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Rebeldes: a versão brasileira da banda, com Chay Suede, Sophia Abrahão e mais

No longínquo ano de 2011, os Rebeldes ganhavam uma versão no Brasil e apresentavam Chay Suede, Sophia Abrahão, Micael Borges, Lua Blanco, Arthur Aguiar e Mel Fronckowiak ao público nacional.

Tudo começou com a adaptação brasileira da novela ‘Rebelde’, exibida pela Record entre 2011 e 2012. Aproveitando o sucesso da produção televisiva, surgiu a ideia de lançar um grupo musical inspirado pelo enredo. Para o nome da banda, apenas uma letra “s” a mais: Rebeldes.

Na trama da novela, os seis protagonistas formam uma banda: Alice (Sophia Abrahão), Carla (Mel Fronckowiak), Diego (Arthur Aguiar), Pedro (Micael Borges), Roberta (Lua Blanco) e Tomás (Chay Suede). O conceito também ganhou os palcos e as prateleiras de discos da vida real, pois o grupo fez turnês com shows lotados e lançou álbuns gravados em estúdio e DVDs ao vivo.

Com exceção de Chay Suede, todos os atores tiveram experiências na concorrente direta da Record, a TV Globo. Foram contratados pela emissora de Edir Macedo pelo desempenho nessas produções, considerado satisfatório, e pela aptidão para a música. Suede, por sua vez, chamou atenção após participar do talento show ‘Ídolos’ em 2010.

A música dos Rebeldes

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A novela estreou em março de 2011 e poucos meses depois, em setembro daquele ano, foi lançado o primeiro álbum da nova banda, autointitulado ‘Rebeldes’. O disco foi produzido por Rick Bonadio, que também criou boa parte das músicas ao lado de dois integrantes do NX Zero: o vocalista Di Ferrero e o guitarrista Gee Rocha.

O sucesso do Rebeldes enquanto grupo musical superou as expectativas: o álbum de estreia vendeu 120 mil cópias, ganhando disco de platina no Brasil. A música mais popular, ‘Do Jeito Que Eu Sou’, emplacou nas paradas nacionais. ‘Quando Estou do Seu Lado’ e ‘Depois da Chuva’ também saíram como singles.

De imediato, em outubro de 2011, o grupo Rebeldes caiu na estrada para fazer vários shows. A primeira apresentação foi realizada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e a tour percorreu capitais do Brasil. Como atração de abertura, a turnê contava com Manu Gavassi e João Victor.

Sucesso e correria

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Várias histórias dos tempos de Rebeldes são retratadas no livro ‘Inclassificável: Memórias da Estrada’, de Mel Fronckowiak. O sucesso da banda trazia, como consequência, uma intensa correria na estrada, com vários compromissos em cima e fora dos palcos. Aqueles seis jovens logo se tornaram popstars.

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Em entrevista ao canal de Sabrina Sato no YouTube, Sophia Abrahão revelou até mesmo um detalhe curioso da correria promovida pela agenda do Rebeldes: ela contava com a ajuda de Mel Fronckowiak para fazer o “número dois” nos banheiros dos camarins.

“Toda semana, a gente tinha shows sexta, sábado e domingo. A gente ia para camarins no Brasil inteiro, e são seis pessoas no camarim. Eu ficava com vergonha de fazer número dois, de todo mundo lá fora, de fazer cheiro. Ficava tímida. A Mel era parceira de entrar junto no banheiro, para fingir que a gente estava se maquiando. Ela ficava virada para a parede porque é desesperador fazer cocô na frente dos outros. Ela ficava no cantinho para ser minha cúmplice”, contou.

E dá para dizer que a fama subiu à cabeça dos integrantes do grupo? Pelo menos no caso de Lua Blanco, sim. Em entrevista à ‘Capricho’, ela falou sobre o assunto. “Subiu. Foi tudo muito rápido. Eu nunca tinha tido uma exposição tão grande. Não tinha respiro, era aquilo o tempo todo. A gente não via outra coisa, não tinha contato com a família para ver que a vida normal não era com as pessoas arrancando seu braço, seu cabelo… o sucesso me engoliu naquele momento. Quando terminou, fui entendendo. Mudei minha relação com meus fãs. Hoje somos amigos, parceiros”, disse.

DVD, segundo álbum e fim

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Em abril de 2012, o Rebeldes lançou seu primeiro álbum e DVD ao vivo, ‘Rebeldes: Ao Vivo’. O material foi gravado durante shows em São Paulo para um público de 7 mil pessoas e trouxe não apenas as canções do grupo, como, também, covers do porte de ‘Firework’ (Katy Perry), ‘Last Nite’ (The Strokes) e ‘Born This Way’ (Lady Gaga). As vendas foram expressivas: o disco vendeu 40 mil cópias e o registro audiovisual, 50 mil unidades.

Apesar do sucesso do projeto, a Record optou por não esticar o Rebelde(s) durante tanto tempo. Dessa forma, a novela foi concluída em outubro de 2012. Dois meses depois, em dezembro daquele ano, foi lançado o segundo álbum de estúdio do grupo musical: ‘Meu Jeito, Seu Jeito’. Músicas como ‘Liberdade Consciente’ e a faixa-título fizeram sucesso, ainda que as vendas não tenham sido as mesmas do primeiro disco.

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Uma turnê de despedida foi anunciada para 2013, com alguns shows finais do Rebeldes. Na época, houve polêmica: rumores apontavam que Arthur Aguiar estava de saída do grupo.

Posteriormente, Aguiar confirmou, pelo Instagram, que realmente estava deixando o Rebeldes para se dedicar à banda F.U.S.C.A. e à novela ‘Dona Xepa’, mas que cumpriria a agenda marcada até então. Ele só estaria ausente do último show – que acabou sendo cancelado.

Dessa forma, a apresentação final do Rebeldes foi realizada em Belo Horizonte, no dia 4 de maio de 2013.

Reações diferentes?

Fotos: reprodução / Instagram

Em maioria, os integrantes do Rebeldes se lembram com carinho do período em que fizeram parte do grupo e da novela ‘Rebelde’. Em entrevista ao ‘Estrelando’, em 2019, Sophia Abrahão chegou a dizer que gostaria de fazer mais um show com o projeto. “Eu adoraria fazer um show, acho demais, mas a gente nunca conversou sobre isso. Foi uma fase muito feliz da minha vida”, afirmou, na ocasião.

O único que parece não falar sobre Rebelde(s) de forma aberta é Chay Suede. Contratado pela Globo em 2014, o ator e cantor chegou a dizer, em entrevistas a veículos da emissora, que sua primeira novela seria ‘Império’, naquele ano – ignorando o trabalho anterior. “(‘Império’) é a minha estreia, exatamente, estreia muito importante em uma novela muito importante”, afirmou ele, em entrevista ao ‘Vídeo Show’, na época.

Depois de Rebeldes

Como já citado, Chay Suede foi contratado pela Globo pouco tempo após o fim da novela ‘Rebelde’ e do grupo Rebeldes, já em 2014. Antes, ainda em 2013, ele lançou um álbum solo, autointitulado ‘Chay Suede’.

Na Globo, Suede atuou nas novelas ‘Império’, ‘Babilônia’, ‘A Lei do Amor’, ‘Novo Mundo’, ‘Segundo Sol’ e ‘Amor de Mãe’. Além disso, ele tem alguns trabalhos no cinema, nos filmes ‘Lascados’ e ‘Minha Fama de Mau’ – neste último, interpretando Erasmo Carlos em sua cinebiografia.

Sophia Abrahão também obteve destaque na Globo. Após trabalhar nas novelas ‘Amor à Vida’ e ‘Alto Astral’, ela retomou brevemente sua carreira na música, lançando um álbum autointitulado ‘Sophia Abrahão’ em 2015. Dois anos depois, em 2017, tornou-se apresentadora do ‘Vídeo Show’, função que ocupou até 2019, quando o programa acabou.

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Lua Blanco, por sua vez, trabalhou em filmes como ‘Turbulência’ e ‘Socorro, Virei Uma Garota!’ (2019), além de novelas como ‘A Força do Querer’, na Globo, e ‘Pecado Mortal’, na Record. Porém, ela se dedica mais à carreira na música, tendo lançado o ‘Mão no Sonho’ em 2016 e, posteriormente, várias versões de canções da bossa nova em estilo pop/eletrônico.

Micael Borges foi outro que apostou na carreira musical. Ele lançou três EPs – ‘Qual É o Andar da Felicidade?’ (2014), ‘Remixes’ (2014) e ‘Pra Elas’ (2016) –, além de vários singles. Ele voltou a ter um papel regular na TV em 2018, com a novela ‘O Tempo Não Para’, da Globo.

Mel Fronckowiak foi a responsável por lançar mais trabalhos em segmentos diferentes. Como já citado, ela se lançou como escritora com o livro ‘Inclassificável: Memórias da Estrada’, que narra experiências com o Rebeldes.

Ela também foi apresentadora do programa ‘A Liga’, da Band; é atriz do elenco da série ‘3%’, da Netflix; e participou do quadro ‘Show dos Famosos’, do ‘Domingão do Faustão’, na Globo, entre outros.

Por fim, Arthur Aguiar teve trabalhos tanto na música quanto na TV. Conforme mencionado anteriormente, ele pretendia deixar o Rebeldes para trabalhar em uma banda própria, chamada F.U.S.C.A. (Fazendo Um Som Com Amigos), junto de Guga Sabatiê, Taty Cirelli e o músico Digão Lopes. O álbum ‘Pra Todo Mundo Ouvir’ saiu em 2013.

No mesmo ano, Aguiar trabalhou nas novelas ‘Dona Xepa’ (Record) e ‘Em Família’ (Globo). Interpretou mais papéis na emissora global, em produções como ‘Malhação’, ‘Êta Mundo Bom’ e ‘O Outro Lado do Paraíso’.

O trabalho na música seguiu paralelamente, com um álbum solo, ‘O Que Te Faz Bem’, sendo lançado em 2016. Em recente desabafo nas redes sociais, a ex-mulher de Arthur, Mayra Cardi, disse que a carreira musical dele não deu certo, pois ele investiu todo o dinheiro que tinha e não obteve retorno. A afirmação foi feita após ela acusá-lo de cometer várias traições, rompendo em maio de 2020.

Igor Miranda é jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical.