Indústria fonográfica tem crescimento expressivo no Brasil em 2017

Plataformas de streaming, como Spotify, colaboraram no crescimento (Divulgação)

Plataformas de streaming, como Spotify, colaboraram no crescimento (Divulgação)

Graças ao streaming, o mercado fonográfico brasileiro cresceu 17,9% em 2017 na comparação com 2016. Foi um resultado bem superior ao da média mundial – que subiu 8,1%, também na esteira dos serviços de transmissão digital de música. No caso brasileiro, foi uma recuperação de receitas depois de uma década ruim e de dois anos consecutivos no negativo: em 2016, estas haviam caído 3%; em 2015, 1,7%.

Os dados foram divulgados pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) e a Pró-Música Brasil – Produtores Fonográficos Associados, e mostram que a maior adesão a plataformas como Spotify, Apple Music e Deezer fez com que o avanço do streaming no Brasil fosse de 64% ano passado; no mundo (onde os assinantes já somam 176 milhões de pessoas), foi de 41,1%.

Já os CDs seguem em declínio, muito por conta do fechamento das lojas. As vendas físicas tiveram decréscimo na média mundial de 5,4%, enquanto no Brasil, onde o varejo encolheu ainda mais, a queda verificada foi mais de dez vezes maior, de 56%. Os downloads digitais estão virando coisa do passado: a queda no mercado global foi de 20,5% ante 2016; no País, de 31%.

O mercado brasileiro de música gravada passou a ocupar o nono lugar no planeta, segundo a IFPI, depois dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Inglaterra, França, Coreia do Sul, Canadá e Austrália, e à frente da China – os serviços foram descobertos pelos chineses mais tarde, com a abertura para o Ocidente.

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A América Latina foi a região com maior crescimento: 17,7%, quando na América do Norte o mercado se expandiu 12,8%, na Ásia/Austrália/Oceania, 5,4%, e na Europa, 4,3%.

O mercado digital nacional já é responsável por 92% do total do faturamento combinado (físico e digital juntos). Os números são de um Brasil que saiu da recessão no primeiro trimestre de 2017. Em 2018, deverão melhorar, acredita Paulo Rosa, presidente da Pró-Música Brasil, levando em consideração a expansão dos smartphones, hoje em 177 milhões de aparelhos (além de 28 milhões de tablets). Ainda há muito espaço para crescimento das plataformas nas regiões mais pobres do Brasil, analisa o mercado.

“O streaming é protagonista e está crescendo de forma consistente. Há dez anos, a gente não tinha a menor ideia de que estaria com essa configuração hoje no mercado. Em 2016, tivemos um recuo de 3% causado por uma pequena variação na execução pública e pelo declínio das vendas físicas”, explica Rosa. As receitas totais resultam da soma das vendas digitais e físicas, dos rendimentos advindos de execuções públicas e de direitos de sincronização.

Rosa também aponta que o número de assinaturas de serviços de streaming no Brasil ainda é muito pequeno frente ao potencial dos consumidores. “A expectativa é crescer dois dígitos por alguns anos. O primeiro grande operador, a Apple, começou aqui em 2011, e ainda não era streaming, mas download. O Spotify foi em 2014. É tudo muito recente”, ele sublinha.

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O fato de as assinaturas terem valores acessíveis deve ajudar na continuidade do boom do streaming. A indústria já sabe também que mesmo na crise o público não deixa de comprar música – as pessoas só escolhem meios mais baratos de consumir o que desejam ouvir.

“O mercado brasileiro pode e vai crescer ainda mais, esta é a sua vocação. O acesso fácil aos serviços de assinatura, que são 90% do crescimento no streaming, transformou a pirataria em algo inútil e em desuso acelerado”, avalia Marcelo Castello Branco, diretor da União Brasileira de Compositores (UBC) e ex-executivo de gravadoras.

Ele lembra que o crescimento ainda está muito concentrado no Sudeste do Brasil e tende a se alargar pelo Norte e o Nordeste. “Podemos voltar ao quinto ou sexto lugar no mundo em poucos anos, consagrando a nova música brasileira, já adepta do jogo digital e de suas métricas, e ter novos alcances globais. Existe toda uma nova geração de artistas que já nasceu vivendo e aprendendo a jogar o jogo digital”.

O top 10 do streaming no País tem apenas um estrangeiro – o primeiro colocado é o britânico Ed Sheeran, com a chiclete ‘Shape of You’. Em seguida na lista vêm Alok (‘Hear me Now’), Henrique e Juliano (‘Vidinha de Balada’), Matheus e Kauan (‘Te Assumi pro Brasil’) e Anitta e Pabllo Vittar com Major Lazer (‘Sua Cara’).

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No rol dos 20 primeiros, Anitta aparece com cinco músicas – além de ‘Sua Cara’, estão ‘Você Partiu meu Coração’, com Nego do Borel e Wesley Safadão; ‘Loka’, com Simone e Simaria, e ‘Paradinha’. Simone e Simaria, com três (as outras foram ‘Raspão’ e ‘Regime Fechado’). Pabllo, com duas (a outra foi ‘K.O.’), assim como Wesley Safadão (entrou também ‘Ar Condicionado no 15’).

* Por Estadão Conteúdo