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Bolsonaro defende Gusttavo Lima após restrição às lives; os 2 shows sumiram da internet

O presidente Jair Bolsonaro defendeu Gusttavo Lima após as duas lives realizadas pelo cantor passarem por restrições no YouTube, por solicitação do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), devido ao consumo e publicidade de bebidas alcoólicas considerados inadequados. O órgão exigia que os internautas se identificassem e declarassem que são maiores de idade antes do acesso aos vídeos dos shows – que, após a polêmica, já não estão mais disponíveis no canal do artista.

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“Minha solidariedade ao cantor Gusttavo Lima, que vem sendo injusta e covardemente atacado após a grande live que fez dentro de sua própria casa. Ele e outros artistas sertanejos e de demais gêneros, têm sido grandes heróis nessa luta contra a Covid-19 e merecem aplausos”, disse o presidente da República, inicialmente, pelas redes sociais.

Em outra mensagem, Bolsonaro complementou: “Tomaram uma iniciativa espontânea louvável, demonstrando amor pelo seu povo e país, levando entretenimento e conforto para a casa de milhões de famílias neste momento de estresse, além de arrecadarem toneladas de alimentos e promoverem grandes doações. O Brasil agradece”.

Apesar da defesa por parte do presidente, as lives já não estão mais disponíveis no canal de Gusttavo Lima no YouTube. O cantor não se manifestou oficialmente sobre o “sumiço” dos vídeos, mas tudo indica que ele tenha apagado, pois a restrição promovida pelo YouTube a pedido do Conar já havia sido imposta – o órgão solicitava apenas identificação do usuário, não a remoção das gravações.

Além das lives, uma mensagem em tom de desabafo que Gusttavo Lima publicou sobre o assunto, via Twitter, também desapareceu da rede social. Novamente, imagina-se que o artista tenha removido a postagem por conta própria.

Na publicação já apagada, Gusttavo Lima dizia: “Acho que o grande segredo da live é tirar o lençol do fantasma. Acho que uma live engessada e politicamente correta não tem graça. O bom das lives são as brincadeiras, a vontade, levar alegria alto astral para as pessoas que estão agoniadas nesse momento. Não farei live pra ser censurado”.

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Já em um dos outros posts que foram mantidos, Gusttavo Lima disse: Juntos, ajudamos muitas pessoas. Foram toneladas de alimentos e arredações… fizemos nosso papel, Deus abençoe a todos!”.

Quando um internauta pediu uma terceira edição da live ‘Buteco em Casa’, Gusttavo Lima respondeu que as transmissões de shows não devem mais acontecer. “Acho que não rola mais, enfim… nos encontramos em breve”. Curiosamente, rumores indicam que ele participará de uma live promovida pelo escritório Workshow em breve – ou seja, ele não deve deixar de fazer apresentações online.

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A ação do Conar contra Gusttavo Lima

Após alegar “denúncias recebidas de dezenas de consumidores”, o Conar abriu uma representação ética contra Gusttavo Lima. O órgão alega que o cantor não tomou as medidas necessárias para suas ações publicitárias (como avisar que são produtos para maiores de 18 anos e que devem ser consumidos com moderação) e estimulou “consumo irresponsável”, ao promover “repetida ingestão de cerveja”.

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Durante a live do último sábado (11), o nome de uma cerveja patrocinadora apareceu com destaque na tela. Além disso, Gusttavo Lima consumiu não só a bebida em questão como outras, incluindo destilados. Muitos internautas apontaram que, nas duas transmissões ao vivo, o artista ficou visivelmente alcoolizado.

Antes de sumirem do ar, as duas lives de Gusttavo Lima passaram a apresentar, a partir de quarta-feira (15), uma restrição de acessos. Para assistir ao conteúdo no YouTube, era necessário estar identificado na plataforma e declarar ser maior de idade.

Em comunicado divulgado para a imprensa, a Ambev, cujas bebidas estavam sendo anunciadas, reforçou a relevância e o pioneirismo das lives e afirmou que mantém “o cuidado de assegurar as medidas de higiene e distanciamento social e com a devida orientação prévia aos artistas sobre as regras do Conar de publicidade de bebidas”. A empresa garante ter orientado os artistas com guias, destacando as regras, mas que “de forma totalmente espontânea, algumas orientações não foram seguidas”.

Conar e Pabllo Vittar

No início deste ano, por intermédio do Conar, o YouTube também aplicou uma restrição para assistir ao clipe de ‘Parabéns’, de Pabllo Vittar e Psirico, devido a uma propaganda de bebida alcoólica não ter sido apresentada de forma devida, respeitando as regras do Conar. Desde a mudança, a plataforma de vídeos passou a exigir que o usuário se identifique e declare ser maior de idade para ter acesso ao videoclipe.

Na ocasião, Pabllo Vittar afirmou pelas redes sociais que foi vítima de “censura seletiva”. A artista argumenta que outros cantores também fazem clipes com cenas semelhantes – mostrando consumo de bebidas alcoólicas –, mas não sofrem a mesma restrição.

“Recebemos uma restrição de idade no clipe de ‘Parabéns’ porque estou segurando um copo de vodca. Sendo que já havia uma mensagem dizendo ‘beba com moderação’. Mesmo assim, restringiram. […] A gente sabe que tem vários outros clipes muito mais nocivos, com conteúdos muito mais explícitos, e não são restritos, mas atacam a drag queen a torto e a direito. […] Diga não à censura seletiva”, disse Pabllo, na época.

Em resposta, o Conar declarou que a decisão foi tomada por unanimidade e que “Pabllo Vittar optou por não se defender, ainda que regularmente comunicado pelo Conar”.

Igor Miranda é jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical.