Fotos: Reprodução/Instagram

DJ Rennan da Penha vence Prêmio Multishow e esposa levará troféu à prisão

O DJ Rennan da Penha, um dos idealizadores do famoso ‘Baile da Gaiola’, no Rio de Janeiro, segue preso desde o mês de abril, sob acusação de envolvimento com o tráfico de drogas. Apoiado por familiares e artistas, Rennan ganhou, na noite desta terça-feira (29), o troféu de Canção do Ano do 26º Prêmio Multishow.

A faixa vencedora foi ‘Hoje Eu Vou Parar Na Gaiola’, uma parceria com o MC Livinho, que também não compareceu à cerimônia.

A esposa e o empresário de Rennan subiram ao palco para receberem a premiação. “Estou muito feliz. Com certeza, isso vai revigorá-lo. Com certeza ele não esperava isso. Esse prêmio vai dar bastante força a ele”, disse Lorenna Vieira, que levará o troféu para o marido na próxima terça-feira (5), em visita ao presídio Bangu 9.

“Só queria que o Rennan estivesse aqui porque ele merece. Viva a favela! DJ não é bandido. Liberdade para Rennan da Penha!”, disse o empresário Leleco. A plateia ovacionou o discurso e respondeu com gritos de “Liberdade!”.

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A prisão do DJ Rennan da Penha

Em 15 de março de 2019, a Justiça do Rio de Janeiro mandou prender Rennan da Silva Santos, o DJ Rennan da Penha. Ele tinha sido inocentado em primeira instância das acusações de associação ao tráfico de drogas, mas foi condenado em segunda instância após recurso do Ministério Público do Rio.

De acordo com a decisão, ele deverá cumprir 6 anos e 8 meses em regime fechado. A decisão causou revolta nas redes sociais e críticos da decisão da Justiça do Rio alegaram perseguição e racismo contra o artista.

Referência do funk carioca, Rennan da Penha já gravou com vários artistas como Nego do Borel, Ludmilla, e produziu com MC Livinho um dos hits do carnaval 2019, ‘Hoje Eu Vou Parar na Gaiola’ – que acabou vencendo o Prêmio Multishow nesta terça-feira (29).

Seu ‘Baile da Gaiola’, na zona norte do Rio, já chegou a reunir 25 mil pessoas em uma única edição. Uma equipe de 22 pessoas trabalhava com o músico e ele tinha shows marcados até julho.

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A decisão da Justiça decretou a prisão de dez outros denunciados. No acórdão, o desembargador Antônio Carlos Nascimento Amado afirma que Rennan atuava como “olheiro” do tráfico e produzia músicas “enaltecendo o tráfico de drogas”.

Segundo a decisão, a polícia teria chegado ao DJ após o relato de uma testemunha. Um dos motivos para a condenação seria uma troca de mensagens do acusado e a “confirmação pela testemunha da existência de bailes funk na comunidade com venda de entorpecente”, justamente os bailes promovidos por Rennan.

As testemunhas de defesa, porém, alegaram que trocas de mensagens entre moradores das comunidades sobre a atividade policial são comuns, no intuito de se proteger de tiroteios e evitar danos a veículos por conta da movimentação dos blindados.

A defesa teria relatado ainda que as músicas tocadas pelo DJ retratam a realidade das favelas e não enaltecem as atividades criminosas. O músico havia sido inocentado na primeira instância por falta de provas.

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