Pedra Letícia – “Não somos os Mamonas Assassinas”

Fabianinho, Cambota e Thiago

Fabianinho, Cambota e Thiago

RIO – Onze de setembro é marcante para a banda Pedra Letícia: foi nessa data, há três anos, que o grupo de Goiânia formado por Cambota (voz e violão), Thiago (percussão) e Fabianinho (violão e baixo) fez um show “apoteótico”, nas palavras deles. Era também o dia em que o bar Falange – palco das primeiras apresentações dos futuros artistas – fechava as portas. Depois, migraram com fãs e instrumentos para outro espaço, onde um anônimo registrou, em vídeo, o rock irreverente com um quê de Mamonas Assassinas.

O clipe amador da música “Como que ocê pôde abandoná eu?” parou no Youtube e virou hit da internet. Com um número de acessos ultrapassando cinco milhões de visitantes e agenda cheia para apresentações pelo interior do Brasil, não demorou muito para serem “pescados” por uma gravadora.

De acordo com os músicos, outras grandes companhias tentaram adicioná-los ao elenco, mas a EMI foi a única que não quis fazer dos meninos uma cópia barata dos Mamonas Assassinas. Mesmo assim, com um repertório que traz letras pra lá de irreverentes, impossível não compará-los à trupe de Dinho.

O vocalista Fabiano Cambota se incomoda com a comparação. Admite que no início tenha adotado uma postura parecida com a de Dinho, mas não gosta do paralelo.

Mamonas é só mais uma das nossas influências. Escutamos muito Ultraje a Rigor, Dr. Silvana & Cia, Blitz, Paralamas do Sucesso, bandas que também tinham músicas engraçadas. Nossa opção pela EMI aconteceu porque outras gravadoras queriam que até nosso figurino fosse como o dos Mamonas – diz Cambota.

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Durante o show assistido pelo O GLOBO ONLINE esta semana, Cambota, Thiago e Fabianinho fizeram questão de dizer que o grupo não é “sertanejo”, apesar de ter sido formado na terra de Zezé Di Camargo e Luciano. Em algumas músicas, aparecem duetos vocais que fazem lembrar os das duplas famosas. E, produzidos demais (por Marcelo Sussekind), os arranjos também escorregam no óbvio. Mas, acreditem, ao vivo, a Pedra Letícia é rock’n’roll.

Até mesmo em “Em plena lua de mel”, releitura do clássico de Reginaldo Rossi que está no CD, a banda agita. Diversão garantida é quando Cambota canta o refrão em “diversos idiomas”: inglês, espanhol, francês, japonês e árabe (neste último, ele cita Osama Bin Laden).

No show desta terça-feira, no bar Na Mata Café, em São Paulo, os músicos receberam o “Rei do Brega” para uma participação.

Agora, por onde eu passo, faço propaganda desses meninos – comentou Rossi, que começou a carreira tocando rock e atacou de “Have you ever seen the rain”, do Creedence Clearwater Revival no palco.

O encarte do CD de estréia do Pedra Letícia traz uma foto de Reginaldo Rossi, primeira pessoa que os músicos encontraram quando chegaram ao Rio de Janeiro, no início do ano. Eles vieram à cidade para gravar o disco e, no aeroporto, deram de cara com o ídolo.

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Ele estava fumando um cigarro. Fomos lá falar com ele e mostramos a camiseta que tínhamos com seu nome. Quando falamos para a gravadora que queríamos convidar o Reginaldo Rossi, ligaram e ele se lembrou do encontro – lembra o vocalista.

No show, a Pedra Letícia parodia o sucesso de Kelly Key, “Baba baby” (“Agora emagreci você quer me namorar…”), faz versão de “Sandra Rosa Madalena” (Sidney Magal) e interpreta músicas próprias. Entre elas, está “Teorema de Carlão”, dedicada ao roadie da banda. Antes de começar a canção – que ensina o ouvinte a “pegar uma baranga” – Cambota chama Carlão ao palco para apresentá-lo. Em entrevista, o trio conta que o roadie era sócio do percussionista (Thiago) no bar Falange.

Carlão só pega baranga. Ele não esconde a opção – entrega Thiago.

Mas o repertório da Pedra Letícia não foi sempre de “brincadeiras”. No início, a banda até que tentou tocar música “séria”.

Na época do Falange, a gente começava tocando “Magamalabares”, sucesso de Marisa Monte, e acabava esculhambando tudo. Começávamos a beber no início e fazíamos até quatro horas de show. Costumo falar que tocamos de Led Zeppelin a Reginaldo Rossi. Mas percebemos que a galera passou a chegar duas da manhã, porque queria ver a segunda parte do show – conta Cambota.

“Eu não toco Raul” já rendeu até crítica de Zeca Baleiro, que recentemente lançou “Toca Raul”, uma canção-homenagem a Raul Seixas. Foi o que disseram para o vocalista da Pedra Letícia.

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Um jornalista ligou para o Zeca (Baleiro) e perguntou sobre a música. Ele disse que achou a letra preconceituosa. Achei legal ele ter ouvido, porque sou fã do Zeca. Só não acho que seja preconceito, porque a letra não fala mal do Raul. A idéia foi estereotipar o fã que grita durante os shows. Se for levar tudo tão a sério, quando ouvirem nosso disco todos vão dizer que temos preconceito contra gordinhas, mulheres, Goiânia… – defende-se Cambota.

Rodando o Brasil – a banda já passou por Rondônia, Paraná, Minas Gerais… -, os integrantes da Pedra Letícia hoje vivem de música (Cambota e Fabianinho davam aulas de inglês anteriormente) e contam com apoio de parentes e amigos. O irmão de Cambota, o médico Rodolfo, assumiu o posto de empresário. A rotina e os horários mudaram e agora eles não bebem mais.

Paramos de beber. A gente está fazendo cerca de três shows por semana e não dá para agüentar o dia seguinte de uma bebedeira – diz Cambota.

A música “Teorema de Carlão” já está tocando em rádios no Rio, mas a banda ainda não tem previsão de shows na cidade. Ah, e quem tiver cusiosidade sobre o o nome Pedra Letícia, o grupo garante não ser inspiração específica. Será?

Reportagem de Christina Fuscaldo

Fonte: O Globo

Site Oficial da Banda