Foto: Bob Wolfenson / divulgação

Gal Costa: ‘quem viveu a época da ditadura tem medo que isso volte’

Lançando o álbum ‘A Pele do Futuro ao Vivo’, Gal Costa refletiu sobre os tempos da ditadura militar e relacionou fatos da época com a tentativa de censura ocorrida na Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

Em entrevista ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’, publicada no último sábado (14), a cantora disse que a ordem de embalar os livros em plástico preto trouxe de volta as lembranças de quando lançou o álbum ‘Índia’, em 1973. O disco foi distribuído nos mesmos termos durante o regime dos militares no Brasil.

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“Meu disco tinha de ser vendido num invólucro preto, não tinha nada de mais. Tomei um susto, porque me veio essa lembrança”, explicou Gal Costa. “E aí achei uma coisa horrorosa, porque, com o governo federal que a gente tem hoje, a gente fica assustada com as declarações, com a maneira como as coisas são tratadas”, completou.

A cantora continua: “A gente que viveu na época da ditadura tem medo que isso volte, está aí na atmosfera. Mas o povo brasileiro hoje está mais atento, tem mídias digitais, a gente sabe tudo o que está acontecendo na hora, e portanto a gente sabe que as pessoas se mobilizam em outros Estados”, acrescentou.

Gal Costa demonstra otimismo com as instituições democráticas e diz considerar que elas “são mais consolidadas e fortes”. “A ditadura não vai se implantar”, opina a cantora.

Apesar da positividade, ela pede que os cidadãos e os artistas fiquem de olhos abertos. “A gente tem que ficar atento, não pode deixar isso acontecer, e o papel dos artistas neste momento é fundamental”, avalia Gal Costa.

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“O Brasil, a duras custas, conseguiu implantar uma democracia, que é a maneira mais correta de se viver, é onde há o respeito pelo outro, o respeito às diferenças. Você tem que respeitar o outro do jeito que ele é, então o mundo tem que ser assim, a vida tem que ser assim”, comentou.

“Você não tem que ser igual ao outro, o outro não é igual a você. Você tem que saber conviver com isso. Se você não se identifica, é uma coisa, mas respeitar é outra. Defendo os direitos humanos, acho que o governo tem que cuidar das pessoas pobres, tanta gente miserável neste país. Acho que é complicado o Brasil, mas a gente vai chegar lá um dia”, finalizou.

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