Foto: divulgação

Metallica: 20 anos depois, ‘S&M’ continua atual e inovador

Em abril de 1999, o Metallica gravou dois shows com a Orquestra Sinfônica de San Francisco. As apresentações foram lançadas meses depois em um álbum duplo, que recebeu o nome de “S&M” – sigla para “Symphony & Metallica”.

A banda norte-americana, que sempre inovou e foi uma das responsáveis por tornar o heavy metal mais popular, passava por um momento complicado, já que os dois álbuns de estúdios lançados anteriormente (“Load”, em 1996, e “Reload”, em 1997) não foram bem aceitos – principalmente pelos fãs mais radicais, que não aceitaram as mudanças no som e no visual dos integrantes. As coisas ficaram um pouco melhores após o lançamento de “Garage Inc.” (1998), disco que traz versões de bandas como Queen, Lynyrd Skynyrd, Motorhead, Mercyful Fate, Misfits, e outras que influenciaram o Metallica. Porém, faltava a redenção definitiva, que veio com “S&M”.

O conceito desse álbum não era exatamente algo inédito, já que o Deep Purple havia gravado com uma orquestra, em 1969. Por outro lado, seria a primeira vez que uma grande banda de thrash metal ousaria misturar as guitarras cortantes com a sutileza de violinos, harpas e flautas. A expectativa era grande e o resultado foi um ótimo álbum que, até hoje, figura entre os bons discos ao vivo da música pesada.

As músicas representam todas as fases do Metallica – o único disco de estúdio que não tem nenhuma canção executada é “Kill ‘Em All”. E tanto as composições dos primeiros álbuns quanto as mais “leves”, dos posteriores, se encaixaram perfeitamente nos arranjos criados pela orquestra, que, na época, tinha como regente o conceituado Michael Kamen.

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Após a ótima “The Ecstasy Of Gold” (música comporta por Ennio Morricone), “The Call Of Ktulu” começa o passeio por clássicos, que segue por “Master Of Puppets”, “Of Wolf And Man” e “The Thing That Should Not Be”.

A sequência de quebrar o pescoço abre espaço para músicas dos controversos “Load” e “Reload”, além de “No Leaf Clover”, uma das inéditas que o Metallica apresentou ao público. Destaques especiais para “Fuel”, “Hero Of The Day”, “Bleeding Me” e “The Memory Remains”, que conta com a plateia fazendo um ótimo coral de vozes, sob o comando do sempre dinâmico baixista Jason Newsted.

A segunda parte do álbum já se inicia com a clássica “Nothing Else Matters”, que é um dos maiores sucessos do Metallica. A pesada “Until It Sleeps” ficou ainda melhor com os arranjos, tal qual “For Whom The Bell Tolls”, um dos momentos mais empolgantes do disco.

E quando a introdução da música seguinte começou a ser tocada, em segundos, já era perceptível que viria coisa nova. De fato, “Minus Human” era a outra inédita que o Metallica havia escrito. Tal qual “No Leaf Clover”, segue o estilo mais moderno que a banda havia adotado, mas com um pouco mais de peso. Nada muito empolgante, mas também nenhum horror.

O final do trabalho ficou reservado para os momentos mais apoteóticos dos shows, como “Wherever I May Roam”, “The Outlaw Torn” e “Sad But True”. Porém, nada supera a versão de “One”, uma das músicas mais emblemáticas da banda e do thrash metal. Desde o início, com os barulhos de bombas e tiros, até o caótico final, tudo é perfeito e sintetiza bem a ideia do grupo, que era mostrar que a agressividade da música pesada poderia combinar com a leveza de uma orquestra sinfônica.

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Por fim, “Enter Sandman” e “Battery” completam o espetáculo com muita energia, deixando a certeza de que mesmo que decepcionasse alguns fãs em músicas de estúdio, o Metallica ainda tinha muito o que mostrar e explorar nos palcos.

É claro que “S&M” se tornou um sucesso pela competência dos músicos envolvidos e pela ótima produção. É possível ouvir com clareza todos os instrumentos, tanto da banda quanto os da orquestra, o que torna a experiência mais agradável.

O disco foi lançado em novembro e teve muita procura – afinal de contas, todo mundo queria saber o resultado da inusitada mistura e como os quatro rapazes que chocaram o planeta nos anos 1980 se comportariam diante de tanta formalidade. Como na época a internet era apenas um sonho distante, quem não conseguia comprar um exemplar, dava um jeito de gravar “S&M” em uma fita K7, fosse emprestando ou alugando o álbum.

Da mesma maneira que havia feito em álbuns anteriores, o Metallica saiu da sua zona de conforto, sem dar muita atenção para as críticas que poderia receber. A diferença é que em “S&M”, ao contrário do que aconteceu com “Load”, por exemplo, a ousadia da banda rendeu mais elogios do que críticas.

Até os dias de hoje, os fãs sempre ouvem e comentam sobre o disco, que fez até mesmo algumas pessoas que não se ligavam muito na banda ou no heavy metal olharem para o gênero musical com outros olhos. Inclusive, é um ótimo cartão de visitas para alguém que não conheça o Metallica.

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No final das contas,”S&M” deixa claro que, mesmo distante dos melhores momentos, o Metallica continuava sendo uma banda inovadora, que jamais iria se repetir em seus trabalhos, o que foi mostrado anos depois,no contestado “St. Anger” (2003), mas isso é conversa pra outra hora.

E você, o que acha desse disco?

Um abraço e até a próxima semana!

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*O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Revista Cifras.

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