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Caetano Veloso diz que nunca exaltou sistemas socialistas: ‘sempre odiei’

Caetano Veloso buscou esclarecer suas posições políticas durante seu novo documentário, ‘Narciso em Férias’, que aborda o período de sua prisão durante a ditadura militar. No filme, que está disponível no Globoplay, ele diz que nunca exaltou sistemas socialistas.

Essa era, inclusive, uma das acusações feitas pelo regime militar ao prendê-lo, junto de Gilberto Gil, em dezembro de 1968. A informação consta na transcrição de seu interrogatório, ao qual Caetano teve acesso e leu diante das câmeras do documentário.

“Nunca exaltei os sistemas socialistas. Nem quando tinha 15, nem 17, nem 23, nem 34. Sempre odiei”, afirmou, inicialmente, conforme transcrito pelo site ‘Metrópoles’.

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Em seguida, o cantor destaca que se aproximou dos conceitos liberais porque não compactuava com os ideais socialistas. “Fui até ler os grandes autores liberais, por causa do meu problema com esse negócios. Até hoje não aceito programa de futuro nem proposta de rearranjo da sociedade sem os princípios liberais”, disse.

Segundo ele, há algo nos sistemas socialistas que está próximo até mesmo da ditadura militar que o puniu com prisão e exílio naqueles tempos. “Esse negocio de partido único, mandar prender, (colocar) quem discorda na cadeia, prisão política, sou contra”, declarou.

Caetano Veloso, socialismo e liberalismo

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O assunto foi retomado durante entrevista de Caetano Veloso ao ‘Conversa com Bial’, programa de Pedro Bial na TV Globo, na última sexta-feira (4). A passagem transcrita acima foi exibida na atração e Caetano comentou que tende a respeitar mais os regimes socialistas, mas nunca louvou nenhum deles.

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“Achei engraçado eu me ouvindo, isso foi gravado há pouco tempo. E eu digo que nunca louvei em nenhuma medida nenhum Estado socialista, o que é verdade. Hoje eu tendo mais a respeitá-los, pelo menos. Eu mudei quanto a isso. Eu sou menos liberaloide do que eu era até dois anos atrás”, disse.

O cantor explica que essa mudança de posicionamento, agora mais avesso ao liberalismo, é uma “reação ao mundo muito reacionário que se instaurou no Brasil”. Em seguida, ele critica até mesmo Pedro Bial, por dizer que comunismo e nazismo são “Igualmente horríveis”. “Essa equalização das experiências socialistas com o nazismo eu não engulo mais. Não gosto mais. ‘A extrema esquerda é igual à extrema direita’. Não acho mais. Não consigo”, afirmou.

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Igor Miranda é jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical.

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