Foto: Thiago Gama/Reprodução/Instagram

Ana Cañas diz que já perdeu contratos de show por ser feminista e contra Bolsonaro

A cantora Ana Cañas é conhecida por utilizar sua música para defender as pautas políticas que ela acredita, com destaque para o feminismo e contra o atual governo do presidente Jair Bolsonaro. No entanto, em uma entrevista recente à revista ‘Trip’, ela disse que ser militante tem um alto preço dentro do universo artístico.

Ana Cañas fez um longo desabafo à publicação, revelando que já perdeu inúmeros contratos de shows e de campanhas publicitárias por ter um posicionamento político tão aberto e declarado. Ela afirma que, mesmo assim, prefere manter-se fiel aos ideais.

“A revolução está nas ruas, só não está em transformação quem não está na rua, quem vive na bolha. Apesar de a gente ter um presidente fascista, sinto que a gente está evoluindo. Não volta mais para trás, não. Eu sempre gravei canções feministas nos meus discos, mas chegou um ponto em que eu quis dedicar ele todo à pauta da militância. Fui conhecer os movimentos e isso me transformou”, começou ela.

A artista disse que a militância “sempre vai ter um custo”. “Mulheres militantes não são chamadas para campanhas publicitárias, não recebem patrocínio, não têm apoios. Eu tenho muitos shows derrubados. Muitos contratantes gostam da minha música, mas, quando descobrem que eu sou uma militante e apoio as causas democráticas, inventam uma desculpa e derrubam o meu show, contratam outra cantora”, revela Ana Cañas.

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Porém, a cantora disse ter convicção de que “a equidade é a moeda mais preciosa hoje, muito mais do que o dinheiro”. “As pessoas não ficam sabendo a quantidade de coisas de que a gente tem que abrir mão para defender aquilo em que a gente acredita. Por isso, muitos artistas não se posicionam. É uma escolha e eu escolho a minha história de vida”, completa a cantora.

Ana Cañas: assédio em casa, pensionato com prostitutas e mais

Durante a entrevista, Ana Cañas também fez algumas revelações curiosas sobre sua vida. Ela disse que passou fome após sair de casa, aos 18 anos, por ter sofrido um assédio por parte de um familiar. Na ocasião, ela afirma que foi viver em meio a garotas de programa.

“Eu saí de casa cedo, eu quase passei fome, ficava distribuindo amostra grátis em corredor de supermercado. A música me salvou. Eu tinha 18 anos quando passei por um assédio dentro da família e saí de casa. Fui morar em um pensionato com meninas que faziam programa. A minha vida é toda pautada por esses movimentos de luta”, contou.

A cantora afirmou que a gravadora Som Livre, pertencente ao Grupo Globo, se recusaria a lançar seu disco mais recente devido à temática de cunho político.

“O mercado não queria fazer o disco ‘TODXS’. A gravadora que eu estava na época, Som Livre, nunca toparia fazer esse disco. Então, eu abri mão disso tudo, fiz independente, banquei do bolso e faria tudo de novo”, disse.

A artista disse que não se arrepende de ter tomado as rédeas de seu último lançamento. “Não me arrependo. Tenho certeza, convicção absoluta, de que estou fazendo a coisa certa. Lutando por um mundo mais justo. Usando a minha visibilidade, o meu privilégio de mulher branca e magra, para dar visibilidade para as pessoas que muitas vezes não têm espaço”, concluiu.

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