Arctic Monkeys foge do rock em novo disco, ouça na íntegra

Capa de'Tranquility Base Hotel & Casino', novo álbum da banda (Divulgação)

Capa de ‘Tranquility Base Hotel & Casino’, novo álbum da banda (Divulgação)

Alex Turner, vocalista do Arctic Monkeys, é aquele rapaz sabichão, espertinho e de respostas rápidas, como se elas já estivessem ali, na ponta da sua língua, antes mesmo que ele soubesse que iria usá-las. Assim são seus versos, de métricas próprias e palavras que se juntam, por vezes, em um flow único e contínuo.

Ouça ‘Star Treatment’, 1ª faixa de ‘Tranquility Base Hotel & Casino’:

Molecote de tudo, ele cantou a juventude como podia, com hits dançantes e que funcionavam, com guitarras energéticas e bateria pulsante, muito bem nas pistinhas de dança mais descoladas do planeta. Pouco mais de dez anos depois, o sexto disco da banda, ‘Tranquility Base Hotel & Casino’, lançado nesta sexta-feira (11), segue para a direção oposta.

Ouça ‘One Point Perspective’, 2ª faixa de ‘Tranquility Base Hotel & Casino’:

Das pistas de dança quentes, ele segue para um piano bar a meia luz. Os cigarros vagabundos são trocados pela fumaça dos charutos. A cerveja quente dá lugar a um drinque servido em uma taça e decorado com uma azeitona.

Ouça ‘American Sports’, 3ª faixa de ‘Tranquility Base Hotel & Casino’:

A partir de agora, Alex Turner cria um ambiente burlesco e jazzístico para soltar sua verborragia, sem a preocupação com refrãos, pontes com volume crescente, riffs de guitarra pegajosos e viradas pulsantes de bateria. O Arctic Monkeys, uma das únicas bandas da geração de garage rock revival surgida no início dos anos 2000 a se manter na ativa (e no topo), agora, aposta no mínimo.

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Ouça ‘Tranquility Base Hotel & Casino’, 4ª faixa de ‘Tranquility Base Hotel & Casino’:

É uma jogada corajosa, inclusive. Porque ‘AM’, o disco anterior, lançado cinco anos atrás, lavou com alvejante o ar de moleques que Turner e companhia carregavam consigo desde os discos mais espevitados, como ‘Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not’ e ‘Favorite Worst Nighmare’, de 2006 e 2007, respectivamente.

Ouça ‘Golden Trunks’, 5ª faixa de ‘Tranquility Base Hotel & Casino’:

Com ‘AM’, suas canções ganharam a maturidade trazida com a chegada dos 30 anos e, espertamente, o quinteto bebeu das referências roqueiras certas. O quinto e musculoso disco do Arctic Monkeys levou o grupo ao patamar dos grandes, com shows em estádios e arenas ao redor do mundo.

Ouça ‘Four Out Of Five’, 6ª faixa de ‘Tranquility Base Hotel & Casino’:

Na casa onde mora, em Los Angeles, o rapaz natural de Sheffield, na Inglaterra, decidiu amassar a estética sonora da banda construída até ali e criar, do zero, seu novo som. Com um piano Vertegrand recém-adquirido, tentou compor canções a partir dele e não da guitarra ou do violão.

Ouça ‘The World’s First Ever Monster Truck Front Flip’, 7ª faixa de ‘Tranquility Base Hotel & Casino’:

O resultado está em ‘Tranquility Base Hotel & Casino’, o mais provocativo disco do Arctic Monkeys e, principalmente, um álbum a partir do qual a banda está, enfim, liberta. Podem seguir, a partir de agora, para a direção que quiserem – se é que querem, de fato, alguma direção.

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Ouça ‘Science Fiction’, 8ª faixa de ‘Tranquility Base Hotel & Casino’:

A liberdade cobra seu preço, é claro. Há quem vá torcer o nariz para as influências jazzísticas de ‘Tranquility’, evidentemente. Vão existir aqueles incapazes de captar a referência bastante clara, ao longo do álbum do Arctic Monkeys, da música ‘Aos Barões’, uma balada de piano energizado de Lô Borges, o garoto gênio que, aos 20 anos de idade, já tinha composto o disco ‘Clube da Esquina’, com o amigo Milton Nascimento, e o lançado sua estreia solo, o chamado ‘Disco do Tênis’.

Ouça ‘She Looks Like Fun’, 9ª faixa de ‘Tranquility Base Hotel & Casino’:

Provavelmente, muita gente se incomodará com o modo de “contador de histórias” adotado por Turner durante as 11 canções, como uma espécie de Serge Gainsbourg do nosso tempo. Quer refrãos? Esqueça. Não vai encontrar.

Ouça ‘Batphone’, 10ª faixa de ‘Tranquility Base Hotel & Casino’:

Mas há uma boa parcela de fãs que vai ouvir ‘Star Treatment’, a música de abertura, e vai sentir o cérebro em expansão, se mexendo e se contorcendo para entender a nova direção da banda. Gente que vai chegar ao fim do álbum, com ‘The Ultracheese’, sem muita certeza de gostou ou não do resultado final, mas vai entender o caminho percorrido por Turner e companhia para chegar até ali.

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Ouça ‘The Ultracheese’, 11ª e última faixa de ‘Tranquility Base Hotel & Casino’:

* Por Estadão Conteúdo