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Conheça ‘A Máquina do Tempo’, o novo álbum de Isabella Taviani

Desde 2013 sem um álbum de inéditas, considerando o ‘Carpenters Avenue’, tributo lançado em 2016, um projeto de regravações; Isabella Taviani lançou ‘A Máquina do Tempo’ em janeiro, seu oitavo CD, com inovações sensíveis tanto no processo de composição como na sonoridade, já que boa parte da produção foi feita na Argentina com músicos portenhos.

“Quando dividi a produção do ‘Carpenters Avenue’ entre Rio e Los Angeles fiquei fascinada com a combinação estética oposta que acabou acontecendo. O André Vasconcellos me propôs essa aventura e nós embarcamos para Buenos Aires”, diz ela.

‘A Máquina do Tempo’, lançado justamente após a turnê comemorativa dos 15 anos de carreira fonográfica da artista, parece contar essa história de mudanças profundas na vida pessoal de Isabella que se tornou mãe de gêmeos enquanto comemorava 51 anos de vida.

Taviani assina com a cantora e compositora Myllena (sua mulher): ‘Alfabeto Grego’, ‘Luar de Prata’, ‘Aconteceu’, ‘Tudo em volta é só você’, ‘A Máquina do Tempo’ e o primeiro single ‘Não Brinca Comigo’.

A música de abertura, ‘Rivotril’, foi praticamente composta online com os fãs da artista que a desafiaram após seu casamento: “ah, agora que Taviani casou vai ficar fofinha e não vai mais fazer aquelas músicas rasgadas!”.

Isabella imediatamente, para não perder a inspiração, começou a esboçar uma ideia e fez uma “live” onde os seus seguidores puderam participar da criação da canção. Embora os versos sejam bem pesados como “Sou eu quem te encontra numa encruzilhada, quem te empurra no vão da escada” é uma música divertida, dançante e foi a escolhida para dar a partida na Máquina do Tempo, abrindo o álbum.

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Seguimos com a balada ‘Arranha-Céu’, iniciada com o suave dedilhado de um simples violão que delicadamente vai nos embalando com a voz doce e seus versos românticos.

Em ‘Me desculpe se eu não fui pior’ podemos ver bem aquela letra típica da Isabella: “Não tem mais jeito não, nem vela e oração vão ser capazes de nos reunir”. Tudo bem envelopado e suavizado por uma divertida melodia e arranjo dançante.

Seguimos para ‘Aconteceu’. Canção com muitas cores, aromas e imagens leves que inevitavelmente nos faz sorrir. Arranjo elegante com espaço para uma modulação de tom sutilmente executada.

A 5ª faixa, ‘Céu de Sangue’, é uma daquelas canções que ficaram guardadas por anos faltando pedaços a serem encaixados. E esse quebra cabeças foi finalizado na hora certa: na escolha do repertório. É uma das faixas gravadas na Argentina com clima denso: “Brindei ao fracasso ridículo do nosso vínculo, vicioso círculo”. A música termina em pegada grunge bem ao estilo Nirvana.

‘Tudo em Volta é Só Você’ foi gravada simultaneamente com a canção já lançada ‘A Vida Vive Sem Você’, em maio de 2018. Belo arranjo de cordas gravado pela Orquestra de Cordas de São Petersburgo (Rússia) num arranjo inspirado de Rafael Langoni… Uma canção cinematográfica!

A sétima faixa, ‘Alfabeto Grego’, compõe bem as surpresas de estilos que acontecem em ‘A Máquina do Tempo’. Nunca se esperaria um “ijexá” num CD da Taviani. Ainda mais executado de forma tão simples onde a perfumaria é toda feita pelo mestre Marcus Suzano na percussão e violões de Isabella e André Vasconcellos.

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Em ‘Luar de Prata’ há uma curiosidade. A música, composta em parceria com Myllena, foi feita no interior, no Sul de Minas, e tem nitidamente sotaque caipira. Na escolha de repertório, Isabella achava que ela não se encaixaria à sonoridade do álbum.

Os produtores do disco, André Vasconcellos e Fabrício Mattos, acreditavam que se fosse levada para ser executada pelos portenhos, ela perderia essa cara regional e traria outras texturas. Vemos no resultado que a faixa acabou perdendo os “ares” caipiras brasileiros e mostrando uma relação estreita com a música andina. “Apenas trocamos as regiões dos caipiras (risos)”. ‘Luar de Prata’ ainda conta com a participação de Myllena em vocais leves e sutis.

Chegamos então à 9ª faixa, a ensolarada ‘Não Brinca Comigo!’ Escolhida para ser a primeira a ser executada nas plataformas digitais e nas rádios justamente no verão, é uma daquelas canções que ficam na cabeça, e nos faz viajar no tempo flertando com os anos 80.

Mesmo a já conhecida ‘A vida vive sem você’, encontra seu lugar de destaque no contexto do álbum chegando na 10ª faixa.

Neste momento entendemos bem o conceito do álbum: fases, momentos, amores, desamores, acertos e erros. O que se foi e o que virá. O tempo de plantar e esperar florir. Começar, terminar e assim recomeçar. “Há sempre uma esquina te esperando pra virar. Um novo amor, outra saudade pra matar. Um dia triste ou feliz pra comparar. Enquanto bate, um coração quer amar”.

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E para não cairmos na emoção desenfreada, o álbum encontra seu desfecho na psicodélica ‘A Máquina do Tempo’. Os versos dizem: “a máquina do tempo está a pleno vapor, acelerou meu pensamento e me drogou. Foi tudo tão bonito. No meu futuro próximo não há sinais fechados. Compro felicidade no mercado. É simples o negócio”. E assim a música termina numa apoteose sonora surreal que remete a viagem no tempo que todos vivemos ao pensar, simultaneamente, em nossa própria história de vida.

Porque ninguém sabe aonde essa Máquina do Tempo pode nos levar!

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