‘O sertanejo sempre foi o mais machista da música’, diz Roberta Miranda

Roberta tem orgulho de artistas como Paula Fernandes e Marília Mendonça (Gshow)

Roberta tem orgulho de artistas como Paula Fernandes e Marília Mendonça (Gshow)

A cantora Roberta Miranda disse que o sertanejo “sempre foi o nicho mais machista da música”. O comentário foi feito em recente entrevista à revista ‘Veja’.

Veterana na música sertaneja, Roberta Miranda surgiu na década de 1980. Desde então, seguiu como um dos poucos nomes femininos de destaque no estilo – até alguns anos atrás, quando nomes como Paula Fernandes, Marília Mendonça, Simone e Simaria e Maiara e Maraísa apareceram no mercado.

“O sertanejo sempre foi o nicho mais machista da música. Nós temos muitos exemplos femininos no samba, na MPB, mas antes de mim, e agora das meninas, tínhamos poucos nomes de mulheres que fizeram carreira no sertanejo, como Inezita Barroso e Nalva Aguiar. Tenho orgulho de ver as novas cantoras ocuparem um espaço tão grande hoje”, afirmou Roberta.

A artista, que promove o DVD ‘Os tempos mudaram’, afirmou que “tudo mudou” em sua visão. “Quando comecei na música, aos 18 anos, era inconcebível uma mulher nordestina ser consagrada pelo povo como rainha de música sertaneja, que até então era dominada pelas duplas ‘bota e chapéu’. Hoje temos uma onda de meninas no sertanejo, minhas sementinhas, como gosto de chamá-las”, disse.

Apesar do cenário desfavorável, Roberta Miranda disse que nunca deixou que o preconceito a tirasse de jogo. “Algumas pessoas sugeriram parcerias para gravar minhas composições. Respondi: ‘Não, querido, a música é minha! Posso não ter dinheiro nem para comer, mas quero meu nome rodando’. Mostrei meu valor pelo meu trabalho. Também ouvi bobagens, como ‘O que essa mulher está fazendo aqui?’, até de músicos da minha banda. Cheguei a mandar gente embora por causa disso”, afirmou.

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Com relação às novas cantoras do chamado “feminejo”, Roberta Miranda disse que sente “carinho” e “amor” por cada uma delas. “Elas têm consciência de tudo que fiz pelas mulheres nesse mercado, o quanto lutei, falei e insisti que faltavam vozes femininas no sertanejo. Elas podem contar comigo, e sabem disso. Aqui não tem concorrência, aqui tem uma mãe de braços abertos e orgulhosa por deixar um legado para elas”, comentou.

A artista revelou que se considera feminista. “Se por feminismo entende-se lutar pelo espaço de mulher, buscar o respeito e tratamento igualitário, então sim, sou feminista. Mas não sou a favor de colocar os homens para baixo, de magoá-los ou fazer com eles o que eles fizeram com a mulher”, afirmou.

Por Igor Miranda (@silvercm)