Foto: Alex Carvalho

Luiz Carlos diz que não aguenta mais cantar os antigos hits do Raça Negra

A banda paulistana de pagode Raça Negra está no ar em ‘A Dona do Pedaço’, novela da Globo, com o hit ‘Cheia de Manias’. A canção é tema de Maria da Paz, personagem de Juliana Paes, protagonista da trama.

E não é de hoje que o Raça Negra voltou a estar em evidência graças a ‘Cheia de Manias’. A canção se tornou meme nas redes sociais e foi resgatada como um sinônimo de “música de qualidade” do passado.

Apesar disso, em entrevista ao jornal O Globo, o vocalista do grupo, Luiz Carlos diz “não aguentar mais” cantar as antigas canções de sucesso.

“Por mais que façamos coisas novas, temos muito tempo de carreira, as pessoas querem escutar as antigas. Cantei uma nova em um show recente, mas o pessoal não quer saber: ‘Você não vai cantar ‘Cigana’? Não vai cantar ‘É tarde demais’?’. Por um lado, é legal, porque você pensa melhor no que vai fazer. Por mais que eu tenha fundado o Raça Negra, não aguento mais cantar as mesmas músicas (risos). O nosso patrão são os fãs, então temos que fazer a vontade deles. Porque música nova, tem aos montes”, diz Luiz Carlos ao O Globo.

Raça Negra e racismo?

O grupo lançou na noite de quarta-feira (3) uma nova canção, ‘Nego Lindo’, durante um pocket show em um bar na Zona Oeste de São Paulo. No refrão, a música diz: “Você quer um nego lindo/ Pra fazer você dormir?/ Você quer um nego lindo/ Você quer um nego lindo?/ Seu nego lindo está aqui!”.

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Sobre o nome da canção, Luiz Carlos diz que não vê possíveis conotações racistas. “Acho uma grande gozação. O povo tem mania de falar: ‘Ô, meu nego’. É uma forma de chamar as pessoas carinhosamente. Não há essa conotação racista, porque assumo o que sou, minha cor e minha raça”, disse.

O vocalista continua: “Já me perguntaram até do nome da banda, Raça Negra. Não tem conotação política, social e nem racial. Lembra minha mãe, porque era a única mulher que me achava lindo. Vão dizer: ‘mas esse negão é metido, não?’ (risos)”.

A nova música faz parte do EP ‘Deezer Sessions Raça Negra’, que contêm versões de outros seis sucessos da banda, com participações especiais e novos arranjos. ‘Cheia de manias’, ‘É tarde demais’ (com Péricles), ‘Quando te encontrei’, ‘Me leva junto com você’, ‘Deus me livre’ e ‘Você’. Confira clicando aqui.

Pagode romântico

Questionado sobre o ressurgimento do pagode romântico, Luiz Carlos diz que o Raça Negra nunca deixou de tocar esse estilo. “Tocamos onze anos na noite mudando as músicas de vários ritmos para samba. Eu via que, quando tocávamos Roberto Carlos, as pessoas gostavam. Então, começamos a fazer músicas mais românticas e isso pegou. Aquele cara que cantava o samba exaltação — porque não existe samba de raiz, quem tem raiz é planta — começou a colocar mais elementos melódicos. Na época, o samba era aquela coisa de boteco: ‘o meu barraco caiu, meu dinheiro sumiu…’ Samba não era só aquilo, era música popular brasileira. Hoje, o samba virou um show. O Raça Negra, pelo menos, nunca parou”, afirma.

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