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Entrevista: Tom Speight vem ao Brasil para shows gratuitos e fala sobre seu trabalho

Vários artistas internacionais costumam manter um discurso puxa-saco com relação ao Brasil quando, enfim, passam por aqui. É normal ouvirmos de muitos deles que nosso país “tem os melhores fãs”, mas, por uma série de fatores, esse público não tem a devida atenção. Ao que tudo indica, Tom Speight quer fazer diferente.

O cantor e compositor britânico veio ao Brasil antes mesmo de lançar seu primeiro álbum, “Collide” – que chega em abril –, para dois shows gratuitos. Um deles já aconteceu, no Rio de Janeiro, na última quarta-feira (20). O outro, em São Paulo, será no próximo sábado, às 15h, na varanda da casa compartilhada House of Bubbles (rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto, 65, Pinheiros).

Em entrevista exclusiva ao Revista Cifras, Tom Speight explicou por que decidiu vir ao Brasil apenas para dois shows gratuitos e mais intimistas, além de cumprir agenda de divulgação midiática. “O Brasil foi o primeiro lugar que demonstrou gostar da minha música, por causa da música ‘Little Love’, em 2016. Ela ficou em primeiro lugar na parada Spotify Viral e, desde então, recebo mensagens dizendo ‘come to Brazil, come to Brazil’ (‘venha para o Brasil’, ‘venha para o Brasil’). Essa será a primeira de muitas viagens. Definitivamente, vou voltar e tentar construir minha base de fãs aqui”, afirmou.

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A conexão de Tom Speight com o Brasil vai além dos fãs: ele diz que as músicas de Jorge Ben Jor são “muito boas” e já até trabalha com uma artista do país. “Comecei a colaborar com uma cantora no Rio de Janeiro chamada Mahmundi. Fizemos uma versão incrível de uma das minhas músicas, com ela cantando em português. Com certeza, é uma influência brasileira chegando”, disse.

A música de Tom Speight

Mesmo antes de lançar seu primeiro álbum, Tom Speight aparece em destaque nas plataformas digitais, acumulando milhões de plays no Spotify e milhares de visualizações em seus clipes no YouTube. Ele já lançou sete EPs e alguns singles, já que mantém seu trabalho na ativa há alguns anos. Musicalmente, Speight aposta em uma sonoridade pop com forte influência do folk e até do indie.

A comparação com Ed Sheeran, com quem Tom já excursionou no passado, é inevitável, ainda que a proposta seja um pouco diferente. “Acho que é incrível que um dos maiores artistas do mundo, Ed Sheeran, seja um cara com um violão. Acho que é algo muito positivo. Para mim, o melhor sobre o Ed Sheeran é que ele não é só uma coisa: ele pode compor baladas, músicas animadas, rap e tudo o mais. Toquei com Ed no passado e ele é muito legal. Sou muito influenciado por ele”, afirmou.

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Porém, Speight é influenciado por outros artistas. Seu single mais recente, “Heartshaker”, soa de Paul Simon a Vampire Weekend, de acordo com material de divulgação. E o álbum “Collide” deve refletir essa pegada. “Eu diria que o álbum é o melhor dos meus EPs. Há de tudo um pouco dos EPs: as músicas tristes e as animadas. Acho que são as 13 melhores músicas que pudemos obter”, disse.

Em tempos onde vários artistas preferem apostar nos singles, Tom Speight parece estar empolgado com o formato de álbum, cada vez mais raro na indústria fonográfica atual. “Acho que sou bem old-school. Amo vinil e álbuns. Sou um compositor e gosto de fazer trabalhos completos. Já compus meu próximo EP que virá após o álbum. Gosto do desafio de compor EPs e álbuns ao invés de singles. Há espaço para tudo”, afirmou.

Letras e problemas pessoais

Acompanhado de seus shows, o álbum “Collide” parece dar início a uma nova fase na vida de Tom Speight. O trabalho foi feito tanto durante quanto após o término de um relacionamento do cantor. Esse momento pessoal se reflete nas letras das músicas, bem como o divórcio dos pais do artista. “O álbum é muito pessoal. Eu o compus durante e após sair de um relacionamento, então, há amor e a parte ruim”, explicou.

Outra questão pessoal afeta a carreira de Speight, ainda que, aparentemente, não se reflita nas letras: o cantor convive com a doença de Crohn, uma inflamação crônica no intestino que quase o impedui de seguir trabalhando na música. “Sou a pessoa menos rock and roll, então, eu não bebo, não uso drogas, tenho que tomar cuidado com o que como, então, é desafiador ficar viajando porque você não pode escolher o que come. Porém, estou dando o meu melhor e estou saudável no momento”, afirmou.

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Opiniões, curiosidades, resenhas, listas e sobre todos os tipos de música são o foco desta coluna, comandada por Igor Miranda, jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical. Contato: [email protected]

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