Atitude 67 celebra sucesso de seu pagode e boas parcerias

O pagode passa por altos e baixos de popularidade, de forma praticamente cíclica, desde que o gênero se consagrou nacionalmente na década de 1990. E o momento atual do estilo é bom – especialmente, graças ao recente surgimento de grupos como o Atitude 67.

Desde 2017, o conjunto natural de Mato Grosso do Sul e formado por Pedrinho (vocalista), Éric (violão e vocalista), Karan (pandeiro e vocalista), GP (rebolo), Leandro (reco reco) e Regê (surdo) chama a atenção por seu pagodinho melódico que permite até a mistura de estilos, como o reggae e até o rap.

Músicas como “Cerveja de Garrafa (Fumaça que eu Faço)”, “Saideira” e “Casal do Ano (Plutão)” têm tocado bastante e acumulam números expressivos de visualizações no YouTube. Pelo que se percebe, é fruto de muito trabalho, já que seus integrantes, formados em outras profissões, optaram por se dedicar exclusiva à música há apenas dois anos, embora o Atitude 67 exista desde 2003.

“Começamos a banda há 15 anos, mas durante 13 anos era só uma diversão! Somos amigos de infância e a banda era um hobby, tocávamos nas festas de amigos em Campo Grande. Chegamos a fazer faculdade, cada um é formado em uma profissão, tínhamos uma vida além da música. Com o tempo, a vontade de investir na carreira musical foi crescendo. Sabemos que não é fácil viver de música, mas há dois anos resolvemos investir nesse sonho e viemos morar juntos em São Paulo e nos dedicar com mais afinco à carreira”, afirmou o vocalista Pedrinho, em entrevista exclusiva ao Revista Cifras.

O primeiro lançamento do Atitude 67 enquanto profissionais da música foi o disco ao vivo “A67 – Ao Vivo em São Paulo”, divulgado no ano passado. É desse álbum, de canções 100% autorais, que vieram os hits “Cerveja de Garrafa (Fumaça que eu Faço)” e “Saideira”. “Foi muito bonito ver a repercussão que as 14 músicas tiveram com a galera, até porque o que a gente sempre queria era que as pessoas entendessem a nossa verdade e parece que eles se identificaram”, disse Pedrinho.

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Neste ano, além dos EPs “De Perto” – que contam com regravações das músicas do álbum “A67 – Ao Vivo em São Paulo” em formato acústico e são “como um ‘mimo’ para a galera que curtiu o trabalho”, segundo Pedrinho -, o Atitude 67 tem investido nas parcerias. Uma delas foi a nova versão de “Saideira” com a participação de Thiaguinho, que também atua nos bastidores do grupo como um de seus sócios.

“Gravar com o Thiaguinho foi maravilhoso. Não só a canção em estúdio, mas também o clipe da música que lançaremos em breve. Ele está sempre somando ao nosso trabalho, é muito bacana trocar experiências com um cara que já tem uma carreira tão sólida. Ele nos dá dicas de postura em cima do palco e fora dele. Fala muito sobre música de modo geral. É um verdadeiro padrinho”, afirmou Pedrinho.

Outro “feat” que chama a atenção é a música “Agora É Hexa”, gravada com o duo Anavitória em clima de Copa do Mundo – ok, o hexacampeonato não veio, mas a música agradou, já que acumulou mais de dois milhões de reproduções no YouTube. Segundo Pedrinho, o convite para a gravação partiu das cantoras e a música foi composta por Ana, junto de dois parceiros do grupo. E a dupla, notável por seu pop/folk de traços melódicos, se rendeu ao pagode em “Agora É Hexa”.

“Como era uma música para a Copa do Mundo, elas mesmas estavam buscando uma canção mais mais animada, talvez até por isso elas tenham nos convidado. O legal foi que sentamos no estúdio do Dudu Borges (arranjador, produtor e empresário) numa tarde e fomos conversando sobre a música, mudando detalhes da letra e o Dudu deu a direção musical – inclusive, foi ele que produziu. As meninas estavam super livres para ajudar a escolher os timbres, a divisão das partes. Elas têm muito bom gosto. Foi feito em um clima muito leve, de generosidade de todas as partes”, contou o vocalista.

