Foto: Alex Santana / divulgação

Anos depois, Preta Gil diz entender crítica do pai a nudez em capa de disco

Preta Gil, filha do então ministro da Cultura, Gilberto Gil, lançou seu primeiro disco de estúdio, ‘Prêt-à Porter’, em dezembro de 2003, e chamou atenção já pela capa. Na imagem que estampa o álbum, a cantora aparece nua, com um laço que omite parte de seu corpo. No encarte, há outros cliques em que a artista realmente está sem roupas, mostrando os mamilos.

O álbum vendeu cerca de 20 mil cópias na época de seu lançamento, o que foi considerado um bom resultado comercial. Porém, o ensaio fotográfico gerou controvérsia. E não só entre o público em geral, como, também, dentro de casa: Gilberto não gostou nada da arte escolhida pela filha para estampar o disco.

Capa de ‘Prêt-à Porter’, primeiro disco de estúdio de Preta Gil (Foto: divulgação)

Na época, Preta via a reação do pai como “caretice”. Porém, após 17 anos, ela afirma entender a interpretação de Gilberto Gil. Em entrevista concedida durante uma live com Antonia Frerig, ela falou sobre o assunto.

“Quando fiz meu primeiro álbum, me senti renascendo. (…) Quando a gente estava fazendo as fotos, me achei careta. Eu, filha de tropicalista que já vi tantas coisas incríveis, achei que isso não tinha nada a ver com o disco. Propus: posso ficar pelada? Amei, achei a cara do que queria dizer”, afirmou, conforme transcrito pelo ‘Uol’.

Capa e imagem do encarte de ‘Prêt-à Porter’, primeiro disco de estúdio de Preta Gil (Foto: divulgação)

Ao mostrar as fotos para o pai, veio a reação negativa. “Peguei as fotos e mostrei para o meu pai. Perguntei se ele gostou e ele disse: ‘desnecessário, Preta, não vai ser bom, você vai desvirtuar, tirar a atenção da música para a história da capa'”, contou.

Na época, Preta Gil enxergou a crítica do decano da MPB como algo “conservador”, até mesmo “careta”. Todavia, quando o álbum foi lançado, boa parte dos jornalistas tratou de comentar apenas sobre a nudez na capa e não sobre as músicas.

“Entendi por que ele falou aquilo. De fato, em uma sociedade machista, gordofóbica, homofóbica, racista que a gente vive, as pessoas viram aquela capa e disseram, ‘isso é nitroglicerina pura'”, declarou.

Preta diz que, hoje, tem uma relação positiva com sua forma física e entende que o feminismo deve continuar sendo discutido. “Durante muitos anos, eu achei que para ser aceita, para ser amada, para ser bem-sucedida, eu tinha de ser magra, branca e fina, uma menina toda certinha. Perdi minha espontaneidade e minha espontaneidade”, comentou.

A entrevista pode ser conferida, na íntegra, no vídeo a seguir:

Preta Gil e a ajuda a outras mulheres

Em 2004, durante entrevista ao jornal ‘Folha de S. Paulo‘, Preta Gil se mostrou bastante satisfeita com a capa de ‘Prêt-à Porter’. Ela afirmou que a imagem serviu até mesmo para ajudar outras mulheres a se identificarem com suas formas físicas.

“Tenho um site com mensagens que me esculhambam e deixo no ar porque acho ótimo. Tem também gente que fala: ‘Você mudou minha vida. Sou gordinha, não botava maiô há dez anos e ontem fui à praia’. Tem marido falando: ‘Minha mulher não transava de luz acesa porque era gordinha. Obrigada, porque agora ela se acha o máximo’. Isso tudo me rendeu um programa de TV”, disse, citando o programa ‘Caixa Preta’, na Band.

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Igor Miranda é jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical.

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