Foto: divulgação

Entrevista: SOJA prepara volta ao amado Brasil e lança música com Natiruts

O SOJA (Soldiers of Jah Army) é uma banda de reggae dos Estados Unidos, mas se você pensou em algum momento que o grupo era brasileiro, não tem problema: a afinidade dos músicos com o país é tão grande que eles costumam vir para shows com frequência. Só nos últimos tempos, a banda se apresentou por aqui em 2016, 2017 e 2018, além de estar com três datas marcadas para maio deste ano.

Os próximos shows do SOJA no Brasil acontecem em Florianópolis (Stage Music Park, 10 de maio), São Paulo (Encontro das Tribos, 11 de maio) e Vitória (Álvares Cabral, 12 de maio). E para deixar essa nova passagem pelo Brasil ainda mais especial, a banda divulgou uma nova versão da música “Morning” com vocais em português e espanhol, além do inglês de origem do grupo.

A canção conta com as participações do Natiruts, grande expoente do reggae nacional, e Gomba Jahbari, grupo de Porto Rico. Na faixa, cada um cuida da parte em seu respectivo idioma.

Em entrevista exclusiva para o Revista Cifras, o vocalista Jacob Hemphill fez elogios ao Natiruts, especialmente ao vocalista Alexandre Carlo. “Ele é um compositor muito bom e uma voz única. É possível sentir honestidade dele, assim como nessa música. Para algumas pessoas, a canção é sobre um relacionamento. Para outras, é sobre uma droga. Porém, na verdade, é sobre um vício que te mantém para baixo. A honestidade na voz dele faz a música ser, também, muito honesto. Foi uma escolha perfeita”, afirmou.

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A temática considerada universal para “Morning” motivou o SOJA a convidar o Natiruts e o Gomba Jahbari para essa mistura inusitada de três idiomas. “Quando algo se torna muito poderoso, fica difícil, mas após a escuridão, vem a luz da manhã. Esse tópico é universal para o mundo todo. Então, pensamos em quais os idiomas da maior parte de nossos fãs. Chegamos ao português e ao espanhol, além do inglês, então, ficamos nesses três”, disse.

Para os shows, imagina-se que a música será tocada, mas Jacob Hemphill fez mistério: revelou, apenas, que o repertório deve reunir várias fases do SOJA, que já tem mais de 20 anos de carreira. “Basicamente, temos um show onde tocamos misturas de músicas mais antigas, como ‘True Love’, ‘You And Me’ e ‘I Don’t Wanna Wait’, com as mais atuais. Além disso, temos muitas passagens instrumentais que não estão nos álbuns. Então, é uma mistura das três coisas”, afirmou.

Relação com o Brasil

Com tantas turnês pelo Brasil e até uma música com parte das letras em português, o SOJA não esconde a admiração que tem pelo país. Jacob Hemphill destacou que vê muitas semelhanças e afinidades com sua vida e com o seu local de origem, os Estados Unidos.

“Nós amamos o Brasil por várias razões, mas a minha predileta é que o Brasil está passando por uma revolução política por si só. Não é um lugar pequeno: é o Brasil, um país enorme. Atualmente, está passando por mudanças políticas e minha música é sobre mudança. Dessa forma, acho que minha música e as pessoas do Brasil combinam”, afirmou.

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A música brasileira também é bastante atrativa para os integrantes do SOJA, segundo Hemphill. “Eu conheço o Ponto de Equilíbrio, que é muito bom. Também conheço O Rappa, que são meus amigos. Nós gostamos de música brasileira”, disse.

Reggae com mensagem

Ainda que não aborde temáticas políticas de forma direta em suas composições, o SOJA busca trazer uma mensagem diferenciada em meio ao reggae. No último álbum, “Poetry In Motion” (2017), a banda expõe suas visões sobre corrupção do governo, imigrantes, direitos civis para traçar o caminho de suas obras – e vidas –, que é o da paz.

“Quando eu era mais jovem e a banda começou a ficar popular, meu pai me disse que eu teria responsabilidade sobre minha mensagem. Eu posso cantar sobre mulher e maconha, se eu quiser, mas se você tem um microfone, você tem uma responsabilidade. Assim, eu decidi fazer música que despertasse mudança nesse mundo. Você não precisa dizer o que as pessoas devem fazer, mas, com reflexão, as pessoas podem pensar em como agir”, afirmou Jacob Hemphill.

O vocalista entende que faz parte de sua missão usar o alcance de sua voz para falar sobre injustiças sociais e refletiu sobre a situação atual dos Estados Unidos. “Quando Donald Trump se tornou presidente, todos pensaram que era o demônio, mas ele é apenas alguém que queria vencer e que adora dinheiro. Acho que o demônio, se finalmente o conhecermos, será muito mais esperto e saberá exatamente o que faz”, destacou.

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Para Hemphill, o momento de seu país de origem – que ele associa ao que o Brasil também vivencia nos dias de hoje – ajudará em uma melhora no futuro. “Fiquei empolgado quando Trump foi eleito, porque quando algo fica muito ruim, é quando ela pode se reverter e ficar boa. Você não pode correr da escuridão, porque a luz da manhã vem logo após dela. Veja o que aconteceu após a última eleição para o Congresso: graças às pessoas odiarem Trump, votamos muito nos liberais e temos mais mulheres, negros, homossexuais e americanos nativos (indígenas) do que antes no Congresso. Apesar da nossa situação política horrível, podemos criar uma situação ótima em seguida. A vida é sobre mudança. Trump é uma representação do que as pessoas queriam: dinheiro. Ele venceu, mas isso não me incomoda”, afirmou.

Igor Miranda é jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical. Contato: [email protected]

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