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Ciclo de popularidade e internet

O Atitude 67 é um dos representantes de uma nova onda do pagode, estilo que sofreu alguns períodos de baixa de popularidade na década passada e até nesta década, especialmente porque poucos grupos novos emplacaram desde então. Ao lado de outros nomes, o Atitude 67 tem conseguido reverter isso para um cenário positivo ao apostar em um som mais moderno, seja pelo apelo melódico ou pela mistura com outros gêneros.

De acordo com Pedrinho, a música tem um caráter cíclico em termos de popularidade, mas ele acredita que o samba e o pagode sempre tiveram representatividade. “Quando um estilo começa a ficar em evidência, é natural que, depois, outras coisas surjam e as pessoas passem a consumir. Com isso, o outro estilo fica meio em baixa, apesar que não acreditamos que o samba tenha ficado em baixa, porque é a música do Brasil. Apesar de alguns outros estilos terem alcançado maior destaque no últimos 15 anos, o samba nunca deixou de ter sua representatividade e importância. Ficamos felizes que o gênero esteja voltando com mais força”, afirmou.

Para o cantor, é ideal que exista a união entre os artistas do gênero. “Acredito que dependa muito da união dos artistas e da seriedade com que se trabalha o gênero na indústria do entretenimento. Na nossa opinião, o tempo em que o sertanejo ficou tanto em evidência foi decorrente desses dois aspectos. Primeiro, por união de quem estava envolvido na cena e, segundo, pelo profissionalismo e seriedade com que as pessoas dos bastidores da indústria sertaneja trabalhavam o entretenimento, sempre com eventos bem organizados. Nada é por acaso, o sertanejo está em alta e esteve tanto tempo por puro mérito. Basta o samba seguir pelo mesmo caminho, pois já temos a vantagem que o brasileiro já nasce amando o samba, porque é a música do país”, disse.

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A música também passa por ciclo em sua forma de consumo e divulgação, já que as pessoas ouvem seus artistas favoritos cada vez mais pela internet. E o Atitude 67, que já demonstrou força nas redes, apostou todas as suas fichas no meio virtual. “O maior benefício da internet é que a música fica mais democratizada, qualquer pessoa tem liberdade e meio de colocar a música na rede. Ao mesmo tempo, o consumo de internet não está disseminado pelo Brasil da forma como deveria, justamente por aspectos econômicos. Mas essa abrangência aumenta mais a cada dia, tanto que apostamos muito nesse meio de comunicação virtual e optamos por não fazer nenhum tipo de disco, DVD ou material físico. Apostamos tudo no digital. Ele fez a coisa crescer a ponto das músicas irem naturalmente para as rádios a partir da internet. Fizemos o movimento contrário do padrão e que bom que tem dado certo pra gente”, afirmou Pedrinho.

Futuro

Como o Atitude 67 é um fenômeno recente, em termos de popularidade, os fãs já esperam por novos lançamentos do grupo. O primeiro passo rumo ao futuro da banda foi o lançamento da música “Tudo ao Contrário”, que também ganhou videoclipe. A faixa foi divulgada na última sexta-feira (6).

Assista ao clipe de “Tudo ao Contrário”:

“Até o fim do mês deve sair o clipe de ‘Saideira’, versão que gravamos com o Thiaguinho. Gravamos todos juntos num bar, foi bem bacana. E ainda em 2018, teremos mais coisa boa vindo por aí. Só não posso adiantar muito”, disse Pedrinho.

Apesar do mistério envolvido, o cantor revelou que há muito material pronto para o próxim lançamento do Atitude 67. “A gente tem centenas de músicas prontas. E quando digo centenas, é porque são mais de cem mesmo! (risos) Muito em breve, virá um novo trabalho com as inéditas, que, inclusive, já foram escolhidas. Tudo com calma e no seu tempo”, afirmou.

Por Igor Miranda (@silvercm)

Opiniões, curiosidades, resenhas, listas e sobre todos os tipos de música são o foco desta coluna, comandada por Igor Miranda, jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical. Contato: [email protected]