Doria usa música de Marisa Monte e Arnaldo Antunes e causa polêmica

Artistas afirmam que não foram consultados por uso de música (Rep./Instagram)

Artistas afirmam que não foram consultados por uso de música (Rep./Instagram)

Os compositores Marisa Monte e Arnaldo Antunes repudiaram, em texto compartilhado em redes sociais na quarta-feira (29), o uso não autorizado de sua música ‘Ainda Bem’, na voz de Marisa, pelo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB).

‘Ainda Bem’ pode ser ouvida em um vídeo promocional compartilhado pelo prefeito em agosto para apresentar o resultado de obras da prefeitura no Parque do Ibirapuera. Os autores disseram que Doria, desde então, se recusa a deletá-lo de suas contas no Twitter e no Youtube.

A música serve de ambientação para o vídeo, que, lembram Marisa e Arnaldo, foi feito para “promover as atividades do prefeito, suas parcerias institucionais e comerciais, inclusive citando nominalmente uma marca de artigos esportivos”. Eles contaram que notificaram Doria quando assistiram, e que receberam uma resposta – negativa – só dois meses depois.

“Nós nos sentimos ultrajados e lesados em nosso direito patrimonial e moral, uma vez que, além de não termos sido sequer consultados, nunca permitimos o uso de nenhuma de nossas canções para fins políticos. Queremos deixar claro que a nossa motivação jamais foi financeira, e sim educativa. Enquanto autores e artistas, esperamos respeito à Lei de Direitos Autorais”, afirmam em seu texto.

“Redigimos este comunicado para esclarecer ao nosso público que não concordamos com essa postura desrespeitosa e também para reafirmar a importância do cumprimento da legislação de direito autoral, principalmente por aqueles que, como autoridades e gestores públicos, independentemente do seu viés político, deveriam ser os primeiros a dar exemplo na sua aplicação”.

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Argumento de Doria

Marisa e Arnaldo contam que Doria argumenta que a música foi capturada de “forma espontânea” no ambiente das gravações. Eles sugeriram que os direitos autorais fossem pagos em favor da Sociedade Viva Cazuza, que atende crianças com Aids no Rio, mas não foram atendidos. O Facebook e o Instagram atenderam à solicitação da dupla de remover o conteúdo, mas o vídeo ainda pode ser assistido no Twitter e no Youtube.

O prefeito João Doria alega que o vídeo foi feito e compartilhado “espontaneamente, durante uma vistoria no novo campo de futebol” do Ibirapuera, e que a música é ouvida ao fundo por “circunstâncias meramente ambientais”, uma vez que estava sendo executada “por absoluta coincidência” no momento da gravação.

Doria declarou em entrevista nesta quarta-feira: “Sou fã da Marisa Monte, não apenas de suas músicas, mas sua carreira. Não imaginei que a utilização, através da Nike (patrocinadora), num evento esportivo no Ibirapuera, pudesse criar qualquer tipo de constrangimento. Tenho certeza que a própria Nike não pensou que isso pudesse limitar o respeito à obra e à arte da Marisa Monte”.

Posteriormente, o prefeito de São Paulo divulgou comunicado em vídeo para explicar melhor o ocorrido. Ele afirmou que o advogado de Marisa Monte cobrou R$ 300 mil porque a música apareceu em sua filmagem anterior, sendo que, segundo ele, a canção havia apenas tocado no ambiente, sem uso intencional. Confira:

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* Por Estadão Conteúdo

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