Elas não estão imunes: até no mundo da música mulheres ganham menos que homens

Marília Mendonça é um dos poucos nomes femininos nas listas do estudo (Divul.)

Marília Mendonça é um dos poucos nomes femininos nas listas do estudo (Divul.)

As mulheres possuem grande presença no universo artístico e musical. Elas possuem agendas lotadíssimas, são donas de grandes hits e estão constantemente nas paradas de sucesso.

Mesmo assim, um relatório da União Brasileira de Compositores (UBC) mostra que, em 2017, as mulheres lucraram 28% a menos do que os homens.

A pesquisa, intitulada ‘Por elas que fazem a música’, leva em consideração a arrecadação de direitos autorais por execução pública de músicas. O levantamento foi publicado pela instituição nesta quarta-feira (7).

Para elaborar o documento, a UBC levou em conta informações de sua base de associados. Dos 25 mil inscritos, apenas 14% são mulheres. Entre elas estão cantoras campeãs de execuções nos últimos anos.

Segundo o estudo, da lista com os 100 maiores arrecadadores em 2017, apenas dez nomes são do sexo feminino.

Em pleno Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta quinta-feira (8), os dados são alarmantes, apesar de conter algumas boas notícias: por exemplo, a pesquisa indica que a representatividade das mulheres na UBC está em ascensão. De 2015 a 2017, houve um aumento de 53% no número de inscrições de artistas femininas na instituição.

A cantora e compositora Zélia Duncan deu seu depoimento para contribuir com o relatório da UBC:

“Para as mulheres alcançarem o patamar dos homens, é preciso mudar as mentalidades. É como um adicto, que só se trata depois que se admite a doença. Machismo é doença, mas todos nós, mulheres e homens, temos que admitir que ele está entranhado perversamente nas relações de todo tipo. Mudando isso, aí, sim, alcançaremos os salários equivalentes e um respeito genuíno. Acho que os números refletem o fato de o mundo precisar ser por nós conquistado todo dia”.

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*Por José Elias Mendes