Foto: Divulgação

Morte de Cássia Eller: a partida inesperada que virou caso de polícia

Como canta Renato Russo em ‘Love In The Afternoon’: “os bons morrem jovens”… e foi assim que partiu uma das vozes mais inconfundíveis da música brasileira. A morte de Cássia Eller aconteceu aos 39 anos de idade da cantora, que não resistiu depois de sofrer três paradas cardíacas, e deixou o Brasil estupefato com a partida precoce e inesperada.

Conforme noticiado na época, a cantora Cássia Eller teria chegado ao hospital “com quadro de desorientação e agitação”, que evoluiu “rapidamente para depressão respiratória e parada cardiorrespiratória”.

A condição levou alguns a associarem a morte ao consumo de drogas, o que a família batalhou para provar que não tinha sido o caso e afirmou que, na verdade, tinha ocorrido um erro no atendimento da artista.

Foi assim que a morte da mulher que só pedia a Deus “um pouco de malandragem” acabou se tornando um caso de polícia.

Últimos momentos de Cássia Eller

Naquele fatídico dia, reclamando de enjoos e mal-estar, Cássia Eller foi levada para a clínica Santa Maria, no bairro de Laranjeiras, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro.

Ela foi internada na unidade coronariana e chegou a ficar no CTI (Centro de Terapia Intensiva), sem apresentar melhora. Durante a tarde, o quadro dela se agravou e a equipe médica precisou tentar manobras de ressuscitação. Foram três, mas não surtiram efeito.

Por volta das 18h, a situação da cantora ficou ainda mais delicada. Ela não resistiu e teve a morte registrada às 19h05. Era 29 de dezembro de 2001.

Causa da morte de Cássia Eller

Sem causa divulgada oficialmente, os rumores davam conta de que o falecimento da cantora, que estava na ativa e aparentemente saudável, teria tido relação com abuso de drogas.

Empresário da cantora, Ronaldo Villas negou o uso de entorpecentes e disse à imprensa que a parada cardíaca poderia ter relação com o excesso de trabalho. “Em sete meses, fez mais de cem shows”, afirmou ao jornal ‘Folha de S. Paulo’ na ocasião.

O caso da morte de Cássia Eller passou a ser investigado pela 10ª DP (Delegacia de Polícia) de Botafogo. Começava ali a batalha na Justiça pelo desfecho da história de uma das maiores cantoras do Brasil.

Longe das drogas

Em entrevista meses antes, Cássia Eller abriu o jogo sobre a dependência química e contou ter tido problemas para largar a cocaína, mas garantiu que estava longe das drogas. “Fiz um tratamento de desintoxicação, que durou de 98 a 2000. Encontrei Jesus, sigo com ele, limpinha”, afirmou.

Veja também:
Presidente da Funarte que ligou rock a aborto e satanismo é demitido

“Estava me atrapalhando muito, a ponto de perder compromissos. Tinha criança dentro de casa, minha mulher não estava gostando. Fui eu mesma que quis fazer, foi legal”, acrescentou.

O laudo toxicológico do IML apontava o que a família dizia: não havia álcool ou drogas no organismo da cantora. A causa da morte foi deixada como “enfarte agudo do miocárdio”.

Anos depois, a “vitória” da família: o Ministério Público do Rio de Janeiro apontou que houve erro médico no tratamento da cantora e que algum medicamento administrado no hospital tenha agravado o caso dela.

“Não há nenhuma prova, em hipótese nenhuma, de que ela estivesse sob o efeito de álcool ou de drogas”, afirmou o advogado da família, Marcos André Campuzano.

Por decisão da 5ª Promotoria de Investigação Penal, a morte foi provada como natural e o caso foi arquivado sem culpar o hospital, que, segundo a promotora Renata Maria Cabo, deu atendimento de “forma técnica e adequada”.

Cássia Eller deixou a companheira, Maria Eugênia, e o filho, Francisco Eller, que tinha oito anos na época e a quem ela carinhosamente chamava de Chicão.