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Saiba para onde vai e o que é feito com o dinheiro doado nas lives

As lives com shows de música se tornaram uma verdadeira febre entre o público brasileiro nas últimas semanas. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, muitos artistas passaram a promover shows em casa, transmitidos pela internet. Quase sempre, há um link para doações, onde o usuário pode destinar o valor que quiser para causas filantrópicas.

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Porém, nem todos ficam sabendo qual o destino dessas doações. Muitos artistas até divulgam pelas redes sociais, mas pode ser que o post tenha “passado batido” pelo fã.

Diante disso, uma reportagem do site ‘G1‘ buscou entrar em contato com as principais instituições auxiliadas com as doações feitas pelo público durante as lives para saber como o dinheiro é utilizado. Além disso, alguns detalhes técnicos sobre a arrecadação foram revelados.

Para onde vai a doação

Durante as lives, as doações podem ser feitas de formas diferentes. A escolha pela instituição beneficiada pode ser feita tanto pelo artista quanto pelo fã. Nas plataformas mais utilizadas, a renda chega diretamente à instituição, que pode decidir como o dinheiro será utilizado.

Para se ter ideia, a principal plataforma de doação registrou, até o momento, mais de R$ 7 milhões de doações desde o início da pandemia. As lives de Sandy e Junior (R$ 1,8 milhão) e do projeto sertanejo Amigos (R$ 1,7 milhão) foram as que mais arrecadaram dinheiro. Dentro do aplicativo, o dinheiro pode ser destinado a mais de mil instituições com cadastro ativo – nesse caso, ao que tudo indica, a escolha é do usuário.

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O que é feito com o dinheiro

A renda arrecadada com as lives é destinada, na maioria das situações, à manutenção dessas instituições, que, em muitas ocasiões, já eram mantidas por doações antes da pandemia. Em alguns casos, como o do Hospital de Amor em Barretos (SP), essas organizações dependiam de eventos beneficentes e leilões para obter fundos. Com a pandemia, tudo está parado. No caso do hospital, porém, as lives geraram R$ 2 milhões para ajudar nos custos.

A Central Única de Favelas (Cufa), uma das instituições mais beneficiadas com as doações, tem utilizado os R$ 10 milhões arrecadados até agora, seja com lives ou outras ações, para o projeto Mães da Favela, que ajuda mulheres que moram em comunidades, tenham filhos e estejam desamparadas após a pandemia. Uma bolsa mensal de R$ 120 está sendo destinada a cada mãe – são mais de 25 mil recebendo ajuda, o que representa R$ 3 milhões por mês em auxílio.

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AÇÃO- CUFA PARAISÓPOLIS Mais um dia de entrega de doações da VestCasa através da live do @luansantana a Paraisopolis – SP em constante mobilização e conscientização da favela. #maesdafavela #cufacontraovirus AJUDE A CUFA NO PROJETO MÃES DA FAVELA! Essa é a campanha da Cufa que trará uma renda mínima de auxílio a milhares de mães residentes de favelas em todo o Brasil! Juntos poderemos tornar a Favela ainda mais forte! Faça já sua doação através do site: http://cufa.org.br/noticia.php?n=MjY0 Link da nossa Vakinha Online : http://vaka.me/974540 Link de arrecadação Picpay : https://app.picpay.com/payment?type=store&sellerId=126290&value=000,00 Link de arrecadação Kickante: https://www.kickante.com.br/campanhas/maes-da-favela Nossa Conta : CUFA – Central Única das Favelas CNPJ:06.052.228/0001-01 Bradesco Ag.: 0087 C/C: 5875-0

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Cautela com lives piratas e desvio de doações

Antes de doar para alguma live, o internauta precisa checar se a transmissão é real. Nas últimas semanas, algumas pessoas mal-intencionadas encontraram meios para burlar o sistema oferecido pelo YouTube, desviando audiência e até dinheiro por meio de lives piratas.

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Como isso acontece?

  1. Um artista promove uma live a partir de seu canal oficial. Até aqui, tudo bem;
  2. Outros usuários reproduzem a transmissão do artista em seus respectivos canais. É como se “espelhassem” a tela da live em um link diferente, que também aparece na busca do YouTube;
  3. Inicialmente, os usuários em questão provocam a dispersão de audiência da live original. Sem saber, parte do público passa a acompanhar o show por um canal alternativo;
  4. Como muitas lives estão oferecendo QR codes para que o público faça doações, os usuários que “pirateiam” as lives também criam seus QR codes próprios. Assim, eles cooptam as doações feitas pelos fãs a partir dos códigos falsos, desviando as doações.

Como evitar ‘cair’ em lives piratas?

  • Entre nos canais oficiais: ao pesquisar por uma live no YouTube, acesse apenas o canal real do artista. Geralmente, ao pesquisar o nome do artista, o canal dele aparece como uma das primeiras opções. Costuma acompanhar o símbolo de uma colcheia (♪) ao fim do nome do músico ou banda.
  • Acessar as redes sociais oficiais: ficou na dúvida ao pesquisar as lives no YouTube? Entre nos perfis oficiais dos artistas no Facebook, Instagram ou Twitter, que costumam ter selo de verificação na cor azul para indicar que são páginas verdadeiras. Geralmente, esses perfis trazem os links das transmissões. Outra opção são os sites oficiais.
  • Observar o número de pessoas assistindo à live: geralmente, artistas de grande porte reúnem muitos fãs em suas transmissões. Se uma live estiver com poucas visualizações em tempo real, desconfie.
  • Ser criterioso com qualidade de imagem: como os artistas estão investindo em equipamentos caros para transmitir seus shows, deparar-se com uma live de baixa qualidade de imagem ou mesmo de áudio é algo raro. Por isso, caso o vídeo não esteja tão bom ou o som apresente características de abafamento ou similares, confira se você está realmente na live correta.
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Igor Miranda é jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical.