabbath, e “Edge Of The World”, que é uma mistura de música de bar de jogos e propaganda de motel.

Ao terminar de ouvir o disco, certamente, a vontade de repetir a audição será grande. As músicas são bem construídas, envolventes e muito bem executadas – mérito dos ótimos instrumentistas que preenchiam as fileiras da banda naqueles dias.

Além de ter vendido milhões de cópias ao redor do mundo, “The Real Thing” foi influente para muitas bandas e para a cena musical. Alguns músicos e fãs consideram o disco como sendo o primeiro registro do que anos depois começou a ser chamado de new metal.

“The Real Thing” é um álbum que resume bem o que o Faith No More sempre foi, ou seja, um misto maluco de diversas influências, tudo temperado com muita personalidade. Caso raro de disco perfeito da primeira até a última nota, acabou se tornando a maior bandeira de uma banda que mora no coração de fãs de metal, punk, rock e hip hop.

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Se você não conhece essa bela obra prima, corra para ouvir. Se você conhece, ouça quantas vezes for necessário – afinal, Faith No More nunca é demais!

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*O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Revista Cifras.

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