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Sheilas burras? Jacaré gay? Dançarinos do É o Tchan falam do preconceito que sofreram

O grupo É o Tchan foi um enorme fenômeno de popularidade na década de 1990. Além das músicas de pagode baiano apresentadas pelos cantores Beto Jamaica e Compadre Washington, a banda era notável por seus bailarinos, como Jacaré, Carla Perez (1995 a 1998), Débora Brasil (1994 a 1997), Scheila Carvalho (1998 a 2005) e Sheila Mello (1998 a 2003).

Em entrevista ao programa ‘Altas Horas’, da TV Globo, Jacaré, Scheila Carvalho e Sheila Mello falaram sobre o outro lado da fama: o preconceito que sofriam por trabalharem com a dança. Os julgamentos discriminatórios contra eles aconteciam de diferentes formas.

Jacaré, inicialmente, revelou que recebia ofensas homofóbicas quando se apresentava fora da Bahia, estado natal do É o Tchan. De acordo com ele, algumas regiões do Brasil não estavam acostumadas com homens que dançavam.

“Na Bahia, não (sofria preconceito). Por dançar, rebolar, requebrar… não. Em Salvador, todo mundo dançava, todo mundo dança. Quando o grupo começou a ir para Sul, Sudeste, para a televisão, rede nacional, aí foi muito complicado. Sempre tinha aquela coisa de gritar ‘ah, olha o veado’… Recebi lata no joelho, recebi muita gritaria”, afirmou.

Foto: reprodução / Instagram

Em seguida, o ex-dançarino e coreógrafo, que hoje trabalha como ator no Canadá, completou: “Fico muito feliz de ver que o Brasil inteiro hoje dança, todos os homens requebrando, e espero que eu tenha contribuído para isso. Dançar é muito bom”.

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Sheila Mello e Scheila Carvalho

Sheila Mello destacou, por sua vez, que não notava preconceito ou atitudes negativas do público enquanto fazia parte do É o Tchan, pois todos eram “blindados” pela equipe de segurança. Ela começou a perceber a discriminação quando começou a estudar, fazendo cursos como artes cênicas, bioenergética e psicologia.

Scheila Carvalho e Sheila Mello (foto: reprodução / Instagram)

“Quando eu saí do Tchan, que fui fazer artes cênicas, depois fui para bioenergética e, depois, psicologia, eu vi o tamanho do preconceito. Como não tinha rede social, não era todo mundo que podia falar. Ninguém tinha coragem de falar. Então, só conheci esse preconceito, o tamanho dele, quando saí e fui pegando outros rumos e me deparando com outras pessoas”, afirmou.

Scheila Carvalho afirmou que o preconceito vivenciado por ela foi “regional”. A dançarina é natural de Juiz de Fora, cidade da zona da mata de Minas Gerais, e sua participação em um grupo baiano não foi bem vista por parte do público.

Sheila Mello e Scheila Carvalho (foto: reprodução / Instagram)

Além disso, Scheila entrou para o É o Tchan após um concurso realizado em rede nacional pelo programa ‘Domingão do Faustão’, da TV Globo. Ela foi finalista junto de Rosiane Pinheiro, que era baiana – e parte dos fãs preferiam que Rosiane conseguisse a vaga.

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“Sofri um pouco desse preconceito regional. A Rosiane era baiana e a Bahia inteira estava torcendo por ela. Nos primeiros shows com o É o Tchan, eu recebi muito urso na cara, tipo: ‘sai daí, sai daí’. Gritavam: ‘vem, Carla (Perez)'”, afirmou.

Ela precisou trabalhar duro e atuar de forma discreta para “marcar território” no É o Tchan. “Como uma boa mineira, fui só comendo pelas beiradinhas, comendo quieto e fui conquistando meu espaço”, disse.

Igor Miranda é jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical.