Senado convida cantores para debater criminalização do funk

Funkeiros foram convidados por Romário Faria, relator da proposta (Rp./Facebook)

Funkeiros foram convidados por Romário Faria, relator da proposta (Rp./Facebook)

O senador Romário Faria (PSB-RJ) convidou uma série de cantores de funk para participar de uma audiência pública sobre a ideia de lei que propõe criminalizar o estilo musical no Brasil. O anúncio foi feito por meio do perfil do político e ex-jogador de futebol, sorteado para ser o relator da proposta, no Facebook.

Os artistas convidados por Romário Faria são: Anitta, MC Marcinho, Cidinho e Doca, MC Koringa, MC Bob Rum, Valesca Popozuda, Buchecha e Tati Quebra Barraco. Os antropólogos Hermano Vianna e Mylene Mizrahi, a produtora de eventos Carol Sampaio e o autor da ideia de lei, Marcelo Alonso, também foram chamados pelo senador.

Romário Faria se declarou contra essa proposta, definindo-se como “um carioca nato e um eterno funkeiro”. “Além de ser inconstitucional, por atentar contra a liberdade de expressão, o funk tira pessoas do desemprego, gera renda e movimenta a economia. Como bem disse a presidente da comissão, senadora Regina Sousa, o funk começou no Rio de Janeiro, mas ganhou o Brasil. Se tornando mais um ritmo musical que expressa a identidade de uma grande parcela da população”, disse.

Entre os artistas convidados para a audiênica, Anitta é quem mais se destacou, recentemente, ao falar sobre a proposta de criminalização do funk. Pelo Twitter, ela criticou o argumento da ideia de lei. “Tá tudo ok com o Brasil já? Achei que tivesse coisa mais séria para se preocupar do que com um ritmo musical que muda a vida de milhares. O funk gera trabalho, gera renda pra tanta gente. Uma visitinha nas áreas menos nobres do nosso país e vocês descobririam isso rápido”, publicou ela.

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Até o momento, os artistas citados não revelaram se comparecerão à audiência.

O que diz a ideia de lei

No texto da ideia de lei, Marcelo Alonso afirma: “São somente (o funk) um recrutamento organizado nas redes sociais por e para atender criminosos, estupradores e pedófilos a prática de crime contra a criança e o adolescente, venda e consumo de álcool e drogas, agenciamento, orgia, exploração sexual, estupro e sexto grupal”.

Ideias de lei podem ser enviadas por qualquer pessoa, por meio do site do Senado. Caso receba 20 mil assinaturas dentro de quatro meses, a proposta é encaminhada à relatoria da CDH, que pode ou não dar sequência ao debate. A obtenção de tantas assinaturas não quer dizer que a lei será aprovada.

Entrevistado pelo UOL, o autor da ideia de lei, Marcelo Alonso, disse que pensou na proposta após o Facebook suspender a página que ele mantinha contra o funk. “O Mark (Zuckerberg, criador do Facebook) mandou fechar a minha página por causa do que postamos lá. Mas se o funk for crime, vão ter que obedecer, porque é lei. Estou apenas defendendo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)”, afirmou.

O empresário afirmou, ainda, que quer salvar a juventude brasileira de forma democrática por meio da ideia de lei. “O funk faz apologia ao crime, fala em matar a polícia. Sou pai de família e se eu não me preocupar com o futuro, amanhã só teremos marginais”, disse.

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Por Igor Miranda (@silvercm)

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