Fotos: reprodução / Instagram e YouTube

Anitta critica Regina Duarte por entrevista: ‘enaltecer tempos de ditadura me causa medo’

Por meio de suas redes sociais, a cantora Anitta fez críticas à secretária da Cultura do governo federal, Regina Duarte, após uma entrevista concedida à CNN Brasil na última quinta-feira (7). A participação da secretária e atriz ao telejornal ‘360°’ causou polêmica e foi bastante comentada nas redes sociais.

Primeiro, Regina minimizou as mortes ocorridas durante a ditadura militar e chegou a cantar um trecho da música ‘Pra Frente Brasil’, associada ao regime. Após conceder outras declarações que também repercutiram, ela abandonou a entrevista assim que uma fala da também atriz Maitê Proença, cobrando uma comunicação maior da secretaria da Cultura com a classe artística.

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Anitta foi apenas uma entre os vários artistas que repercutiram, negativamente, a entrevista de Regina Duarte à CNN Brasil. A cantora destacou que a postura da secretária foi “grosseira”, afirmou que ela deveria “escutar também os lados que pensam diferente” e apontou: “se recusar a ouvir uma opinião contrária logo depois de enaltecer os tempos de ditadura me causa muito medo”.

Em seu texto, Anitta disse ainda que “cultura no Brasil vai muito além do ballet clássico, das orquestras sinfônicas e dos livros de poesia”, incluindo trabalhos mais populares nesse quesito. Ela também destacou que verbas destinadas ao entretenimento não estão sendo utilizadas agora, devido à pandemia, mas que não foi divulgado até agora o que está sendo feito com esse dinheiro. “Seu cargo só governa para quem pensa semelhante à senhora? E as famílias que perderam parentes com a doença? Como se sentiriam ouvindo um depoimento de quem faz pouco caso do momento?”, questionou.

Leia a fala de Anitta para Regina Duarte na íntegra:

“Vejo que a senhora me segue aqui no Instagram e gostaria de dizer algo como cidadã. Assisti sua entrevista na CNN e já vi em alguns lugares que não foi combinado uma entrevista ao vivo etc e etc, mas, falando como artista que já passou por isso algumas vezes (se é que realmente foi isso), acho que haveria mil outras formas de se pronunciar sem ser grosseira com os demais.

Uma pessoa que aceita assumir a secretaria de cultura está aceitando trabalhar para o povo, isso significaria escutar TAMBÉM os lados que pensam diferente da senhora e colocar sua posição sobre a questão. Se recusar a ouvir uma opinião contrária logo depois de enaltecer os tempos de ditadura me causa muito medo. Até porque eu e muitos dos meus amigos seríamos os primeiros censurados caso esse regime voltasse ao Brasil e nós continuássemos no exercício do nosso trabalho.

Gostaria de dizer que a cultura no Brasil vai muito além do ballet clássico, das orquestras sinfônicas e dos livros de poesia (que também são incríveis e tem seu imenso valor). Governar apenas para os que te causam afeição não é governar para o povo.

Não seria mais inteligente responder com calma e sabedoria o que tem sido feito pela classe cultural em virtude dos acontecimentos do covid-19? Aliás, o que tem sido feito? Todas as prefeituras do Brasil possuem verbas de entretenimento para o povo. Agora, que não estão sendo utilizadas, pra onde está indo esse dinheiro?

A senhora não poderia tentar fazer com que ele estivesse indo para os trabalhadores da indústria que estão sofrendo com o momento? Por mais que a senhora não tenha medo do vírus, não deveria trabalhar também para os que têm e estão levando a situação a sério?

Seu cargo só governa para quem pensa semelhante à senhora? E as famílias que perderam parentes com a doença? Como se sentiriam ouvindo um depoimento de quem faz pouco caso do momento? Onde está a empatia? Meu intuito aqui não é insultar e sim questionar.”

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Igor Miranda é jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical.

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