Foto: divulgação cifras madonna

Madonna lança novo álbum ‘Madame X’ e canta até funk com Anitta; ouça

Um disco de Madonna é sempre um grande acontecimento. Desde que a cantora anunciou, em 2018, que estava se dedicando a um novo trabalho – que viria a ser ‘Madame X’ -, a expectativa em torno do projeto gerou curiosidade sobre os caminhos sonoros que ela seguiria.

A vivência em seu então novo lar, a cidade de Lisboa, em Portugal, para onde ela se mudou com a família, influenciaria o álbum? O questionamento era legítimo. Afinal, Madonna é uma artista sempre atenta ao que está ao seu redor – e ao que diz respeito ao seu tempo hoje. E, apesar da alcunha de rainha do pop, ela nunca entrega um disco igual a seus anteriores.

‘Madame X’, seu aguardado 14° disco de estúdio, chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (14). Mas Madonna já foi dando mostras de qual trilha seguiria nos singles que lançou desde abril. No total, foram cinco até agora.

O primeiro foi ‘Medellín’, com participação do cantor colombiano Maluma, flertando com ritmos latinos – algo que não é novo na obra da cantora, vale lembrar. A estreia do clipe da música, dias depois da divulgação do single, lembrou o esquema de divulgação de videoclipes de anos atrás, quando as emissoras de TV, como a MTV, tinham papel importante nessa divulgação. ‘Medellín’, o clipe, teve transmissão exclusiva na MTV, no dia 24 de abril, no programa MTV Presents Madonna Live & Exclusive: ‘Medellín’ Video World Premiere.

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A dançante ‘Medellín’ vem embalada numa atmosfera totalmente oposta à da sombria ‘Dark Ballet’, que foi divulgada na última sexta (7). Impactante, a canção trata de temas como intolerância e fanatismo religioso.

Como se fosse a ópera de Madonna sobre Joana D’Arc, que, no clipe, é representada na figura de uma negra trans. Com a personagem histórica queimada nas chamas da Inquisição, Madonna volta a criticar a Igreja Católica – aliás, sua conturbada relação com o Vaticano vem de décadas. De alguma maneira, ‘Dark Ballet’ remete a ‘Like a Prayer’, um de seus mais polêmicos clipes, lançado em 1989, que trazia Jesus Cristo negro.

Com 15 faixas, ‘Madame X’, o disco, parece ser uma coleção de pequenas histórias, que são ligadas pela personagem principal, a misteriosa Madame X, novo alter ego cunhado por Madonna.

“Uma agente secreta viajando ao redor do mundo, trocando sua identidade, lutando por liberdade, trazendo luz a lugares sombrios. Ela é uma professora de dança, uma chefe de Estado, uma governanta, uma prisioneira, uma estudante, uma freira, uma cantora de cabaré, uma santa e uma prostituta”, descreveu a cantora sobre a nova personagem, em suas redes sociais. Em ‘Erotica’, de 1992, ela já havia encarnado outro alter ego, a dominatrix Dita.

Inspiração de ‘Madame X’

Ainda sobre o novo disco, a artista contou em outro momento, em seu Instagram, que tudo veio à tona em um bar que frequentou no tradicional bairro de Alfama, em Lisboa. “Minha inspiração para meu novo álbum nasceu aqui, em Lisboa, no Tejo Bar”, escreveu.

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Quando frequentava o local, ela descobriu em Lisboa “um caldeirão de culturas musicais” no que foi outrora a capital de um império colonial, que incluía Brasil, Angola e Moçambique. “Propor um espaço que inspire artistas como Madonna me enche de alegria”, disse, em entrevista à AFP, Mira Fragoso, uma das proprietárias brasileiras do bar, palco de encontros improváveis, como o de Madonna e o pianista brasileiro João Ventura.

Com Anitta e elogios

Para os brasileiros, esse álbum tem um elemento especial: a parceria da popstar com a brasileira Anitta no funk português ‘Faz Gostoso’, que não entrou na lista dos singles divulgados.

Alguns jornalistas britânicos já escreveram sobre ‘Madame X’. Ben Beaumont-Thomas, do The Guardian, classificou o álbum como “o mais bizarro” da cantora. Mas elogia a capacidade de renovação artística.

“Com ‘Madame X’, Madonna, em vez de cerrar os dentes, coloca um tapa-olho incrustado de glitter, olha seriamente no espelho e diz: “Vadia, eu sou Madonna. E aproveitando a influência latina não apenas do reggaeton, mas também de sua nova base em Lisboa, ela produziu, aos 60 anos, sua mais natural, progressiva e original gravação desde Confessions (de 2005)”, escreveu o crítico.

Também por causa do novo trabalho, Madonna deu entrevista recentemente ao The New York Times. Após a publicação, ela desabafou sobre a forma superficial como sua rotina foi tratada e os “intermináveis comentários” sobre sua idade “que nunca teria sido mencionada se eu fosse um homem”.

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O artigo foi escrito por uma jornalista. “As mulheres têm muita dificuldade de serem as defensoras de outras mulheres, mesmo que estejam se passando por feministas intelectuais. Lamento que passei 5 minutos com ela. Isso me faz sentir estuprada. E, sim, estou autorizada a usar essa analogia depois de ter sido estuprada aos 19 anos”, escreveu.

“Digo: morte ao patriarcado! Está emaranhada profundamente na sociedade. Eu nunca vou parar de lutar para erradicar isso!” E o disco ‘Madame X’ não deixa de ser uma de suas armas de resistência.

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