Doações de Lenny Kravitz e Bono ao “Fome Zero” são investigadas na Lava Jato

Uma das guitarras foi doada por Lenny Kravitz, em 2005 (José Cruz/ABr)

Uma das guitarras foi doada por Lenny Kravitz, em 2005 (José Cruz/ABr)

As guitarras doadas por Lenny Kravitz e Bono (U2) ao programa “Fome Zero”, entre os anos de 2005 e 2006, estão sendo alvo de investigações da Operação Lava Jato. O intuito é descobrir o destino da renda obtida com os instrumentos – um deles foi leiloado durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente do Brasil.

Lenny Kravitz doou uma guitarra Epiphone Flying V autografada em março de 2005. Na ocasião, ele estava em turnê pelo Brasil. O instrumento foi leiloado dois meses depois e arrematado por R$ 322 mil, pelo empresário Pedro Grendene. A ideia era utilizar o valor no projeto “Fome Zero”.

No ano seguinte, o vocalista do U2, Bono, doou outra guitarra para ser leiloada em prol do “Fome Zero”. No entanto, o leilão só aconteceu em 2007, após fãs terem questionado a atitude do governo em “guardar” a guitarra.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, uma análise de e-mails do pecuarista José Carlos Bumlai, pessoa próxima ao ex-presidente Lula, aponta que duas entidades “brigaram” pelos recursos dos leilões: a ONG Ação Fome Zero, criada por Bumlai, e o Ministério de Desenvolvimento Social.

Em um dos e-mails, a ex-coordenadora da ONG Ação Fome Zero, Fátima Menezes, afirma, em negrito: “não podemos fazer uso do recurso obtido pelo leilão”. Nas mensagens, discutia-se o fato de a renda poder ser utilizada para o fundo de combate à fome, do Ministério de Desenvolvimento Social – destino diferente do planejado anteriormente.

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Guitarras guardadas

A Polícia Federal acredita que as guitarras tenham ficado guardadas, durante algum tempo, na residência do filho do então presidente Lula. A suspeita ocorreu em função de um e-mail onde Fátima Menezes afirma que os instrumentos estariam “na casa do filho”.

As informações completas sobre esta investigação, bem como os prints dos e-mails trocados entre os envolvidos, estão disponíveis na página do jornal O Estado de S. Paulo. Até o momento, ninguém mencionado na reportagem se manifestou sobre o assunto.

Por Igor Miranda

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