Foto: divulgação

Gusttavo Lima desabafa após restrição do Conar: ‘não farei live para ser censurado’

O sertanejo Gusttavo Lima desabafou, nas redes sociais, sobre a recente restrição imposta pelo YouTube a suas lives na plataforma. Por solicitação do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), que abriu uma representação ética contra o cantor, os vídeos dos shows “caseiros” realizados no dia 28 de março e no último sábado (11) apresentam uma mensagem onde o internauta deve se identificar e declarar ser maior de idade.

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Em suas lives, Gusttavo Lima fez propaganda para marcas de bebidas alcoólicas e as consumiu durante as transmissões. O Conar alega que o cantor não tomou as medidas necessárias para suas ações publicitárias (como avisar que são produtos para maiores de 18 anos e que devem ser consumidos com moderação) e estimulou “consumo irrespnosável”, ao promover “repetida ingestão de cerveja”.

Como resposta a essa situação, via Twitter, Gusttavo Lima afirmou, na noite da última quarta-feira (15): “Acho que o grande segredo da live é tirar o lençol do fantasma. Acho que uma live engessada e politicamente correta não tem graça.

Para Gusttavo Lima, “o bom das lives são as brincadeiras, a vontade, levar alegria alto astral para as pessoas que estão agoniadas nesse momento”. Por fim, concluiu: “Não farei live pra ser censurado”.

Em outra publicação, o artista continuou: “Juntos, ajudamos muitas pessoas. Foram toneladas de alimentos e arredações… fizemos nosso papel, Deus abençoe a todos!”.

Quando um internauta pediu uma terceira edição da live ‘Buteco em Casa’, Gusttavo Lima respondeu que as transmissões de shows não devem mais acontecer. “Acho que não rola mais, enfim… nos encontramos em breve”.

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Antes do Conar ter revelado o processo, na madrugada de quarta-feira (15), Gusttavo Lima já havia se manifestado, também pelo Twitter, para rebater as críticas relacionadas ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas durante as lives. Ele exaltou o intuito beneficente das transmissões, que arrecadaram doações para famílias que estão em situação de fragilidade em meio à pandemia.

“Os artistas estão procurando uma forma de interagir com os fãs e com o público em quarentena por meio das lives. Estamos prestando um grande serviço social por meio dessas lives”, disse o cantor, inicialmente.

“Além de shows ao vivo, estamos arrecadando e fazendo doações para entidades e pessoas carentes que neste momento passam por extrema necessidade… Estamos dividindo as nossas intimidades, mostrando ao público como é nossa vida fora dos palcos, compartilhando momentos únicos!”, completou o cantor, em outra mensagem.

Por fim, ele pontuou: “Àqueles que só criticam e não ajudam em NADA, vai um conselho: não precisam ajudar, mas não atrapalhem quem está procurando ajudar nossos irmãos necessitados”.

A ação movida pelo Conar

A representação ética do Conar contra Gusttavo Lima foi aberta, segundo o órgão, om base em “denúncias recebidas de dezenas de consumidores”. A instituição considera que as ações publicitárias “carecem de cuidados recomendados para a publicidade de bebidas alcoólicas”. As propagandas são feitas por intermédio da Ambev, fabricante de bebidas.

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Embora tenha destacado o “formato inovador” para a publicidade por meio das lives, o Conar aponta que não houve restrição de acesso ao conteúdo para menores de idade. Além disso, o órgão destaca que Gusttavo Lima promoveu “repetida apresentação de ingestão da cerveja”, o que estimularia “consumo irresponsável”.

Durante a live do último sábado (11), o nome de uma cerveja patrocinadora apareceu com destaque na tela. Além disso, Gusttavo Lima consumiu não só a bebida em questão como outras, incluindo destilados. Muitos internautas apontaram que, nas duas transmissões ao vivo, o artista ficou visivelmente alcoolizado.

Dessa forma, a partir desta quarta-feira (15), ambas as lives de Gusttavo Lima apresentam restrição de acessos. Para assistir ao conteúdo no YouTube, é necessário estar identificado na plataforma e declarar ser maior de idade.

Em comunicado divulgado para a imprensa, a Ambev reforçou a relevância e o pioneirismo das lives e afirmou que mantém “o cuidado de assegurar as medidas de higiene e distanciamento social e com a devida orientação prévia aos artistas sobre as regras do Conar de publicidade de bebidas”. A empresa garante ter orientado os artistas com guias, destacando as regras, mas que “de forma totalmente espontânea, algumas orientações não foram seguidas”.

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Conar e Pabllo Vittar

No início deste ano, por intermédio do Conar, o YouTube também aplicou uma restrição para assistir ao clipe de ‘Parabéns’, de Pabllo Vittar e Psirico devido a uma propaganda de bebida alcoólica não ter sido apresentada de forma devida, respeitando as regras do Conar. Desde a mudança, a plataforma de vídeos passou a exigir que o usuário se identifique e declare ser maior de idade para ter acesso ao videoclipe.

Na ocasião, Pabllo Vittar afirmou pelas redes sociais que foi vítima de “censura seletiva”. A artista argumenta que outros cantores também fazem clipes com cenas semelhantes – mostrando consumo de bebidas alcoólicas –, mas não sofrem a mesma restrição.

“Recebemos uma restrição de idade no clipe de ‘Parabéns’ porque estou segurando um copo de vodca. Sendo que já havia uma mensagem dizendo ‘beba com moderação’. Mesmo assim, restringiram. […] A gente sabe que tem vários outros clipes muito mais nocivos, com conteúdos muito mais explícitos, e não são restritos, mas atacam a drag queen a torto e a direito. […] Diga não à censura seletiva”, disse Pabllo, na época.

Em resposta, o Conar declarou que a decisão foi tomada por unanimidade e que “Pabllo Vittar optou por não se defender, ainda que regularmente comunicado pelo Conar”.

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Igor Miranda é jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical.

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