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O lado controverso de John Lennon, que confessou ter desejo pela mãe

John Lennon tem um lado controverso, embora seja, muitas vezes, relacionado ao pacifismo. Uma parte disso aparece na relação familiar do garoto de Liverpool, que viraria ícone do rock britânico e mundial com os Beatles, e envolve a mãe dele: Julia Lennon.

Na biografia ‘John Lennon: A Vida’, que foi lançada em 2009 pelo escritor inglês Phillip Norman, detalha a infância e adolescência de Lennon. Filho de Alfred Lennon e Julia Stanley, John Lennon acabou sendo criado pela tia Mimi, nascida Mary Elizabeth Stanley. 

O motivo para esse distanciamento da mãe começou com a frequente ausência do pai de John Lennon, que trabalhava como marinheiro mercante e viajava durante os primeiros anos de vida do cantor e compositor. 

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Sozinha em casa com o filho, Julia acabou se envolvendo com outro homem e se separou de Alf, como ele era conhecido. Julia e o futuro beatle passaram a morar com o novo parceiro dela, John Albert “Bobby” Dykins, mas a vida em família não durou muito. 

De volta à Inglaterra, Alf tentou levar John com ele para morar na Nova Zelândia, conforme conta Norman na biografia. Inicialmente, Julia concordou que pudesse ser uma boa alternativa para o filho e mostrou-se favorável à mudança. 

O menino parecia também concordar com a ideia, mas quando viu a mãe indo embora, mudou de ideia. Foi assim que teve de escolher entre Alf e Julia – e preferiu Julia.

No entanto, semanas depois, Julia decidiu entregar de vez o pequeno John para a rigorosa Mimi, que cuidou dele da infância até a adolescência.

John Lennon e o desejo sexual pela mãe

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Apesar de não morar com a mãe, John Lennon fazia visitas à casa dela em Liverpool – e foi numa dessas ocasiões que a cena mais estranha entre os dois aconteceu.

Também narrada no livro, a situação foi contada pelo próprio John Lennon. O cantor e compositor mantinha diários em áudio e, em uma das gravações, ele contou como tocou o seio da mãe e teve vontade de fazer algo mais com ela.

Na fita, Lennon refletia sobre como a cultura de cada país define o comportamento e as regras morais das pessoas, quando citou o episódio, que ele disse ter acontecido quando ele tinha 13 ou 14 anos.

“É fácil ser você mesmo em um país estrangeiro. Acho que é por isso que tantas pessoas dão uma pirada”, iniciou ele. “Bem, é mais fácil pensar do que falar e eu estava justamente lembrando de quando coloquei minha mão no peito da minha mãe”, acrescentou.

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O músico continuou: “Eu tinha uns 14 anos de idade… faltei na escola e estava passando o dia na casa dela. Estávamos deitados na cama e eu me perguntava se devia fazer algo mais. Foi estranho porque na ocasião eu estava com tesão, como dizem, por uma mulher de classe um tanto inferior que morava do outro lado da rua. Sempre achei que devia ter feito. Presumivelmente, ela teria permitido”.

Por fim, ele ainda recorda que, antes desse episódio, viu a mãe fazendo sexo oral em Dykins, a quem ele chamava de Twitchy por conta de um tique físico e tosse nervosa que ele tinha.

“Também me lembro de tê-la visto se abaixar para Twitchy. Ela estava debaixo dos lençóis e eu vagueando pela casa, porque eu estava ficando por lá. Isso foi na mesma época, com 13 ou 14 anos, tanto faz”, relatou Lennon. “Não consigo lembrar exatamente o que senti… Chocante, eu sei, mas naquela época provavelmente não pensei assim”, concluiu.

Ouça a gravação do diário de John Lennon: 

A trágica morte de Julia Lennon

John Lennon tinha 17 anos quando Julia morreu. Na tarde de 15 de julho de 1958, ela foi visitar Mimi para tomar chá e conversar. Ao sair da residência por volta das 21h30, ela foi atropelada enquanto caminhava em direção ao ponto de ônibus.

Socorrida ainda com vida, Julia foi levada ao Hospital Geral de Sefton, mas não resistiu. 

John não havia passado o dia em casa e, por isso, não chegou a ver a mãe com vida naquele dia. Ele a esperava na casa dela, em Blomfield Road, e recebeu a notícia de um policial que bateu na porta da residência.

“Foi a pior coisa que já me aconteceu. Tínhamos nos aproximado tanto, eu e Julia, em apenas alguns anos. Conseguíamos nos comunicar”, lamentou John em outra passagem de um diário em áudio, que é citado no livro de Norman. 

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“Nos dávamos bem. Ela era genial. Pensei: ‘p*rra, isso f*deu realmente tudo, já não tenho responsabilidade com mais ninguém’”, concluiu o cantor.

‘Julia’, a música

Como é de se imaginar, essa relação conturbada de John Lennon com os pais afetou a música dele. Ambos são citados pelo ex-beatle em ‘Julia’, a última faixa da primeira parte do ‘White Album’. 

Um trecho diz: “Mãe, você me teve mas eu nunca a tive. Eu te quis. Você não me quis. Então eu só tenho que te dizer adeus. Pai, você me deixou, mas eu nunca o deixei. Eu precisei de você. Você não precisou de mim”.

Ouça ‘Julia’:

O Garoto de Liverpool

O filme ‘O Garoto de Liverpool’ (‘Nowhere Boy’, 2009) retrata a faceta adolescente de John Lennon e também ajuda a desconstruir a imagem de paz e amor que o definiu no fim da vida. 

Focado justamente nas relações familiares, o longa deixa clara a influência de Julia, que comprou o primeiro violão do cantor. Julia e Mimi se revezam no papel de mãe do eterno beatle. 

Embora seja mais um recorte da vida íntima e menos da parte musical, o filme mostra como John, Paul McCartney e George Harrison se reuniram e começaram a dar início aos Beatles.

Uma boa indicação para qualquer fã do quarteto britânico. 

Veja o trailer: